Consumo: perfis em movimento

Os jovens da classe C e as mulheres são bons exemplos de mudanças em comportamentos de consumo conforme segmentos demográficos

Publicado em 19 de dezembro de 2014 | 10:56 |Por: Frances Baras

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Schutterstock

Consumo

As mulheres não dependem mais dos homens para consumir. Elas passaram de influenciadoras para decisoras no processo

Recentemente, o Portal eMobile divulgou um estudo do Trendwatching sobre como os consumidores não se comportam mais como deveriam em todo o mundo. No Brasil, dois grupos se destacam em relação a mudanças de comportamento de consumo – os jovens da classe C e as mulheres.

Promissores

Assim são classificados os jovens da classe C de acordo com a pesquisa Faces da Classe Média, divulgada em fevereiro deste ano e realizada pelo Data Popular em parceria com a Serasa Experian.

O instituto, especializado no estudo dos mercados emergentes, estima que um total de 108 milhões de pessoas formam a classe C no Brasil. Entre eles, os jovens fazem parte de um grupo de cerca de 14,7 milhão de brasileiros com idade média de 22,2 anos.

Ainda segundo os dados, os jovens formam 19% desta classe média, são majoritariamente solteiros (95%), 59% deles têm ensino médio completo, 57% têm carteira assinada e 72%, acesso à internet.

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Para o professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e especialista em comportamento do consumo, Fábio Mariano, eles têm mais oportunidades em comparação a pessoas da mesma faixa etária no passado.

“Eles vivem em um País com a inflação regulada, ou seja, com um cenário econômico que já é mais favorável. E também, por mais surpreendente que possa parecer, em um País menos violento”, aponta.

Além disso, “há mais vagas de emprego para eles e, ao mesmo tempo, eles estão mais preparados para assumi-las, já que o nível de escolaridade é também maior”, continua o professor.

Everson Bressan/SMCS

Jovens Classe C

Boa parte destes jovens da classe C paga o próprio estudo e, na maioria das vezes eles estão estão cursando o ensino superior em universidades privadas

Tudo isso transmite uma sensação maior de “eu posso”, confirma o professor da ESPM. “Hoje é possível para esse jovem, se cumprir alguns requisitos, ter uma ascensão que lá atrás era muito difícil de se conseguir. O pensamento antes era ‘isso não é para mim’, ‘é só para rico’, ‘vou me colocar no meu lugar’. E essa mudança vai acabar se traduzindo na compra.”

O grupo dos promissores, segundo as informações da pesquisa, consome R$ 230,8 bilhões ao ano e, apesar de já terem vivenciado situações de endividamento e descontrole financeiro (51% deles), são considerados consumidores conscientes. “Isso por que ele tem mais acesso às lojas e há maior concorrência entre elas. Com seu poder de compra e acesso à internet ele ganha também mais informação”, diz o professor.

Em relação ao seu comportamento na escolha dos produtos, Mariano revela que o jovem, por ter esse nível de informação, está aprendendo a priorizar. “Não é que ele deixe de consumir determinados itens, mas os mesmos vão perdendo espaço em um primeiro momento para serem adquiridos mais tarde.”

O estudo do Data Popular e da Serasa Experian revela que eles estão dispostos a gastar em beleza, veículos, educação, entretenimento, itens para casa e tecnologia. Os principais produtos e serviços que querem consumir ainda em 2014, conforme os dados, são academia de ginástica, faculdade, curso profissionalizante, móveis para casa, notebook, smartphone, carro e moto.

Sem fragilidade

Plenamente inseridas no mercado de trabalho, as mulheres não dependem mais dos homens para consumir. Essa seria a principal mudança em seu comportamento de consumo, uma vez que o ato de comprar sempre esteve muito mais relacionado a elas.

“A mulher sempre teve um papel de influenciadora. Por mais que não fosse ela quem comprasse ou fosse utilizar o produto, ela influenciava a decisão. Nas últimas décadas ela passou a trabalhar e ganhar seus próprios recursos, tornando-se decisora também”, reconhece o professor e coordenador dos cursos de pós-graduação em marketing da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Richard Vinic.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje as mulheres são responsáveis por, aproximadamente 80% das decisões de compra. E elas representam um mercado de mais de R$ 1 trilhão, segundo conta o presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles.

“A mulher é um shopper privilegiado e deve ser vista como tal”, alerta Meirelles. As pesquisas do Data Popular dão conta, ainda, de que são elas que administram o orçamento doméstico e decidem a maior parte dos gastos e compras da família, com o bônus de 14 milhões de brasileiras terem ingressado no mercado de trabalho nas últimas duas décadas. De 10 anos para cá, a massa da renda das mulheres cresceu 83% contra 45% do avanço entre os homens também conforme os levantamentos do instituto.

Se elas tiveram estas vantagens, como desvantagem aparece a falta de tempo para fazer as compras, tornando ainda mais importante a praticidade encontrada no ponto de venda. “Tudo que viabilizar esse tempo, trouxer mais conveniência, terá uma demanda muito grande, porque ela tem que conciliar as suas diferentes tarefas, seus diferentes papéis na sociedade”, prevê o professor da FAAP.


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