Indicador de Reserva Financeira: 80% dos brasileiros não conseguem poupar

Principais motivos para a diminuição da poupança são os altos gastos de início de ano e a redução de renda das famílias

Publicado em 20 de março de 2017 | 15:16 |Por: Érica da Costa Diniz

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O Indicador de Reserva Financeira, calculado pelo Serviço de Proteção ao crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 80% dos brasileiros não conseguiram poupar em janeiro, comparados aos 17% que conseguiram no mês anterior a pesquisa. O aumento no número de não poupadores ocorreu devido aos gastos de início de ano, e com a crise econômica enfrentada pelo país, que reduziu a renda das famílias.

Marcos Santos USP Imagens

Poupar

Redução de renda e gastos de início de ano são as principais razões

Nas classes A e B, a proporção de poupadores foi maior do que nas classes C, D e E. Nas classes de renda mais alta 34% guardaram algum valor em janeiro, nas de baixa renda 12%, pouco mais de um a cada dez dos entrevistados dessa classe de renda específica.

Entre os que conseguiram poupar em janeiro, a quantia média foi de R$ 446,49, um pouco abaixo da quantia média observada em dezembro (R$ 480,85). “Além da questão conjuntural da economia, o início de ano concentra o pagamento de alguns tributos e a chegada da fatura dos gastos de final de ano, apertando o orçamento famílias e reduzindo a margem para poupança”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

“A constituição de uma reserva financeira é garantia contra imprevistos, além de um meio para a realização de planos de consumo. O consumidor que, nesses casos, não pode se valer de recursos próprios, tem de recorrer a entidades financeiras, arcando com juros geralmente bastante elevados”, avalia.

Motivação
O levantamento mostra que a maior parte dos poupadores busca se prevenir de imprevistos como doença, morte e problemas diversos (35%) ou mesmo para o caso de desemprego (27%). 27% reservam dinheiro para poupar pensando em garantir um futuro melhor para a família, 26% planos de viajar, e 23% para a realização de sonhos de consumo.

Em tempos de discussão sobre a reforma da previdência, somente 16% mencionam a aposentadoria como motivo para poupar. “É um percentual bastante baixo, já que estamos considerando apenas a realidade dos poupadores”, alerta Marcela. “A longo prazo, a falta de preparo cobra seu preço. Sem constituir uma reserva ao longo da vida, muitos idosos são obrigados a rever seu padrão de consumo ou acabam na dependência de terceiros”, comenta.

Indicador de Consumo: 58% pretende diminuir os gastos

De acordo com os dados, mesmo entre os poupadores habituais, 48% precisaram utilizar sua reserva financeira em janeiro. Os principais motivos foram o pagamento de contas da casa (16%), despesas extras (16%) e dívidas (10%).

Metodologia
O indicador calcula a poupança do brasileiro baseada no dinheiro guardado no mês anterior a pesquisa. A pesquisa abrangeu 12 capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais. A amostra, de 800 casos, foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais. Baixe a análise do Indicador de Reserva Financeira

(com informações de assessoria)


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