Copa do Mundo: varejo tem queda de 3% no movimento de clientes

Dados do Serasa Experian apontam a redução do expediente por conta dos jogos da Copa do Mundo como um dos principais motivos

Publicado em 5 de julho de 2014 | 14:00 |Por: Marina Gallucci

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Alexandre Macieira Riotur

Além da Copa, taxa de juros, encarecimento do crédito e ânimo do consumidor influenciam nos resultados

Além da Copa, taxa de juros, encarecimento do crédito e ânimo do consumidor influenciaram nos resultados

A Copa do Mundo tem, no geral, afetado de forma negativa o comércio. Segundo dados da consultoria Serasa Experian, a redução do expediente do comércio e a decretação de feriados em algumas cidades durante o mundial resultaram em queda de 3,2% na atividade do comércio em junho, na comparação como mês anterior. Já no setor específico de móveis, eletroeletrônicos e informática a queda foi de 3%.

De acordo com o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Fabio Bentes, a Copa do Mundo deve movimentar R$ 863 milhões em vendas no varejo, principalmente eletroeletrônicos e artigos de uso pessoal, como camisetas. “O problema é que foram decretados feriados em diversas cidades do Brasil e isso afeta a lucratividade”, disse Bentes.

No geral, Bentes avalia que, para cada feriado, há perda de 9,2% na comparação com um dia normal. Parece pouco, mas no montante o percentual representa perdas diárias de R$ 600 milhões. “Normalmente, 16% das vendas são usados para pagar salários. Esse custo dobra com o feriado, o que pressiona a margem de lucro”, ressalta Bentes

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A redução nos lucros ocorre porque em dias de feriado o pagamento para quem trabalha é em dobro. “Também tem que ser considerado os valores dos salários pagos em cada cidade. No Rio de Janeiro e em São Paulo, onde os salários são mais altos, o efeito no lucro é maior”, completou.

Outros setores

Apenas o segmento de tecidos, vestuário, calçados e acessórios manteve-se estável em relação a junho. Os demais setores registraram queda na movimentação, com destaque para os setores de material de construção (-13,1%) e combustíveis e lubrificantes (-12,3%). Também registraram queda os setores de veículos, motos e peças (-6,4%) e supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-4,2%).

Conjuntura

Além do impacto do Mundial, os economistas da Serasa destacam outros fatores, como “a elevação das taxas de juros; a menor geração de empregos no mercado de trabalho; o baixo índice de confiança dos consumidores e as incertezas com relação à economia”. De janeiro a junho, o indicador acumula alta de 3,6% na comparação com igual período de 2013.

O economista completa que a inflação pode ser positiva para o comércio, mas com o aumento de juros repassados ao consumidor não é isso que tem ocorrido. Segundo ele, os últimos dados do Banco Central, apontam uma taxa de juros média ao consumidor brasileiro de 42,5% ao ano – a mais alta desde 2005. “Se a gente considerar ainda que além desse encarecimento, as taxas de juros mais altas e o prazo para quitação parou de crescer, como vinha acontecendo no passado, isso impacta diretamente o consumo”, aponta.

“O resultado é o comércio meio que repetindo o que aconteceu no ano passado em termos de taxa de crescimento. Temos que considerar também que o segundo semestre do ano passado foi relativamente bom para o varejo, em relação ao segundo semestre de 2012, então houve uma desaceleração do varejo, sim, nesse primeiro semestre desse ano”, conclui.


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