53% dos lojistas devem contratar para o fim do ano

Segundo pesquisa, setor está menos otimista e empresariado achata remuneração e opta por contratações tardias. Ao todo, mais de 209 mil vagas devem ser criadas

Publicado em 20 de outubro de 2014 | 15:11 |Por: Marina Gallucci

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Divulgação

a média, cada empresa deve contratar até o fim do ano entre três e quatro trabalhadores para reforçar seu quadro de funcionários no fim do ano

Na média, cada empresa deve contratar até o fim do ano entre três e quatro trabalhadores para reforçar seu quadro de funcionários no fim do ano

Com a aproximação do fim do ano, os lojistas se preparam para atender a demanda aquecida do Natal e das festas do período, ampliando o seu quadro de funcionários. Um levantamento realizado nas 27 capitais brasileiras revelou que mais da metade dos empresários dos setores do comércio e de serviços já contratou ou pretende contratar trabalhadores temporários neste fim de ano – o equivalente a 53%. Estima-se que até o término de 2014 aproximadamente 209 mil temporários sejam absorvidos para preencher as vagas de emprego disponíveis.

A pesquisa feita Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), indica, contudo, que para este fim do ano os empresários estão mais reticentes em contratar. Em 2013, a estimativa do SPC Brasil era de que mais de 233 mil vagas seriam criadas para o mesmo período. Além disso, em 2014, aumentou de maneira expressiva a quantidade de empresas que ainda estão esperando um sinal positivo do mercado para contratar: elas eram 20% em 2013 e passaram para 28% em 2014.

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Na avaliação da economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, a elevação do percentual de contratações tardias sinaliza que o empresariado está cauteloso, esperando até o último momento para investir em mão de obra temporária, a fim de evitar prejuízos e gastos desnecessários com a folha de pagamento. “O cenário de compasso de espera se dá por conta dos fracos indicadores econômicos. Temos observado sucessivas pioras no desempenho do comércio e da indústria, com reflexos significativos no emprego e na confiança de consumidores e empresários. Em meio às incertezas no campo da economia, os empresários parecem postergar ao máximo suas decisões”, afirma a economista.

O especialista em Marketing e sócio-diretor da consultoria em varejo Sollo Direto ao Ponto, Marcelo Murin, aconselha que o cenário de pessimismo e incertezas não é para pisar no freio e, sim, de investir corretamente durante o fim do ano. Quanto as contratações, ele destaca que é preciso ser muito assertivo, “porque mão de obra não é muito barata pela legislação brasileira. Mas se você fizer uma coisa bem pensada, focando em algumas lojas que tenham melhor resultado e contratando de forma correta, consegue ter resultados bem efetivos. Tem estudos que mostram que uma ação promocional com promotora pode incrementar de 20 a 30% as vendas”, divide.

Ele acrescenta que é importante prudência, porém, “não dá para ficar esperando para ver”. “Esse é o momento de partir para ação. Estamos claramente em um cenário de instabilidade, mas acredito que a economia vai dar uma aquecida agora no segundo semestre, porque é o que normalmente acontece”, afirma.

Quando contratar?

O estudo do SPC Brasil mostra ainda que a maioria das contratações para o fim do ano deve ocorrer até o final de outubro (37%) e também novembro (38%). Apenas 13% já efetuaram as contratações nos meses de agosto e setembro e 7% devem realizá-las somente em dezembro, quando faltarem poucas semanas para o Natal.

Expectativa de vendas
De acordo com a pesquisa do SPC Brasil, as perspectivas de vendas para o fim do ano esboçam um quadro positivo, embora com menos intensidade se comparado com a expectativa observada na pesquisa do ano passado.Se por um lado, o percentual de pessimistas caiu de 12% em 2013 para 6% em 2014, o número de empresários que acreditam em vendas superiores às registradas no ano passado também retraiu, passando de 55% para 46%. Isso fez com que a quantidade de empresários com percepção estável sobre o mercado – ou seja, que projetam vendas no mesmo patamar do ano passado – saltasse de 28% para 42%.

A economista do SPC Brasil, Marcela Kawauti, avalia que apesar dos recentes indicadores sinalizarem que o consumo está perdendo força no país, é natural que o período natalino impulsione as vendas no comércio, já que, tradicionalmente, é a data de maior lucratividade para o varejo nacional. “O tom predominantemente otimista do empresariado pode ser interpretado como uma esperança em recuperar as perdas que eles registraram ao longo do ano em outras datas comemorativas”, explica.

Para os analistas do SPC Brasil, não existe um mês ideal para que as contratações do fim do ano sejam realizadas. Cada empresa deve fazê-la de acordo com o mercado e com o fluxo de vendas previsto para o final do ano. Porém, é recomendável as contratações sejam feitas com certa antecedência para que avaliação dos temporários aconteça antes que o movimento pré-festas fique mais intenso.

“Muitas vezes os lojistas ficam com esses colaboradores por mais tempo por causa da alta demanda no período de troca de presentes e de liquidações no início de ano”, explica o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges.

O gerente de compras da Eletrozema, Márcio de Freitas Silva, comenta que as contratações na rede começaram em outubro, justamente pelo treinamento e capacitação. “Embora sejam temporários precisam ser qualificados e causar uma imagem positiva da empresa com a concepção na qualidade de um bom atendimento aos nossos clientes”, afirma.

Silva cedeu entrevista à Revista Móbile Lojista, onde outras varejistas consultadas pela reportagem indicaram que no fim do ano serão contratados, sim, alguns temporários. Nas Lojas Koerich, de Santa Catarina, por exemplo, no fim do ano a rede tradicionalmente aumenta em 15% o quadro de funcionários, segundo afirmou o presidente da rede, Antônio Koerich.

Leia mais sobre os preparativos para o fim do ano e dicas para quem deixou o planejamento para última hora na edição 311 da Revista Móbile Lojista.


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