Setor varejista aposta no FGTS para ter melhores resultados

Marcelo Guidugli, CEO da Procfit, afirma que FGTS pode ser solução para o setor, mas relembra que consumidor ainda está receoso

Publicado em 17 de abril de 2017 | 15:19 |Por: Paulinne Giffhorn

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No ano de 2017, o setor varejista passa por um processo de reestruturação, já que no ano passado os resultados apresentados foram abaixo do esperado. Em 2016, o varejo restrito fechou o ano com um decrescimento real de -6,2%, pior resultado desde o início do monitoramento da série, em 2001. Esse resultado se deve, segundo o CEO da Procfit, Marcelo Guidugli, pelo declínio no mercado de trabalho, no qual uma série de problemas, como o retrocesso da massificação de salários e a inflação elevada, atingem a população.

Para ele, mesmo com uma série de índices negativos em 2016, a expectativa dos comerciantes para 2017 é positiva e o setor varejista passa por um processo de reestruturação para alcançar melhores resultados. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) atingiu 99,9 pontos em março, em uma escala que vai até 200 pontos – maior nível dos dois últimos anos. Na série com ajuste sazonal, o aumento mensal foi de 6,4%, esse indicador abrange pesquisas com 6.000 empresas varejistas.

Crédito | Júlia Magalhães

Setor Varejista

Para fomentar o setor, é preciso se adequar à realidade do consumidor, oferecendo boas oportunidades de compra

Na análise do CEO da companhia de tecnologia em processos de gestão empresarial, o motivo dessa confiança se deve pela diminuição da pressão voltada aos preços do varejo, além da queda da taxa de juros básica. “O principal fator que traz motivação aos comerciantes é a liberação do FGTS, o varejo prepara promoções com descontos de até 70% para fisgar os consumidores e também condições especiais de pagamento”, avalia.

Diante desse cenário, Guidugli afirma que é importante salientar que o FGTS pode ser sim a válvula de escape para o crescimento do setor varejista, mas é preciso relembrar que o consumidor está receoso. “Muitas vezes o consumidor não tem estabilidade e se preocupa com a possibilidade do desemprego, além de ter muitas dívidas, o que pode acabar ocasionando o fato de que o consumo não seja a prioridade”, ressalta.

O Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) realizou uma pesquisa que apresenta números preocupantes para o varejista, apontando que apenas 9,6% dos que vão sacar os recursos pretendem usá-los para comprar ou gastar com lazer. Por outro lado, chegam a 65% os que vão usar o dinheiro para pagar dívidas ou poupar.

– Saques do FGTS podem movimentar economia

“A tendência é que, primeiramente, os trabalhadores devem se livrar das dívidas e refazer suas reservas e em seguida devem voltar a consumir”, informa Guidugli. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) avaliou quais são as prioridades de quem tem dinheiro de contas inativas a receber e, dos mais de dois mil entrevistados, 41,3% afirmaram que pretendem quitar débitos.

“Agora cabe ao setor varejista analisar esses números e, a partir disso, estabelecer um plano que supra economicamente as suas necessidades produtivas e econômicas. É necessária uma adequação à realidade do consumidor, oferecendo a ele boas oportunidades de compra, assim possibilitando o aumento progressivo do consumo”, completa.

(com informações de assessoria)


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