Fimma Marceneiro fala sobre design, inovação e tendências

Além destes assuntos, primeira palestra do dia aborda setup de máquinas e sua relação com o PCP

Publicado em 29 de março de 2017 | 10:19 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

A 13ª edição da Feira Internacional de Máquinas, Matérias-Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira (Fimma Brasil) conta com vários eventos paralelos. E no primeiro deles, o Fimma Marceneiro teve na manhã do segundo dia de evento quatro palestras com intuito de levar maior conhecimento da produção para o marceneiro. Além de abordar assuntos relevantes como inovação, design e tendências.

Máquinas
O especialista do Instituto Senai de Tecnologia em Madeira e Mobiliário, Renato Bernardi, na primeira palestra do Fimma Marceneiro, abordou o “Setup de máquinas e sua relação com o PCP”. Segundo ele, o tema está integrado à produção, manutenção, suprimentos, logística e ERP. “O tempo de setup é o tempo desde a saída da última peça boa do setup anterior até a primeira peça boa do próximo setup”, iniciou Bernardi.

Thiago Rodrigo/Revista Móbile

Fimma Marceneiro

“Deve-se mudar a forma de trabalhar e isso o cara do PCP tem que enxergar”, destacou Bernardi

Sendo setup o tempo gasto para regular o equipamento, é preciso trabalhar para reduzi-lo. “A produção atrasada é desperdício de tempo e dinheiro”, frisou o especialista. Bernardi pontuou redução em várias áreas, como tempo de entrega do móvel, estoque, inventário e da taxa de rejeição do produto.

Bernardi usou um exemplo para fazer um gaveteiro simples e o tempo gasto para fazer cada peça no móvel. “Para fazer o móvel, são necessários 552 segundos de uso na seccionadora, mas um tempo muito maior para regular a máquina, fazendo apenas 18 peças. Por outro lado, usando um lote de 100 peças, consigo fazer 92 peças”, disse, sendo possível com a diminuição do tempo de setup.

Fimma Brasil 2017 é aberta por autoridades

O OEE, que aponta a eficiência global do equipamento, também foi pautado pelo especialista. “Quem não mede não sabe o que tem”, ressaltou. “Quantos de vocês sabem qual é a efetividade dos equipamentos das empresas de vocês? Não precisam responder porque eu já sei a resposta”, indagou. O PCP, de acordo com Bernardi, determina o que deve fazer, quando, quem e como fazer. “É uma função muito importante na empresa”, frisou.

Design estratégico
Assunto recorrente nas páginas da Revista Móbile Sob Medida, Marcos Batista levou aos marceneiros presentes no Fimma Marceneiro como o comportamento das pessoas mudou, apontando que não se está em uma era de mudanças, mas em uma mudança de era. As organizações estão com um modelo exponencial para uma nova economia. “Experiência, transparência e propósito social”, destacou Batista, que citou algumas empresas com crescimento exponencial.

“Será que estamos preparados para essa mudança de era?”, questionou o designer. Um novo contexto exige um novo mindset, um novo comportamento. “O acesso hoje é melhor do que a posse, porque a nova geração prefere usufruir do que ter, preferem viajar do que ter carro. Essa mudança de estilo está sendo favorecida com a tecnologia. A tecnologia dá uma mudança de acesso que é a reputação”, apontou Batista.

Thiago Rodrigo/Revista Móbile

Fimma Marceneiro

“As pessoas querem valor”, ressaltou Batista

Batista criou um quadro no qual o linear e possível dá lugar ao exponencial e desejável. “As empresas que quebram não entenderam que tem que trabalhar com um processo de networking e autonomia”, disse. Valores emocionais, experiência, simplicidade fazem parte do propósito.

“Por que temos que trabalhar diferente? Porque estamos vivendo um momento de explosão. Em 1900 demorávamos 100 anos para dobrar o nosso conhecimento. Em 1945, eram 45 anos. Em 2014, a gente dobrava o nosso conhecimento em 13 meses. As palestras que eu dava em 2013 não tem nada a ver com o que eu dou hoje. Em 2020 vamos dobrar de conhecimento em 12 horas”, apontou o designer no Fimma Marceneiro.

Para isso, empresas de um único dono não terão essa desenvoltura, enquanto startups tem três ou quatro diretores. “Para acompanhar isso, é autonomia e relacionamento, conectividade”, destaca. “A preocupação de vocês é de alguém que está em uma garagem em Israel, que é o lugar que mais startup tem, pode estar nascendo uma empresa que pode matar a marcenaria”, aponta.

Para Batista, a diferença é que a startup nasce no caos para resolver problemas, enquanto as tradicionais nasceram na zona de conforto. “Nas startups, se não entender os clientes, elas não existem”, frisou. As ferramentas que as empresas mais utilizam hoje para inovar são Design Thinking, Canvas, storytelling e lean startup. “Mas elas caem no modismo”, questiona.

Conheça linha de móveis Quilombo dos Palmares, criada por marceneiros de Maceió (AL)

Uma marcenaria ou uma loja não dá para ser exponencial? “É claro que dá, tem que trabalhar dessa forma. A primeira coisa para trabalhar de forma exponencial é ter staff sob demanda, é ter o funcionário ganhando a partir do que ele produz. As pessoas vão ser todas empreendedoras, pois daqui a dez anos eu faço um móvel com um robô”, destacou.

Comunidade e multidão, algoritmos, ativos alavancados e engajamento são outras coisas para se trabalhar, segundo o designer. “Hoje, é engajamento a comunicação. São as pessoas que falam de você”, revelou. Batista apresentou os conceitos de Design Thinking, como empatia, colaboração e prototipação. “A maioria das empresas trabalham sem um propósito e visão de futuros claros”, acrescentou. Empoderar, empreender, envolver e entregar são outros conceitos apresentados pelo designer para as empresas se diferenciarem.

Inovação para sustentabilidade
O tripé financeiro, ambiental e social para o equilíbrio da sustentabilidade no setor moveleiro é o que destacou a diretora da rede social Marcenaria Sustentável, Simone Nascimento. “Mas o principal ponto de equilíbrio é as pessoas, tanto o funcionário como todos os públicos envolvidos”, abordou Simone na terceira palestra do Fimma Marceneiro.

Thiago Rodrigo/Revista Móbile

Fimma Marceneiro


“Vocês precisam fazer um trabalho de organização”, indagou Simone aos marceneiros presentes

Uma marcenaria sustentável deve ser ambientalmente correta, economicamente viável e socialmente justa. “Para alcançar isso, deve-se estar focado na inovação. Mas não apenas em criar algo novo. Ela acontece quando muitas boas ideias se transformam, geram resultados financeiros e dão impactos positivos para toda a cadeia de valor”, explicou a palestrante.

Simone salientou que o principal stakeholder do marceneiro é o cliente e ele espera da marcenaria vários pontos, mas principalmente qualidade. “Ele quer qualidade desde o atendimento até o pós-venda”, assinalou. Para inovar com sustentabilidade, Simone cita o conceito de Design Thinking para realizar a ação.

“Inovação exige liderança. O diálogo é muito importante para obtenção e resultados, para que consigam fazer com que os funcionários façam de boa vontade aquilo que você quer que eles façam”, comentou Simone.

Tendências de móveis
A supervisora de marketing e desenvolvedora de produtos da Berneck, Andrea Colin Corrêa, tratou da tendência de móveis híbridos na última palestra do Fimma Marceneiro. A palestrante falou sobre o novo consumidor, que é nômade, preocupado com a sustentabilidade, questões sócio econômicas e de regaste à nostalgia. “Ele não tem mais a característica de comprar uma casa, não precisa ser tão grande ou até estar em quatro rodas. Com isso, há um novo tipo de móvel e de espaços”, afirmou.

Thiago Rodrigo/Revista Móbile

Fimma Marceneiro

Andrea mostrou aplicações de móveis híbridos nos ambientes

Esse novo estilo de morar pode ser uma fábrica, como o estilo industrial. “Ele tem uma pegada mais urbana. A estética industrial está voltada para o interior também”, comentou Andrea. “O feito à mão (hygge) é outra característica, com um estilo escandinavo, por exemplo”, acrescentou.

Conhecendo o consumidor, surge o híbrido, que é a mistura de duas coisas que surge uma terceira coisa, propôs Andrea. “O móvel híbrido é um móvel multifunções, sai da estética, deixa de ser bonito e fica muito mais funcional. Ele precisa atender essa nova morar e espaços e ser funcional como móvel”, explicou.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

eMobile

Acompanhe o emobile nas redes sociais

Linkedin
Facebook