Exportação: impacto da Parceria Transpacífico

Abimóvel e Sindmóveis analisam como o acordo entre países do Oceano Pacífico pode impactar a exportação de móveis brasileiros

Publicado em 6 de outubro de 2015 | 12:07 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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A Parceria Transpacífico (TPP) é um novo pacto comercial entre doze países do Pacífico e que inclui Estados Unidos e Japão, duas das maiores economias mundiais, além de Chile, Peru e México, importantes players para a exportação de móveis brasileiros. Com o objetivo de liberalizar o comércio da região, eliminará milhares de tarifas e afetará o câmbio comercial das nações participantes que representam 40% da economia mundial.

O acordo pode se converter no maior acordo regional da história e ainda precisa ser ratificado pelos legisladores dos países integrantes. Ele pode remodelar indústrias e influenciar no custo de diversos produtos. Com o corte de barreiras comerciais e determinação de padrões comuns para uma região que se estende do Vietnã ao Canadá e inclui outros países como Austrália, Brunei, Malásia, Nova Zelândia e Cingapura, a facilidade de negociações entre eles pode impactar o setor moveleiro.

 

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Ainda sem fazer uma análise concreta sobre o acordo diante do anúncio recente (ontem, na cidade de Atlanta nos Estados Unidos), o presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Henrique Tecchio — um dos maiores polos exportadores de móveis do Brasil — afirma que o acordo traz facilidade de negociações entre os países. Quem está fora dele precisa ter produtos ainda mais competitivos.

“O acordo é recente e demorará a estar implantado em sua totalidade, mas, desde já, passaremos a fazer a nossa parte e, se for preciso, buscar alternativas para substituir os mercados que porventura possam reduzir a demanda do setor moveleiro”, diz.

“É um trabalho de estratégia do governo americano em proteção aos seus mercados. É importante que o governo brasileiro trabalhe com foco na melhor inserção das cadeias produtivas nestes mercados para que as perdas não sejam maiores, exigindo um olhar mais atento nas negociações que mantém com estes países”, Cândida Cervieri

A América Latina representa 51,4% dos valores totais de exportações do setor moveleiro brasileiro segundo dados de 2014 do Relatório Brasil Móveis 2015, produzido pelo Iemi – Inteligência de Mercado. Participantes da TPP, Chile e Peru foram o sexto e sétimo maior destino das exportações de móveis brasileiros, representando 5,7% e 5,5%, respectivamente, de share de mercado — a Argentina é a primeira colocada com 17%.

“O acordo pode ter algum impacto para nós em três países. O Chile, pela proximidade; o Peru, que especialmente no polo moveleiro de Bento Gonçalves cresceu muito a exportação do nosso mobiliário; e o México. Outros países têm venda mais pontual e não prejudicariam muito”, analisa.

Divulgação Sindmóveis/ Carlos Ben

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Segundo Tecchio, a parceria pode tornar móveis feitos na Malásia mais competitivos dos que os feitos no Brasil, na venda para os Estados Unidos, por exemplo

Para a diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário (Abimóvel), Cândida Cervieri, isso afetará de uma forma ou outra o setor moveleiro, mesmo sendo preciso verificar os textos do acordo para poder opinar com maior exatidão. “A parceria é realizada para contrapor uma influência da China no mercado mundial e o principal ator é os Estados Unidos”, frisa.

O país norte-americano, segundo dados do Relatório Brasil 2015, foi o segundo maior destino da exportação de mobiliário brasileiro, com 14,1% de participação total. “Hoje grande parte das exportações do Brasil são para os Estados Unidos. Então isso deverá ter impacto muito grande sobre o setor moveleiro. Além disso, o Brasil está em negociação de acordo de cooperação com o México, e é importante que as regras para o setor moveleiro sejam claras. Com certeza o setor moveleiro será afetado, pois estes dois países são prioritários para nosso setor e eles estarão protegidos com esta parceria”, argumenta Cândida.

Novos mercados e ações
Por outro lado, o presidente do Sindmóveis ressalta que não se podem deixar de lado a exportação para potenciais nações alvo. “Seja para a África, Ásia, Europa e Oriente Médio, há muitos países potenciais que podem suprir a demanda e alavancar as vendas do mobiliário brasileiro [caso estas sejam afetadas]”, menciona.

Além disso, Tecchio acrescenta que muitos dos países que firmaram o acordo talvez não sejam produtores com o mesmo peso brasileiro. “Pode ser que ainda tenhamos chances de vender para países que fazem parte do acordo, mesmo com os benefícios entre eles”, encerra.

Atualizado em 6 de outubro de 2015, às 16h08.


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