Como está a confiança do consumidor global?

As maiores economias do mundo mostraram aumento do índice, Brasil está entre os Países em que o indicador diminuiu

Publicado em 21 de julho de 2015 | 9:00 |Por: Marina Gallucci

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O Relatório da Nielsen Confiança do Consumidor – Preocupações e Intenções de gastos ao redor do Mundo, referente ao 1º trimestre de 2015, publicado na última semana, mostra importantes movimentos referentes aos ânimos do consumidor ao redor do mundo. Entre os destaques desse levantamento, está a, já previsível, queda da confiança do brasileiro. É o segundo trimestre consecutivo de baixa, com menos sete pontos tornando o índice o mais baixo do País desde 2009.

A situação contrasta apenas com outros dois países da América Latina: o Chile e a Argentina, que apresentaram crescimento no mesmo período. Do contrário, a confiança dos consumidores  brasileiros só acompanha a tendência na região, que tem declinado lentamente por cerca de dois anos segundo a Nielsen.

A nível global a confiança do consumidor começou o 1º trimestre de 2015 com 97 pontos – um aumento de um ponto em comparação ao quarto trimestre de 2014 e há um ano atrás. Em relação ao final do ano passado, quando todas as pontuações regionais de confiança caíram, houve um início mais positivo este ano, com o sutil aumento da confiança ou estabilidade em todas as regiões, exceto na América Latina.

Reprodução/Nielsen

* Os resultados da pesquisa na China refletem uma metodologia mista. Os níveis do índice acima e abaixo de 100 pontos indicam o percentual de otimismo/pessimismo

* Os resultados da pesquisa na China refletem uma metodologia mista. Os níveis do índice acima e abaixo de 100 pontos indicam o percentual de otimismo/pessimismo

 

Nos Estados Unidos, a alta na confiança do consumidor foi de apenas um ponto percentual (de 106 para 107 pontos). Situação contrária acontece no Canadá, que sofreu uma queda de seis pontos, atingindo o índice mais baixo desde 2012. O panorama na Europa também não é dos mais otimistas. A região é a que se mostra menos otimista em nível global, com uma pontuação de 77.

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No setor Ásia- Pacífico, nove dos 14 mercados analisados tiveram alta na confiança do consumidor, sendo a Índia o país com o maior nível no primeiro. Este mercado é um dos mais otimistas, demonstrando crescimento por seis trimestres consecutivos. Na África e região do Oriente Médio, o relatório mostra um progresso lento, porém estável do índice.

Brasil
Ainda em território nacional, o sentimento sobre as perspectivas futuras de trabalho também teve uma nova baixa, caindo de 10 pontos percentuais para 27%, já o sentimento acerca das finanças pessoais diminuiu seis pontos percentuais, para 60%, o segundo nível mais baixo em 10 anos. Da mesma forma, o número de brasileiros que acreditavam que estavam em recessão aumentou para 85% de 73% no trimestre anterior e de 55% um ano atrás.

Reprodução/Nielsen

Entre as três principais maneiras de gastar dinheiro por região do mundo, poupar e pagar dívidas aparece entre as prioridades de quem é da América Latina

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No Brasil, os resultados refletem a incerteza em relação à capacidade do País em aumentar as taxas de crescimento em curto prazo, retornar a níveis inflacionários mais moderados e evitar aumentos de desemprego, segundo o cluster leader da Nielsen Brasil, Luis Arjona. “Preocupados com o cenário econômico geral, consumidores brasileiros se tornaram mais conservadores quanto ao rendimento disponível reduzindo gastos fora do lar, e fazendo compras mais planejadas em supermercados. Eles também estão aumentando a parte de despesas com mercearia em lojas de desconto e reduzindo categorias de gastos por impulso”, analisa.

O que preocupa?
Embora a preocupação do consumidor hoje não seja a mesma durante a crise financeira, a economia ainda é a maior dor de cabeça do consumidor na maioria dos países, junto com a estabilidade de emprego. No primeiro semestre, a porcentagem de entrevistados globais preocupados com a economia aumentou de 25% para 26% no quarto trimestre de 2014, enquanto a porcentagem de pessoas preocupadas com estabilidade de emprego permaneceu em 22%. Segundo a vice-presidente sênior da Nielsen, e presidente do The Demand Institute, Louise Keely, “em alguns países, preocupações com estabilidade política também se elevam drasticamente em períodos de crise, como no último trimestre no Brasil.”

relacoes-confianca-consumidor

De acordo com o relatório, percebe-se associações em relação aos indicadores. Preocupações com a economia e estabilidade de emprego têm relação direta entre si – se uma delas aumenta ou diminui, a outra costuma fazer o mesmo, e em épocas de recessão, ambas costumam subir. Por outro lado, geralmente há uma relação inversa entre tensões com a economia/estabilidade de emprego e com o aumento dos preços.

Ainda verifica-se que a diminuição da porcentagem de entrevistados preocupados com a economia e empregos geralmente tem relação com o aumento da porcentagem de pessoas que dão valor à saúde e ao equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

(Com informações do Relatório da Nielsen Confiança do Consumidor – Preocupações e Intenções de gastos ao redor do Mundo)


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