Dia do consumidor aponta perspectivas de consumo para o ano

Primeira data promocional do varejo ocorre nesta sexta-feira (15) e serve como oportunidade para o varejista mapear as oportunidades de negócio

Publicado em 14 de março de 2019 | 13:47 |Por: Luis Antônio Hangai

Passada a temporada de vendas de fim de ano e as grandes queimas de estoque das redes varejistas em janeiro, o comércio se prepara para mais uma data especial que antecede a Páscoa. Mas o que representa o Dia do Consumidor no varejo de móveis? Nesta sexta-feira, 15 de março, as empresas que trabalham no segmento terão a oportunidade de observar o potencial de consumo na primeira semana promocional do ano e traçar estratégias para o restante de 2019, seja este potencial alto, pequeno ou incerto.

No decorrer dos últimos anos, o Dia do Consumidor vem se estabelecendo no calendário de compras do brasileiro. Conforme uma pesquisa conduzida pelo Google, um terço dos entrevistados afirmam conhecer a data e dois terços dizem ter encontrado as promoções que procuravam no ano passado. Outro dado relevante é que as buscas relacionadas ao dia promocional dobraram de 2017 para 2018.

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A sondagem também indica os tipos de produtos que estarão na mira do consumidor em 2019. Entre os entrevistados, 62% declararam que irão esperar o Dia do Consumidor para comprar computadores e videogames, 61% smartphones e 53% roupas e calçados. Os móveis também figuram em destaque na pesquisa: 53% pretendem esperar a data especial para comprar mobiliário e 19% revelaram intenção de adquiri-los nos próximos seis meses.

O Dia do Consumidor no varejo de móveis em 2018 foi representativo, pois dentre os produtos mais vendidos o segmento situou-se na sexta colocação, com 10,8%. Acima do setor moveleiro figuraram apenas os de alimentos e bebidas (35,4%), moda e beleza (27,7%), eletrônicos (17,1%), smartphones (14%) e eletrodomésticos e eletroportáteis (13,7%).

O desafio do Dia do Consumidor no varejo de móveis

O Dia do Consumidor no varejo de móveis não consiste apenas em uma boa oportunidade para incrementar as vendas, mas também para atentar aos desafios que o segmento enfrenta desde a crise que abalou a economia e a confiança do consumidor nos últimos anos e cujos efeito, mesmo que mitigados em 2017 e 2018, ainda devem persistir pelos próximos anos. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018 o comércio moveleiro registrou recuo de 3,3% em volume de peças vendidas e queda de 2,4% nos valores nominais comercializados.

Para a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor moveleiro – como de todos os bens de consumo duráveis – ainda encontra dificuldades para recuperar o nível de atividade pré-crise. Segundo o economista da entidade, Fábio Bentes, o varejo mesmo tendo crescido em 2017 e 2018, ainda estão com as vendas 10% inferiores em relação ao período que antecede 2014.

Bentes: “O segmento de móveis e eletro ainda não tem a recuperação consolidada”

“No caso de móveis e eletro ainda temos o agravante, que é a aversão ao endividamento e que permeia a decisão de consumo. O segmento de móveis e eletro ainda não tem a recuperação consolidada. Em relação ao período pré-crise, a diferença é de uma perda de 25%. Esse processo de recuperação ainda vai demorar para este ramo varejista”, afirma.

Para o economista, essa fraqueza da recuperação do consumo se deve a uma série de fatores, mas em última instância está associada à lentidão de retomada no mercado de trabalho. Segundo ele, no Brasil, o consumidor tem um orçamento desequilibrado e por isso precisa recorrer a financiamento e empréstimo para fechar as contas, além das taxas de juros persistirem altas, embora em ritmo de queda.

Neste sentido, um positivo Dia do Consumidor no varejo de móveis depende principalmente de fatores como preço e condições de pagamento. A pesquisa do Google, por exemplo, indica que o critério central é o preço (decisivo para 46% das pessoas), mas outros atributos são também importantes como a confiança na loja (citada por 42%) e o frete (29%).

“O varejista consegue atrair o consumidor via preço, mas o grande problema é que ele não pode baixa-lo de forma abrupta sob o risco de prejudicar a rentabilidade. O maior potencial de proveito numa data que está associada à redução de preço é negociar muito bem com o fornecedor, algo que não foi fácil no último ano. Pra este tipo de data, onde o preço tem apelo muito grande, a conjuntura econômica e a formação de estoque passa a ter um papel fundamental para que o varejista consiga tirar proveito”, afirma Bentes.


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