Mobiliário geek como aposta no setor moveleiro

Público específico movimenta mercado bilionário e incentiva o surgimento de eventos e produtos segmentados para atendê-los

Publicado em 23 de novembro de 2018 | 8:00 |Por: Ricardo Heidegger

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Há muito tempo, em uma galáxia muito distante, ser “nerd” era motivo de vergonha. Hoje, geek, nerd, gamer ou, simplesmente, fã de cultura pop, são as nomenclaturas de um grupo de pessoas que têm algo em comum, a paixão pelo universo dos super-heróis em filmes, séries, quadrinhos, videogames e livros. E este sentimento é muito respeitado, diga-se, muito porque impulsiona uma indústria de produtos personalizados que visam atender os gostos cada vez mais particulares dos consumidores, o chamado mobiliário geek.

Um exemplo de quem vislumbra esse mercado é o e-commerce Westwing, que comercializa artigos para casa e aposta em móveis e peças de decoração inspirados no universo geek. “Observamos uma boa aceitação de produtos destinados aos aficionados por games, por filmes vintage, cult e pop, principalmente pela estética mid-century traduzidas em peças de mobiliário e acessórios de decoração”, explica a diretora criativa do Westwing Brasil, Alexandra Tobler.

Divulgação Westwing

Mobiliário geek

Exemplo de cadeira geek, da Westwing

Segmentar o mix de produtos para atender o público geek se mostrou uma boa estratégia em vários ramos. Em 2015, a varejista de roupas e acessórios Riachuelo, aproveitou a estreia do novo filme da série Star Wars e lançou uma coleção de itens licenciados. Em uma semana foram vendidas mais de 70 mil peças, volume esperado para todo o mês.

Outro exemplo é a Livraria Cultura que inaugurou em 2012 uma loja online só para atender o público geek batizada de geek.etc.br. Nela são comercializadas réplicas de personagens, cartas, jogos de tabuleiro e artigos de decoração. O projeto nasceu no Conjunto Nacional, em São Paulo (SP), e devido à forte demanda ganhou mais uma filial na capital paulista e uma em Recife (PE), além de espaços dentro de várias unidades da rede.

Visão de mercado para o mobiliário geek

Os cases citados exemplificam um nicho de atuação que está movimentando o mercado. Para os marceneiros que têm interesse em inovar e variar a produção sob medida, essa pode ser uma possibilidade. Inclusive pela razão de que o mercado de entretenimento deve continuar em alta nos próximos anos.

Pelo menos é o que mostra o levantamento Global Entertainment and Media Outlook 2016-2020, realizado pela consultoria PwC. Segundo a pesquisa, o setor de entretenimento e mídia crescerá no Brasil mais do que a média mundial, com uma taxa de 6,4% ao ano em 2020 e deve atingir um faturamento de R$ 169 bilhões.

Outro exemplo, de como o público geek brasileiro está conquistando espaço, é a feira Comic Con Experience – a ForMóbile dos nerds. Evento que acontece em vários países desde 1970, mas só teve sua primeira versão brasileira em 2014, tem média de público de 92 mil pessoas, número que subiu para 142 mil em 2015 e deve chegar a 180 mil na edição deste ano.

Divulgação Westwing

Mobiliário geek

Puff geek, da Westwing

Publicitários e criadores do canal do YouTube “Empoeirados”, com quase 40 mil inscritos, Luciano Padreca e Leandro Causo produzem vídeos com técnicas e dicas de marcenaria em estilo Do it Yourself e têm uma visão otimista da possibilidade dos marceneiros investirem em móveis sob medida para esse nicho de mercado.

Todavia, citam a falta de maquinário como um empecilho. “Esse tipo de projeto requer máquinas específicas com controle numérico computadorizado (CNC) devido à necessidade de usinagem. Pessoalmente, não conhecemos nenhuma marcenaria que faça esse trabalho. Geralmente quem acaba fazendo projetos desse tipo são empresas de comunicação visual, mas, quem fizer terá a vantagem de não ter concorrência”, comentam os youtubers.

Perfil do consumidor geek

Conhecer o público-alvo é fundamental antes de desenvolver novos produtos de mobiliário geek. O fã de cultura pop brasileiro, segundo a 3ª edição da sondagem realizada pelo Grupo Omelete, tem em média, 25,5 anos de idade, é homem, mora no Sudeste, tem ensino superior completo e renda familiar entre três e seis salários mínimos. Além do perfil, definir quais elementos estão em alta também é importante. “A estratégia da Westwing é sempre focar na iconicidade do elemento geek usado. Quanto mais mítico e forte na nossa cultura, mais desejável ele fica para os nossos clientes”, comenta Alexandra.

Para a criação de mobiliário geek, a designer e consultora Silvia Grilli alerta que se a marcenaria for investir em algum produto específico para o público específico, ela precisa estar ciente que é um grupo muito restrito de pessoas. “São aqueles consumidores que valorizam essa estética, porque o modismo já passou. O ambiente é mais perene, então talvez ele não queira investir”, opina.

– Primeiros passos para construir um bom relacionamento com o cliente da marcenaria

Contudo, no mundo atual em que inovar é sempre preciso, se o marceneiro tiver espírito empreendedor, Leandro Causo dá a dica de usar o efeito viral das redes sociais, como Facebook, YouTube, Instagram e Pinterest, para testar o potencial de um protótipo de mobiliário geek. E exemplifica citando a célebre frase do fundador da Apple, Steve Jobs: “As pessoas não sabem o que querem até mostrarmos para elas”.

Reportagem originalmente publicada na edição 100 da Móbile Sob Medida


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