Ter conta corrente não é fator decisivo para o crédito

Em tempo de crise, fica alerta ao comércio para ficar mais sensível às vulnerabilidades do perfil desse consumidor

Publicado em 9 de julho de 2015 | 14:05 |Por: Marina Gallucci

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Há muitas alternativas de crédito disponíveis que permitem o pagamento de compras em parcelas, e elas podem ser importantes em um momento em que os bancos restringem o crédito concedido e exigem mais garantias

Há muitas alternativas de crédito disponíveis que podem ser importantes em um momento em que os bancos exigem mais garantias

Nem sempre possuir conta em banco é um requisito para os brasileiros consumirem ou adquirirem crédito para parcelar suas compras. Dados do Data Popular indicam que o Brasil tem aproximadamente 55 milhões de adultos não-bancarizados. Deste total, segundo o instituto, 11% estão na “Classe Alta”, 52% na “Classe Média” e 37% na “Classe Baixa”. Essa população é responsável por consumir por ano R$ 665 bilhões.

Mais recente, uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e com o Meu Bolso Feliz, no fim do mês passado, sobre o uso do crédito pelas pessoas que não possuem conta corrente, mostra que oito em cada dez consumidores (84%) nesta categoria realizam compras parceladas. As alternativas mais comuns encontradas entre essas pessoas para o consumo são o parcelamento por meio do crediário (42%), o cartão de crédito (40%) e o financiamento (15%).

Para os entrevistados pelo SPC, o uso do crédito mesmo sem ter uma conta corrente representa uma necessidade para comprar o necessário no mês, já que muitas vezes a renda não é suficiente para comprar à vista; além disso, o recurso ajuda em momentos difíceis. Ainda assim, 17% afirmaram ter o acesso ao crédito negado nos últimos três meses.

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Em tempo de crise

Segundo a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, o fato de o crédito ser negado com mais frequência é reflexo da situação da economia com inflação elevada e juros cada vez mais altos, que estão bloqueando o acesso dos consumidores, com ou sem conta bancária.

No entanto, destaca a economista, ficou claro com a pesquisa que, apesar do crédito estar mais difícil, ainda é possível conseguir se financiar de outra forma. “A saída tem sido os cartões e o crediário, porém, mesmo que seja outro tipo de financiamento, exigem a mesma atenção que o crédito bancário. Existe uma dificuldade maior de se endividar, mas é possível que isso aconteça.”

Mais da metade dos entrevistados parece compreender a dificuldade de administrar o crédito: 52% evitam ouvir propostas de novos cartões e/ou aumento de limite, para não comprometerem o orçamento ou para evitarem compras desnecessárias; e 61% escolhem a opção de crédito levando em conta as menores taxas de juros cobradas.

Comércio

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40% de entrevistados sem conta bancária que possuem cartão de crédito, 58% não sabem qual o limite para compras

Dos 40% de entrevistados sem conta bancária que possuem cartão de crédito, 58% não sabem qual o limite para compras

Como apontou a pesquisa, quase metade utiliza o crediário como forma de pagamento, nem que seja raramente (menos de três vezes ao ano). Entre eles, 35% têm alguma compra no crediário no momento, 8% compram ao menos uma vez ao mês. Cerca de 12% dos consumidores ouvidos pedem a outras pessoas que façam crediário para uso próprio.

Para os entrevistados, as principais vantagens dessa modalidade de crédito são o parcelamento das compras e a opção de poder parcelar mesmo sem ter cartão ou cheque, e os itens mais adquiridos através do crediário são eletrodomésticos (31%).

O acesso dos consumidores à modalidade também serve de alerta para as lojas que, além de toda análise feita de crédito, pode ter um olhar mais atento para ajudar no planejamento da compra desse consumidor. “Dentre os setores que pesquisamos, o comércio é o único setor em que a inadimplência se mantém estável, por dois fatores: já há um planejamento para vender menos e todo esse já usual processo de análise de crédito feito junto ao cliente”, diz.

Para ela ainda há outro diferencial, especialmente nas lojas menores, e que pode ser usado a favor do setor. “Normalmente no varejo se conhece melhor o cliente. Por isso, além da análise de crédito é importante investigar com cuidado o perfil e o momento daquele cliente e, assim orientar sobre qual o melhor plano de pagamento para o ‘cobertor’ não ficar curto, caso problemas aconteçam”, defende.


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