Como aumentar a produtividade na marcenaria

Projeto detalhado com planos de corte e furação, além da configuração adequada das máquinas, são essenciais para aumentar produtividade da empresa

Publicado em 28 de março de 2018 | 8:00 |Por: Luis Antônio Hangai

Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

As indústrias de modo geral, inclusive as do setor moveleiro, trabalham com dois conceitos integrados que as auxiliam a planejar a produção e ao mesmo tempo fabricar mais peças em menos tempo. Uma delas é a noção de setup de máquinas, outra a de Planejamento e Controle de Produção (PCP). Embora as duas técnicas sejam comuns ao universo dos móveis seriados, elas também podem ser aplicadas para aumentar a produtividade na marcenaria.

Leia mais matérias exclusivas sobre marcenaria

O PCP consiste em um processo de gerenciamento das atividades de produção. Trata-se do levantamento dos recursos operacionais de uma empresa com o propósito de planejar seu estoque e utilização, bem com a quantidade de tempo necessário para produzir um móvel. Fazer um trabalho de PCP é traçar previsão de demandas e vendas, planejar a capacidade fabril e controlar o fluxo de trabalho de modo que não haja interrupções por falta de recursos: tarefas que consequentemente reduzem o desperdício de tempo e energia.

Marcenarias mais modernizadas já usam softwares para fazerem planos de corte e de furação e assim podem configurar suas máquinas para executar trabalhos automatizados

Já o setup de máquinas voltado para produtividade na marcenaria está diretamente relacionado a quantidade de peças, que normalmente é apenas uma, dado a própria natureza da fabricação sob medida. Nesse caso específico, é o tempo transcorrido entre a última peça até a próxima, ou seja, o intervalo entre a geração de um móvel a outro, considerando no cálculo o tempo utilizado na preparação das máquinas, que são sempre reconfiguradas a cada nova operação. Na marcenaria há poucas ou nenhuma repetição e, desta forma, uma peça unitária carrega todo o tempo de setup nas máquinas, de modo diverso ao que acontece na produção seriada.

Segundo Renato Bernardi, especialista do Instituto Senai de Tecnologia em Madeira e Mobiliário, a relação entre setup de máquinas e PCP está associada ao grau de modernização das marcenarias. “Existem marcenarias tradicionais, com produção artesanal e poucas pessoas trabalhando. Nesse cenário a produção de um móvel, mesmo que previamente planejado, consome mais tempo porque, por exemplo, elas não fazem um plano de furação prévio e não possuem máquinas para tanto. Outras marcenarias mais modernizadas já usam softwares para fazerem planos de corte e de furação e assim podem configurar suas máquinas para executar trabalhos automatizados”, aponta o especialista.

Shutterstock

produtividade na marcenaria

Fazer um plano de furação é uma das principais tarefas para agilizar a produtividade dentro da marcenaria

Produtividade na marcenaria com setup de máquinas e PCP

O setup e o PCP aumentam a produtividade na marcenaria porque elas permitem uma separação clara entre o planejamento e a execução. Em um primeiro momento são realizados o levantamento dos recursos necessários para o móvel, o projeto desenhado a mão ou em software, os planos de corte, de colagem e de furação. Na segunda etapa, a execução apenas segue o que foi projetado previamente, desobrigando o operador de repensar o móvel ou resolver problemas que interrompem o processo de produção, tais como falta de recursos e má configuração do maquinário.

Aplicativo para marcenaria da Duratex lança função “Plano de Corte”

Como então aumentar a produtividade na marcenaria após a empresa receber a demanda de um arquiteto ou elaborá-la diretamente com o seu cliente final? Para Bernardi, a primeira tarefa é fazer um projeto completo (preferencialmente em softwares de desenho do tipo CAD) que contenha uma lista de todas as peças necessárias para aquele móvel, bem como o comprimento, a largura e a espessura de todas essas peças.

Entre as empresas que trabalham com planos de furação e outra que não trabalham, há um oceano de diferença

“A primeira máquina (de corte) deve receber um plano de corte, um desenho, onde cada peça vai estar localizada naquela chapa. Muitas vezes o marceneiro não recebe esse desenho e faz as medidas na hora, executando cortes de maneira intuitiva, o que aumenta e muito o tempo de setup das máquinas e reduz a produtividade”, explica.

O segundo aspecto fundamental para o setup de máquinas na marcenaria é o da furação. Caso a empresa possua uma furadeira, ela pode configurar essas máquinas para respeitar um plano prévio e estabelecer exatamente o local de cada furo. “Entre as empresas que trabalham com planos de furação e outra que não trabalham, há um oceano de diferença”, diz.

O especialista aponta que a relação entre setup de máquinas e PCP nas marcenarias resume-se ao prévio planejamento detalhado do projeto, levando em consideração todos os seus aspectos (recursos, tempo de produção, medidas, planos de corte, localização dos furos). Somente depois que tudo isso estiver acertado, o marceneiro faz a configuração das máquinas, reduzindo assim as chances de algo errado acontecer e a produção ser interrompida.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

eMobile