Consumidor é desorganizado financeiramente

Apenas 16% fazem o registro diário das despesas e receitas, segundo pesquisa do SPC Brasil

Publicado em 21 de janeiro de 2015 | 15:55 |Por: Marina Gallucci

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Alan Cleaver/Flickr

O percentual do consumidor que é organizado financeiramente é um pouco maior entre os homens (19%), entre as pessoas de 25 a 34 anos (21%), com ensino superior (21%) e pertencentes às classes A e B (23%).

O percentual do consumidor que é organizado financeiramente é um pouco maior entre os homens (19%), entre as pessoas de 25 a 34 anos (21%), com ensino superior (21%) e pertencentes às classes A e B (23%).

A falta de disciplina é o principal empecilho para um planejamento adequado do orçamento pessoal do consumidor brasileiro, segundo uma pesquisa nacional realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pelo portal de educação financeira Meu Bolso Feliz. Foram ouvidos 662 consumidores acima de 18 anos e de todas as classes sociais nas 27 capitais. A margem de erro é de 3,7 pontos percentuais com margem de confiança de 95%.

Segundo o estudo, quatro em cada dez consumidores (37%) não se consideram pessoas organizadas financeiramente e 69% dos entrevistados admitem sentir algum tipo de dificuldade para realizar o controle de suas receitas, despesas e investimentos.

Embora seis em cada dez consumidores (59%) tenham afirmado que realizam algum controle sistemático de seu orçamento pessoal – seja com a ajuda de planilhas (32%), caderno de anotações (23%) ou por meio de aplicativos digitais (4%) – apenas 16% dos entrevistados reconhecem fazer o registro das informações diariamente, prática que garante maior efetividade no planejamento.

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Consumo sem planejamento

Esse comportamento aparece de forma mais significativa entre o consumidor mais escolarizados e entre aqueles pertencentes à Classe A/B, sugerindo que as melhores práticas financeiras são mais comuns dentre o consumidor que teve mais acesso à educação formal e/ou possui maior poder aquisitivo. Por outro lado, embora a maioria garanta realizar o controle do orçamento, observa-se que algumas práticas realmente efetivas – o registro diário de receitas e despesas – são adotadas por apenas 16% dos entrevistados.

Comportamento de risco

A pesquisa também apontou que dois em cada dez (17%) consumidores chegam ao fim do mês sem conseguir pagar as contas em dia. Outros 22% até conseguem honrar com seus compromissos financeiros, mas sem nenhum centavo para poupança ou investimento. Já 61% dos entrevistados conseguem pagar as contas em dia e guardar alguma quantia para gastos futuro.

Quando falta dinheiro no orçamento para fechar as contas do mês, as estratégias mais utilizadas são: usar o limite do cartão de crédito (19%), pedir dinheiro emprestado para amigos ou familiares (17%), utilizar o limite do cheque especial (13%), fazer empréstimos junto a bancos e financeiras (13%) e gastar parte das reservas financeiras que possui (10%).

O levantamento aponta ainda que dentre aqueles que precisam utilizar o cartão de crédito para fechar as contas do mês, 39% o fazem todos os meses.

De modo geral, a pesquisa sugere que a maior parte dos consumidores brasileiros não está à vontade para organizar e gerenciar o próprio dinheiro: sete em cada dez pessoas (69%) admitem sentir dificuldade para realizar o controle de seu orçamento pessoal, sendo que o maior obstáculo (32%) é a disciplina necessária para registrar os ganhos e gastos com regularidade. Outras dificuldades relatadas incluem lembrar-se dos gastos (16%), falta de tempo (8%), preguiça (4%) e não saber como fazer ou por onde começar (4%).

“A pesquisa comprova que a administração eficiente do orçamento pessoal não é muito usual entre os brasileiros. Há uma parcela significativa de entrevistados que não faz um controle sistemático de seus rendimentos e muitos dos que dizem fazer, quando argumentados da forma mais profunda sobre métodos adotados, caem em contradição ou o fazem com uma frequência bastante aquém da adequada”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.


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