Consumidor brasileiro ainda gasta mais do que ganha

Segundo pesquisa da Kantar Worldpanel, classes D e E seguem como as mais endividadas do País e o acesso ao crédito pode ser uma explicação

Publicado em 11 de setembro de 2014 | 0:00 |Por: Marina Gallucci

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O acesso ao crédito pode ser a explicação para o alto endividamento do consumidor do País, especialmente das classes que ascendem ao consumo

O acesso ao crédito pode ser a explicação para o alto endividamento do consumidor do País, especialmente das classes que ascendem ao consumo

O consumidor brasileiro vive um cenário de aumento de renda em quase 7%, na comparação de 2013 com 2012, além de conscientização dos gastos. Porém, por outro lado, o endividamento no País ainda é alto, aponta pesquisa realizada pela Kantar Worldpanel.

A renda média do brasileiro em 2012 era de R$ 2.603, já em 2013 registrou um aumento de 6,8%, e ficou em R$ 2.779. Porém, o gasto médio do consumidor em 2013 foi de R$ 2.762, uma alta de 8,7% se comparado com 2012. Dentro deste cenário, as classes sociais mais endividadas são as que formam o grupo DE – com 53% das famílias gastando mais do que ganham.

“O acesso ao crédito pode ser a explicação para o alto endividamento no País. Cerca de 3,7 milhões de domicílios passaram a utilizar essa forma de pagamento na hora de comprar bens de consumo não duráveis. Em 2009, 57% dos brasileiros optavam por esse meio de pagamento, já no ano de 2013, 61% fizeram suas compras com cartão de crédito”, explica a diretora comercial da Kantar Worldpanel, Christine Pereira.

Essa fato pode ser explicado também pela forma que o consumidor dessas classes vem enxergando o consumo, que, em geral, é visto como um “direito adquirido”. “Os bens são a objetificação do sucesso que levou à ascensão econômica”, diz a antropóloga do consumo e professora da ESPM, Hilaine Yaccoub. “É um sentimento muito mais para mostrar para si mesmo que é digno, através do próprio trabalho, consegue ter as coisas na sua casa, do que querer parecer o que não é”, complementa a antropóloga da Consumoteca especialista em Classes Populares, Eliana Vicente.

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As duas especialistas deram entrevista, originalmente, para a Móbile Lojista no Especial sobre a Nova Classe Média. Na visão das duas, essa “sede” por consumo, faz com que em um primeiro momento o consumidor não poupe, sendo que essa maturidade para consumir ainda vai ser conquistada com o tempo.

Gastos com o lar

No levantamento realizado pela Kantar, quando questionados sobre as prioridades dentro do lar, os consumidores declararam que as famílias se preocuparam mais com a habitação: compra e manutenção de imóveis, aluguel e mão de obra foram seus maiores gastos em 2013.

Na sequência, aparecem alimentação dentro do lar, vestuário, alimentação fora do lar e higiene pessoal. No ano de 2012, as prioridades das famílias eram com alimentação dentro do lar, transporte, vestuário, educação e serviços financeiros. Os gastos com esse campo aumentarem cerca de 18,3% de 2012 para 2013.

Com a inflação acelerada dos últimos anos, a alimentação fora do lar foi um dos gastos que mais pesou no bolso do consumidor de todas as regiões do país, com um aumento de 14%. Com isso, cerca de 1,2 milhão de pessoas deixaram de fazer refeições fora de casa. Porém, isso não significa necessariamente economia, alguns alimentos como, salgadinho, doces e pratos congelados também contribuíram para o aumento do gasto médio.


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