Estudo do Serasa Experian identifica dificuldades do MEI brasileiro

Dados do estudo, feito com 450 gestores, também apontam que os microempreendedores individuais são a natureza jurídica que mais cresce no país

Publicado em 14 de Abril de 2017 | 11:41 |Por: Paulinne Giffhorn

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Para identificar o padrão de comportamento dos Microempreendedores Individuais (MEIs) brasileiros, o Serasa Experian realizou um estudo que traz um retrato demográfico dos praticantes da atividade, com 450 trabalhadores dos segmentos de comércio e serviços.

Os resultados apontaram que esses gestores buscam, principalmente, independência financeira, crescimento profissional, satisfação pessoal, menor carga horária de trabalho e proximidade da família. “Além disso, a necessidade de sobrevivência, diante das altas taxas de desemprego, levou muitos brasileiros a terem seu próprio negócio”, diz o vice-presidente de Pessoa Jurídica da Serasa Experian, Victor Loyola.

A facilidade no processo de abertura de uma empresa como MEI e a baixa carga tributária também foram apontados como estímulo para a escolha.

Expansão
Os MEIs são a natureza jurídica que mais cresce no país. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Nascimento de Empresas, em sete anos, passaram de menos da metade dos novos empreendimentos (48,9% do total, em 2010) para 78,4% no último levantamento, em 2016.

Pixabay

Serasa Experian

91% dos microempreendedores não conseguem linha de crédito, dificultando o início das atividades

O número de novos Microempreendedores Individuais nascidos em 2016 foi de 1.548.950 contra 1.491.485 em 2015, alta de 3,9%. O indicador aponta que 51% dos microempreendedores individuais estão no Sudeste, 20% no Nordeste, 15% no Sul, 9% no Centro-Oeste e 5% no Norte do país.

Em termos estaduais, a distribuição dos MEIs é 25,5% estão em São Paulo, 12,2% no Rio de Janeiro, 11% em Minas Gerais, 6,2% na Bahia e 5,8% no Rio Grande do Sul.

Dificuldades
O estudo identificou que os MEIs têm dificuldade de acesso a financiamentos: 91% não conseguem linhas de crédito. Para contornar, acabam recorrendo ao crédito pessoal ou ainda pedem empréstimos a familiares e amigos.

A falta de tempo também foi referida pelos entrevistados como um percalço. “Tempo é considerado artigo de luxo para os empreendedores dessa área”, diz Loyola. “Entre operacionalizar o negócio, cuidar da parte financeira e fazer a divulgação, as duas últimas tarefas acabam sendo deixadas em segundo plano”, acrescenta.

As entrevistas captaram uma grande dificuldade de conciliar vida pessoal e empreendedorismo. Grande parte dos MEIs acaba não conseguindo separar canais como Facebook, Whatsapp e conta corrente. Utilizando os meios pessoais para lidar com pedidos profissionais.

Outra dificuldade verificada na pesquisa é sobre os fornecedores, cuja busca e manutenção ainda é pouco estruturada. Boa parte dos entrevistados relata usar ferramentas de busca da internet para encontrar esses parceiros. Nenhum dos entrevistados possui cadastro organizado de fornecedores. “E a ideia de que é muito difícil encontrar bons fornecedores é quase unanimidade.”

Divulgação
O uso de soluções mais avançadas de divulgação é reduzido entre os MEIs. A pesquisa revelou que poucos usuários investem em site próprio, e-mail marketing ou campanhas digitais direcionadas, apesar de muitos mencionarem interesse nessas ferramentas.

– 1,3% de empresas criadas em 2016 apresentaram crescimento

A propaganda boca a boca continua sendo eficaz para este público, que também aposta em panfletagem para uma exposição inicial. As redes sociais são utilizadas em larga escala para manter contato com os clientes.

Metodologia

Para a realização do estudo sobre o microempreendedor individual, cujo objetivo era entender as principais motivações e dificuldades dos MEIs, assim como investigar produtos e ferramentas que ajudam em suas gestões, a Serasa Experian ouviu mais de 450 empresários da categoria MEI, com entrevistas qualitativas e quantitativas, de 19 a 57 anos, com atividades enquadradas predominantemente em comércio e serviços.


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