Marcas de móveis investem em espaços para design livre

Ikea e Oppa investem em design livre disponibilizando espaços para que designers criem novas soluções para os lares urbanos e mesmo peças conceituais e provocadoras.

Publicado em 29 de novembro de 2015 | 9:00 |Por: Nicholle Murmel

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O design em seu estado mais puro é criativo, descompromissado e até mesmo provocador. Além de unir estética e funcionalidade, estimula os sentidos e promove a troca entre pessoas nos ambientes em que é bem executado. Cada vez mais as empresas de varejo no setor moveleiro estão percebendo o potencial do design livre e investindo em espaços de criação para encorajar os projetos mais inventivos, conceituais e divertidos a fim de antecipar tendências e encontrar soluções para as casas contemporâneas.

A IKEA acaba de lançar o Space10 – um laboratório experimental de design que reúne criadores de todo o globo para pesquisar e solucionar problemas do morar nas cidades. Parte estúdio de design, parte oficina, programa de intercâmbio e espaço de exibição, o empreendimento de vanguarda tem como objetivo permitir que os profissionais desenvolvam projetos livremente, sem burocracia ou pressão pelo retorno do investimento.

Foto: Divulgação

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“A IKEA já busca melhorar a vida das pessoas, e com o Space10 esperamos levar essa visão mais além”, explica o gerente de conceitos e inovação da marca sueca, Göran Nilsson. “Não importa se as soluções encontradas pelos designers são imediatamente relevantes para os negócios. O que interessa é olhar em novas direções e estarmos preparados para mudanças”, afirma.

E mudanças já foram feitas, a começar pelo local onde o laboratório fica – o Space10 costumava ser uma fábrica de processamento de pescados em Copenhague. O prédio abandonado no distrito frigorífico da capital dinamarquesa contou com os profissionais do estúdio de design e arquitetura Spacon & X, também dinamarquês, para reformular os 1000 metros quadrados de espaço. Eis como a equipe abraçou a empreitada:

Foi usado bastante compensado com as arestas expostas e laminado apenas na horizontal. As placas são mais espessas do que os 19mm padrão dos Estados Unidos.

Foto: Divulgação

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O revestimento do chão também foi trocado, pelo que se pode ver no “antes” do vídeo e o “depois” das imagens. Um elemento curioso é a mesa comprida na foto abaixo. Ao que tudo indica, o tampo parece ser confeccionado a partir de fórmica sem cobertura. Considerando a presença das plantas, derrubar água nesse tipo de superfície seria um problema – mas não surpreenderia se o tampo fosse selado com algum revestimento transparente.

Foto: Divulgação

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Como se pode ver na foto a seguir, em um primeiro momento os painéis translúcidos podem parecer Coroplast…

Foto: Divulgação

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…Mas na foto seguinte, nota-se que são transparentes demais para serem Colorplast. É mais provável que sejam de policarbonato

Foto: Divulgação

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O mobiliário do espaço tem um ar de “faça você mesmo”, como se tivesse sido criado montado às pressas com o que se tinha à mão. Essa velocidade, no fim, é um aspecto central do modus operandi no Space10. “Tentamos criar um ambiente ágil, visionário e ousado para fomentar e conceber ideias radicais que possam ser testadas rapidamente”, comenta a CEO e fundadora do estúdio, Carla Cammilla Hjort.

E já que estamos falando de velocidade, o Space10 mal completou uma semana de funcionamento e designers de todo o mundo já estão desenvolvendo projetos prontos para apresentação.

Entre eles estão as peças curiosas da artista holandesa Maaike Fransen, convidada pela Spacon & X. A criadora é conhecida por incorporar objetos encontrados ao acaso em suas instalações, espécies de improvisações extremas a partir de objetos que encontrados em qualquer loja da IKEA.

Foto: Divulgação

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Fransen é modesta ao comentar sua primeira tentativa de montar uma peça para o Space10 – a ideia envolvia bolas infláveis vendidas do departamento Infantil – e como o projeto não deu certo. “Comprei todas as bolas que havia na IKEA em Amsterdã, inflei e enchi um cômodo com elas”, explica a artista. “A aparência era bacana, mas não dava muita vontade de deitar naquilo por causa da textura de borracha”.

Foto: Divulgação

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Determinada, ela garimpou as seções de Transporte e Ferramentas em busca de correias pretas, amarrou as bolas infláveis formando uma grade e preencheu os espaços entre elas com bolas de futebol de pelúcia. Então cobriu tudo com um cobertor branco achado na seção de Cama, Mesa e Banho – o resultado foi “uma paisagem macia, em bolhas, com jeito de Himalaia”, ou “uma piscina onde você pode afundar”, segundo a artista.

Foto: Divulgação

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Já a segunda instalação de Fransen é mais subversiva: a regra era usar itens encontrados nas lojas da IKEA, mas ninguém disse que esses itens precisavam necessariamente estar à venda. Então, Maaike roubou alguns dos carrinhos de compras – “foi um impulso”, ela argumenta – e os transformou no que ela chama de “estações de trabalho para gente preguiçosa”.

Foto: Divulgação

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“Minha cabeça é estranha”, Fransen admite. “Eu também me surpreendo com o que sai dela”.

Enquanto isso ficamos aqui pensando se a gigante sueca vai começar a vender esses carrinhos…

Foto: Divulgação

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No Brasil também já existe uma iniciativa para promover o design em sua forma mais original, com sua capacidade de transformar locais e inspirar encontros e convívio.

A Oppa inaugurou um espaço de convivência dentro da residência da Tofiq House.

Foto: Divulgação

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O projeto de ambientação e decoração tem assinatura de Paulo Carvalho, membro do time de Visual Merchandiser da empresa. Todo o projeto foi pensando para permitir a vivência, a experimentação dos móveis e o convívio entre os artistas, facilitando o intercâmbio e a estadia no Brasil.

Foto: Divulgação

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“A Oppa aposta na divulgação da cultura brasileira e promove sempre a troca de ideais entre artistas nacionais/internacionais e o design nacional. Queremos que os artistas, colecionadores e apaixonados pelo mundo das artes possam ter a experiência real com os nossos móveis“, explica Allan Gonçalves, gestor de marca da Oppa.

A residência artística da Tofiq House existe há 3 anos e a parceria veio complementar o projeto da casa. “Apostamos sempre nos produtos genuinamente brasileiros. Queremos que os artistas sintam a brasilidade dos móveis da marca, o jeito cool e acima de tudo, que eles possam usufruir do conforto e que tenham uma experiência de uma marca genuinamente brasileira”, explica Inês Coelho, representante do espaço.


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