Brasileiro produz guitarra com madeira certificada pelo FSC

Instrumento musical feito com madeira certificada pelo FSC, incentiva indústrias de instrumentos pela busca de se tornarem mais sustentáveis

Publicado em 8 de fevereiro de 2019 | 11:18 |Por: Larissa Bartoski de Sena

Em diferentes lugares do mundo, a indústria de instrumentos musicais busca se tornar cada vez mais ‘verde’. Profissionais e empresas reciclam, reaproveitam e até mudam a matéria-prima usada para fabricar guitarras. No Brasil, isso também é realidade. O luthier (guitarreiro), e músico acreano Lucas Mortari Montysuma, viu a oportunidade de unir a paixão, a habilidade e o recurso natural disponível para criar um negócio local sustentável: a Bravos, uma guitarra de madeira certificada pelo FSC.

O instrumento artesanal demora, em média, duas semanas passa ser construído, pois tudo é feito a mão e não há linha de produção. O nome Bravos é uma homenagem às tribos indígenas que vivem isoladas no Acre (AC).

No estado do Acre, predomina a Floresta Amazônica, e políticas públicas de conservação e exploração sustentável da floresta tem melhorado a qualidade de vida das comunidades tradicionais e fomentado o crescimento de uma nova economia. Foi neste cenário que o luthier encontrou espaço. Lucas não compra madeira como matéria-prima para construir a guitarra, o musicista utiliza os resíduos que seriam descartados pela Agrocortex, empresa certificada pelo FSC.

“Por mais que pareça uma ideia rústica para alguns, a guitarra, depois de pronta, nos surpreendeu pela sonoridade e beleza. O nosso produto final tem qualidade e singularidade”, enfatiza Lucas. Além de ajudar a proteger a Amazônia, a iniciativa oferece uma opção sustentável para os músicos. Os preços das guitarras começam em R$ 3.500,00, dependendo das peças e do acabamento utilizado.

Divulgação

Artista Lucas Luthier com Guitarra Bravos feita com madeira certifica pelo FSC

Artista Lucas Luthier

O artista também explica que o objetivo de produzir guitarras com madeira certificada pelo FSC, é mostrar que é possível mudar os padrões da indústria de instrumentos. Por isso, o profissional buscou, além de utilizar a madeira certificada, também certificar o próprio produto, a guitarra.

“Quando descobri o FSC, percebi que o selo poderia agregar valor aos meus produtos, tanto no mercado nacional quanto internacional”, conta o luthier, que acabou de receber o selo.

A certificadora responsável foi o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e a Soluções em Certificação Florestal (SR4), foi a consultoria que ajudou na adequação do processo de fabricação. “Apoiamos toda a cadeia da madeira, de forma que iniciativas como essa possam agregar valor ao manejo florestal comunitário e consequentemente, à floresta comunitária em pé”, comenta o idealizador da SR4, André Silveira Rosa.

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Para a  diretora geral do FSC Brasil, Aline Tristão, esse tipo de trabalho, que utiliza matéria-prima de baixo impacto ambiental, precisa ser estimulada. “A guitarra Bravos valoriza a madeira nativa e mostra que o manejo florestal responsável contribui para o desenvolvimento da região”, explica.

Especialista em certificação do FSC, Rafael Brevegliero, que fez a auditoria na empresa de Lucas, conta que o Imaflora usou recursos do seu Fundo Social (mecanismo criado para diminuir a distância dos pequenos ao sistema de certificação) e bancou o custo da primeira avaliação do empreendimento.

“Topamos o desafio. Não importa a escala da empresa, valorizar o produto do manejo florestal é contribuir para conservar a cobertura vegetal, para o uso racional dos recursos naturais, entre outros quesitos verificados nas auditorias. O fato da Agrocortex também ter o selo FSC evidencia para o consumidor a responsabilidade com a floresta desde o início da cadeia”, afirma Brevegliero.

Em 2018, o músico participou da Feira de Música NAMM em São Paulo e mostrou a guitarra Bravos construída com madeira certificada pelo FSC para o mercado. Durante a feira, o músico recebeu o convite para expor na edição da feira em Orlando. Segundo Lucas, há muito espaço para crescer no mercado de instrumentos de madeira e a certificação do FSC dá vantagem para o produto brasileiro. “Queremos crescer e exportar as nossas gritarras”, diz.

(com informações de assessoria)


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