Entenda os novos caminhos para o consumo de mobiliário

Tendências de comportamento e estilo de vida em escala macro se refletem em como habitamos os espaços e no que compramos para a casa. A palavra de ordem é autenticidade, tanto em estética quanto valores.

Publicado em 4 de fevereiro de 2016 | 10:30 |Por: Nicholle Murmel

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Estruturas familiares diversas, consumo com ética e como forma de expressão, preocupação com o meio ambiente e menos espaço disponível nas cidades são fenômenos que ditam novas formas de comprar – inclusive mobiliário e artigos para a casa.

Essas macrotendências balizam estratégias e decisões de produção de vários bens em diversos níveis até chagar ao consumidor. A arquiteta e coordenadora do Núcleo de Design do Centro Europeu em Curitiba, Katalin Stammer, comenta a importância de se perceber o laço estreito entre o momento político e econômico, e como novos produtos são idealizados, fabricados e consumidos. “Grandes revoluções no design aconteceram em momentos de crise. Continua sendo necessário fazer a economia girar,continuam as necessidades. As pessoas precisam morar, comer, e tudo isso envolve design”, aponta. Para que os itens no varejo correspondam aos deslocamentos comportamentais do público, as tendências precisam ser captadas e interpretadas ainda nas linhas de produção.

Nova família e sustentabilidade

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Um dos movimentos que mais aparece em pesquisas de empresas e consultorias é o surgimento de novas configurações no núcleo familiar: casais sem filhos, famílias homoafetivas, pessoas morando sozinhas ou dividindo espaço com “colegas de quarto”, além de animais de estimação que passam a viver dentro de casa. Ao mesmo tempo, os lares estão cada vez menores – consequência da urbanização avançada nas regiões que concentram serviços e recursos.

Essas formas de relacionamento entre sujeitos e dos sujeitos com o espaço físico implicam novas formas de morar, e demandam das empresas produtos cada vez mais versáteis. “Temos nossa linha. Os colchões seguem um padrão – 1,88m, 1,98m, e 2,03m (no comprimento dos colchões), e os estofados também vêm em módulos: 0,80m, 0,90m 1m e 1,10m – sempre pensando no tamanho da casa. Mas vai do consumidor analisar e escolher”, descreve Claudinei dos Anjos, diretor da Anjos Colchões.

Sustentabilidade é uma dessas demandas. Empresas, inclusive do setor moveleiro, vêm buscando soluções competitivas e ao mesmo tempo ecologicamente corretas. A preocupação ambiental, nesse caso, pode estar presente em toda a linha de produção e otimiza o uso de matérias-primas e energia nas etapas de fabricação e transporte. “Sustentabilidade e responsabilidade ambiental são realidades em empresas que querem se manter no mercado”, comenta Daiana Nardi, diretora de marketing da Henn. Entre as ações concretas apontadas por Daiana estão a busca por fornecedores que deem destinação correta aos resíduos de produção, além do controle de qualidade que garante matéria-prima 100% de reflorestamento para os móveis fabricados.

Consumo responsável

Com mais tecnologia e informação disponíveis, o consumidor passa a ser mais ativo e crítico em seu comportamento de compra e na relação com as marcas e produtos. As empresas precisam adequar tanto a cartela de itens quanto seus discursos para os vários públicos e mesmo suas práticas produtivas aos novos valores que as pessoas querem incorporar ou reforçar quando consomem.

Foto: facebook pessoal

A arquiteta e designer de móveis Katalin Stammer

A arquiteta e designer de móveis Katalin Stammer

Esse movimento de um consumo mais “cidadão” se manifesta na demanda por personalização e na compra como posicionamento ético. Itens com algum grau de diferenciação e exclusividade emanam da necessidade antiga de o sujeito se expressar – e a casa é local privilegiado para afirmar a individualidade. “O mundo está crescendo. Somos muitos, e de alguma forma queremos dizer “isso é só meu”. E o design é um recado que você passa”, explica Katalin Stammer.

Procedência de matérias-primas e componentes, condições da mão-de-obra na linha de produção, ações sociais, administração transparente e idônea estão entre as práticas empresariais que se convertem em argumento de venda, e requerem adaptações estruturais por parte dos fabricantes. “Empresas cujos valores são percebidos como positivos pela sociedade tendem a ter uma vida longa. E isso a Kappesberg já percebeu”, afirma diretora de Marketing do Grupo K1, Vívian Rockenbach, detentor da marca Kappesberg. “Ser atuante na sociedade passou a ser um diferencial competitivo, a responsabilidade social tornou-se mais uma qualidade oferecida aos consumidores, que já perceberam que suas escolhas podem contribuir para um mundo melhor”. As iniciativas listadas pela diretora vão desde participação no programa Menor Aprendiz até apoio a equipes esportivas e eventos culturais da região.

Esse tipo de prática empresarial se torna argumento de venda para um consumidor que, segundo Katalin, defende aquilo que compra, pois tem uma identificação muito mais íntima com marcas, produtos e mesmo a intenção do criador ao desenvolver esses produtos. “Gosto muito do termo “design emocional”. Que vem carregado de ações e é único”, argumenta a arquiteta.

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Outra manifestação social e comportamental que se estabelece em escala mais experimental, porém viva é a “economia alternativa”. A novidade não é o conceito em si, mas a ênfase com que propõe outras formas de consumo, especialmente de produtos com ciclo de consumo mais longo, como mobiliário, e também itens caros ou de luxo. A compra convencional dá lugar à troca ou doação, por exemplo. Vívian Rockenbach, aponta que, em termos de mobiliário, essas práticas sempre existiram mas, para ela, nem sempre substituem a aquisição tradicional. “Quando esse consumidor se depara com novidades que trazem ganhos em qualidade e funcionalidade, as demais opções perdem força”, explica. “Entre a economia e o produto novo, sempre garantem um negócio melhor, e o consumidor reconhece e entende isso no momento em que decide comprar”, completa.


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