Aumento da inflação deixa consumidor pessimista

O receio do que acontecerá nos próximos meses pode frear o consumo

Publicado em 29 de maio de 2014 | 11:44 |Por: Julia Zillig Rodrigues

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De acordo com o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado recentemente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a expectativa de aumento da inflação e do desemprego mantiveram o consumidor pessimista durante o mês de março; O Inec atingiu 108,8 pontos, valor idêntico ao de fevereiro.

Marcelo Azevedo, economista da CNI, explica que o cenário de consumo deste ano está mais nebuloso do que em março de 2013, quando a entidade realizou uma edição da pesquisa. “O consumidor estava um pouco mais otimista no ano passado. Hoje há uma preocupação muito maior em relação à expectativa de renda e situação financeira”, afirma. Para o especialista, esse pessimismo também é resultado da visão do consumidor sobre o desempenho da economia brasileira. “Ele está preocupado com a sequência de números econômicos que estão sendo divulgados. O Inec mostrou que há um forte receio sobre uma possível elevação da taxa de desemprego. O percentual de pessoas que acredita nisso é significativo”, explica.

Valor agregado

Apesar da falta de otimismo para o consumo, o levantamento da CNI mostrou um paradoxo curioso. Cresceu a quantidade de consumidores que pretendem gastar mais nas compras de maior valor na comparação com o que foi gasto nos últimos seis meses – o índice atingiu um aumento de 5,6 % nessa edição da pesquisa. Marcelo Azevedo, da CNI, enfatiza que o consumidor mostra sua vontade de consumir itens mais caros, porém não sabe se isso vai tomar força de fato pelo próprio pessimismo sobre o que vai acontecer no País nos próximos meses. “Não sei se essa intenção de compra desses bens vai se concretizar.”

Para o economista da CNI, a influência da Copa do Mundo é notória nesse tipo de comportamento do consumidor. “Ele pretende renovar seus eletroeletrônicos, incluindo as TVs, por conta do evento. Mas volto a afirmar que não sei se isso vai acontecer. Temos que acompanhar o desempenho do Inec nos próximos meses.”

IBGE

Aumento da inflação deixa consumidor pessimista

Taxa crescimento da indústria

No grupo de avaliação de bens de maior valor da CNI, os móveis também fazem parte. Mas Marcelo acredita que essa alta seja em grande parte impulsionada pelo aumento da compra de eletrodomésticos. “Não aposto que esses 5% sejam ligados ao aumento do consumo de móveis pelo próprio momento em que o Brasil está vivendo, com as expectativas para a realização da Copa.”

 

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Varejo

A apreensão do consumidor não tem impactado na velocidade de crescimento do varejo no Brasil. O setor mostrou forte ritmo de crescimento logo no início de 2014. O Índice Antecedente de Vendas do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IAV-IDV) de fevereiro registrou um crescimento de 7,5% em comparação do mesmo mês do ano anterior. O instituto salientou ainda que vem vindo mais crescimento para os próximos meses. Espera-se que esse índice atinja 10,3% em abril e 10,5% em maio, seguindo a mesma comparação.

Flavio Rocha, presidente do IDV, ressaltou em material divulgado sobre os números do varejo, a sua preocupação com a questão do consumo. “Emprego, renda e crédito, embora com tendência de taxas de crescimento mais baixas, ainda não indicam um obstáculo pra um crescimento superior ao obtido em 2013. Porém, a confiança dos consumidores caminha há mais de 12 meses com indicadores em declínio, que, aliados a um cenário macroeconômico nacional, nos exige um alerta quanto à continuidade desse bom desempenho do início de 2014 para o setor varejista.”

Móveis

O consumidor no geral pretende consumir com mais cautela, mas a indústria moveleira vislumbra expansão das vendas para os próximos meses. O estudo “Mercado Potencial de Móveis em Geral 2014” produzido pelo núcleo de inteligência de mercado do Instituto de Estudos e Marketing Industrial (Iemi), aponta que neste ano a produção de móveis deve obter um crescimento de 3,5% em volume de peças, enquanto que as importações (vindas da China – mais de 50% –, Estados Unidos e Itália) devem crescer 14,5% e as exportações (Estados Unidos, Reino Unido e Peru) fecham o ano na casa dos 8%.

Com uma taxa cambial de R$ 2,44 por dólar, em valores a produção atingiria US$ 14,5 bilhões, US$ 337 milhões em compra de produtos de outros países e US$ 503 milhões em produtos enviados para o mercado externo. Isso indica a continuidade do movimento de queda nas exportações, que registrou redução de 10,4% em valores entre 2009 (quando começou a crise econômica mundial) e 2013, com uma média de recuo de 2,7% ao ano. E as importações aumentaram 2,7 vezes no mesmo período, o que representou um crescimento de 28,6% ao ano.

Marcelo Prado, diretor do Iemi, traduziu esses números em estimativas de crescimento. “Com esses resultados, o consumo aparente cresceria 3,6% em volumes de peças e 5,8% em valores em reais. Já as importações atingiriam 2,9% do consumo em volumes de peças e 2,4% em valores. Por fim, as exportações aumentariam para 3,4% da produção em volumes de peças e permaneceriam em 3,5% em valores estimados para 2014.”

Iemi/Março/2014

Aumento da inflação deixa consumidor pessimista

(1) Resultados preliminares para a produção e consumo aparente de 2013;
(2) Comércio externo não inclui assentos para aeronaves, veículos e partes para assentos e móveis;
(3) Consumo aparente = produção + importação – exportação
(4) Participação dos importados = importação sobre o consumo aparente
(5) Participação dos exportados = exportação sobre a produção

Com a continuidade das alíquotas reduzidas do Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) para a linha de móveis, o IDV também acredita na elevação das vendas. A continuidade do programa Minha Casa Melhor, do governo federal, é mais um apelo para o incentivo de compra de mobiliário. Segundo o instituto, as expectativas de altas continuam para os próximos meses: 8,1% em abril e 7,2% em maio, comparando com os respectivos períodos do ano passado.

Marcelo Azevedo, da CNI, diz que o mercado de móveis deve esperar bons números, porém com moderação pela própria desaceleração do setor da construção civil nos últimos meses. “O programa Minha Casa Melhor pode ter gerado uma nova demanda, mas como a indústria da construção civil desacelerou, é possível que esse movimento tenha impacto direto nos resultados da indústria de móveis.”

Confira essa reportagem completa na edição 306 da revista Móbile Lojista.


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