Consumidor brasileiro está moderado nas compras

A inflação voltou a ser um assunto em discussão, apesar de ela se manter dentro da meta nos últimos 11 anos, as altas sucessivas da Selic preocupa os consumidores e empresários

Publicado em 27 de maio de 2014 | 9:27 |Por: Renata Bossle

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As altas da taxa básica de juros estão preocupando os consumidores e fazendo com que eles tenham mais cautela na hora de escolher o que comprar.

A evolução da taxa Selic, que há um ano era de 7,25%, hoje está em 11% – com um novo aumento promovido em abril pelo Banco Central. E a instituição ainda faz projeções e estimativas de que essa alta ainda deve perdurar, chegando a 12% no quarto trimestre de 2015. Mais um passo que impacta negativamente no consumo. Para completar, a taxa de câmbio média, atualmente na casa dos R$ 2,35/US$, deve atingir R$ 2,54/US$ no primeiro trimestre de 2016.

Crédito

Apesar desses números, o crédito se mantém na trilha da expansão. Segundo o Banco Central, a relação crédito a pessoas físicas versus PIB passou de 9,3%, em janeiro de 2004, para 26,1%, em janeiro de 2014. O saldo total de crédito à pessoa física alcançou cerca de R$ 1,26 bilhão no primeiro mês desse ano, o que representou um crescimento nominal de 16,2% em relação ao mesmo mês de 2013.

SerasaCom o aumento do acesso, nos últimos anos houve a “farra do crédito”, na qual os recursos em abundância acabaram incentivando o aumento da inadimplência do consumidor. Mas o governo segurou a “locomotiva desenfreada”, implementando algumas regras para conceder novas linhas, o que ajudou a recuar esses números. De acordo com dados do BC, a inadimplência do crédito às famílias reduziu de 6%, em maio de 2012, para 4,4%, em janeiro de 2014. “Os indicadores de inadimplência têm mostrado recuos na margem e se posicionam em patamares compatíveis com a fase do ciclo, haja vista a gradual recuperação do ritmo de atividade econômica”, ressalta o BC no Relatório de Inflação – Março 2014.

 

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Compras

Essa postura de apreensão para o consumo foi traduzida no Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado no mês passado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo o levantamento, a expectativa de aumento da inflação e do desemprego são duas das razões que mantiveram o consumidor pessimista durante o mês de março. O Inec atingiu 108,8 pontos, valor idêntico ao de fevereiro.

Marcelo Azevedo, economista da CNI, explica que o cenário de consumo deste ano está mais nebuloso do que em março de 2013, quando a entidade realizou uma nova edição da pesquisa. “O consumidor estava um pouco mais otimista no ano passado. Hoje há uma preocupação muito maior em relação à expectativa de renda e situação financeira.” Para o especialista, esse pessimismo também é resultado da visão do consumidor sobre o desempenho da economia brasileira. “Ele está preocupado com a sequência de números econômicos que estão sendo divulgados. O Inec mostrou que há um forte receio sobre uma possível elevação da taxa de desemprego. O percentual de pessoas que acredita nisso é significativo.”

De acordo com a metodologia do Inec, quanto menores os índices de expectativa da inflação e desemprego, maior é o percentual de respostas pessimistas, ou seja, maior é a expectativa de aumento das taxas inflacionárias e da perda de emprego. O levantamento de março identificou que houve queda nos dois índices. O de inflação caiu pelo quarto mês consecutivo, registrando 95,9 pontos em março de 2014, acumulando um recuo de 12% no período. Já quando o assunto foi desemprego – com 113,7 pontos – totalizou queda de 14% nos dois últimos meses.

O índice sobre a situação financeira do consumidor – 107,7 pontos – também caiu pelo segundo mês consecutivo, registrando acúmulo de 5%. A pesquisa da CNI mostrou ainda que os consumidores avaliam de forma negativa inclusive as expectativas sobre a renda pessoal e a percepção do endividamento em relação aos últimos três meses.

José Paulo Lacerda

Marcelo Azevedo, economista da CNI: consumidor está preocupado com o aumento do desemprego e elevação da inflação

Marcelo Azevedo, economista da CNI: consumidor está preocupado com o aumento do desemprego e elevação da inflação

Empregos
Mas os números efetivos sobre a taxa de desemprego apontam uma curva descendente e um temor do consumidor que talvez não se concretize na prática. O Banco Central informou que a taxa de desemprego sem ajuste sazonal foi de 4,8% em janeiro, o que representa a redução de seis pontos percentuais em relação ao valor observado em janeiro de 2013. A série dessazonalizada do banco identificou que a taxa atingiu o mínimo (4,9%) do acompanhamento iniciado em 2002.
O emprego formal continua em expansão, ainda que de forma moderada. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram gerados 731 mil postos de trabalho entre fevereiro do ano passado e janeiro de 2014.

Confira essa reportagem completa na edição 306 da revista Móbile Lojista.


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