Primeiro semestre de 2014 termina com mais emprego

De acordo com o Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, no primeiro trimestre foram gerados quase 345 mil postos de trabalho formais

Publicado em 9 de junho de 2014 | 17:10 |Por: Renata Bossle

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Maina Malheiros/Revista Brasileiros/Fotos Públicas

Mantega assegura que economia do País vai crescer 2,3% neste ano

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O consumidor vem se mostrando mais cauteloso na hora de comprar, como apontam pesquisas de intenção de compra. Mas há dois fatores que podem animar os lojistas: o nível de empregos e o aumento da renda das famílias. O primeiro semestre desse ano se aproxima do fim gerando mais empregos que em 2013.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, no primeiro trimestre deste ano foram gerados quase 345 mil postos de trabalho formais, uma expansão de 13% em relação ao mesmo período de 2013 (quando o saldo de novos empregos foi de 306,1 mil). No acumulado em 12 meses (abril de 2013 a março de 2014), foram 1,02 milhão de novos empregos, acréscimo de 2,5% sobre o período imediatamente anterior. Para o período janeiro a dezembro de 2014, o Ministério do Trabalho projeta um saldo de 1,4 milhão de postos de trabalhos criados no País.

Inflação

Em que pese a alta inflacionária verificada em março último (de 0,92%, ante 0,69% de fevereiro e 0,47% de março de 2013), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue dentro da meta de inflação definida pelo Banco Central. No acumulado em 12 meses, o índice – medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – soma 6,15%. O teto da meta é de 6,5%. Nos últimos dez anos, o IPCA fechou dentro desse limite. Mesmo no ano passado, quando a alta dos alimentos pressionou o índice nos primeiros meses, o IPCA encerrou em 5,91%.

inflação

No começo de 2014, igualmente o preço dos alimentos em ascensão tem puxado o índice para cima. De acordo com a coordenadora de Índices de Preços do IBGE, Eulina Nunes, trata-se de uma elevação que é consequência de um problema sazonal: as condições do tempo. A seca – que chega a provocar racionamento de água no Estado de São Paulo – atinge em cheio a produção de hortifrutigranjeiros. Isso ocasionou perda de safras, ou seja, diminuiu a oferta de produtos no mercado, levando ao encarecimento, “principalmente de tomate e batata”, exemplifica Eulina.

Também contribuiu para o aumento extraordinário do IPCA em março o aumento das passagens áreas. Como o Carnaval foi naquele mês, lembra a técnica do IBGE, a procura por passagens se concentrou em março. O item tarifas aéreas compõe o grupo “transportes”, o segundo (atrás apenas de “alimentação e bebidas”) que mais pesa no orçamento das famílias brasileiras, observa Eulina Nunes.

Leia mais:
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Crédito

Se a inflação é “fantasma”, fato concreto é o encarecimento do crédito para o consumidor. O mais recente levantamento do Banco Central, divulgado em 29 de abril, mostra que em março a taxa de juros do crédito para as famílias subiu 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro – o terceiro mês seguido de alta. Segundo o Banco Central, a taxa média apurada é de juros de 41,6% ao ano – quase quatro vezes mais que a taxa básica de juros da economia, a Selic (em 11% ao ano). A inadimplência (atrasos superiores a 90 dias), por outro lado, estabilizou-se em 6,5%.

Apesar dos juros maiores, o saldo das operações de crédito do sistema financeiro está em expansão: chegou a R$ 2,759 trilhões em março, com aumento de 1% no mês e 13,7%, em 12 meses, informa o Banco Central. Especificamente no crédito pessoal, todavia, há retração. Segundo o Indicador Serasa Experian de Demanda do Consumidor por Crédito, a quantidade de pessoas que buscou crédito no primeiro trimestre de 2014 diminuiu 3,2% em comparação com o mesmo período de 2013. “A aceleração da inflação durante o primeiro trimestre deste ano, as taxas de juros em elevação e o menor grau de confiança dos consumidores pesaram negativamente sobre a disposição dos brasileiros em buscar mais crédito”, avalia a Serasa Experian.

Da mesma forma que, desde o início do ano, os economistas salientavam que o aquecimento do mercado de trabalho se manteria em 2014 e seria fator de estímulo ao consumo, eles igualmente ressalvavam que o aumento dos juros, encarecendo o crédito, afastaria os consumidores das compras. A taxa básica de juros da economia está sendo reajustada para cima pelo Banco Central desde abril do ano passado.

endividamento

Para o economista Pedro Raffy Vartanian, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo (SP), os reflexos dessa elevação passam a ser percebidos de forma mais intensa neste ano. “O ciclo de alta de juros ainda vai impactar. Os efeitos são defasados e neste começo de ano começaram a ser sentidos”, observa o analista.

Dívidas
Apesar da alta dos juros, o primeiro quadrimestre de 2014 terminou com a estabilização do percentual de famílias com dívidas em atraso e também do índice daquelas que declaram não estar em condições de quitar os débitos, em relação ao mesmo período de 2013. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (Peic), da Confederação Nacional do Comércio. A amostra é de 18 mil consumidores, distribuídos em todas as capitais dos Estados e no Distrito Federal com cerca de 18 mil consumidores (ver box ao lado).

No entanto, outra pesquisa da CNC – o indicador Intenção de Consumo das Famílias (ICF) – revela que o crediário mais caro já impacta na propensão do consumidor ir às compras. O ICF de abril deste ano foi menor do que o verificado no mês anterior (março) e abaixo também em relação a abril de 2013. “A continuidade da alta nos níveis de preços, superior às expectativas; a manutenção de um elevado nível de endividamento e o encarecimento do crédito pós-aumento da taxa básica de juros, a Selic, manteve a intenção de consumo em ritmo de queda”, informa a entidade em nota.

Confira essa reportagem completa na edição 307 da revista Móbile Lojista.


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