Schattdecor: de escritório a uma grande indústria

Conheça a trajetória da Schattdecor do Brasil, que há 17 anos atende toda América Latina e este ano comemora 10 anos da inauguração de sua fábrica em São José dos Pinhais (PR)

Publicado em 10 de junho de 2016 | 10:52 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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Há apenas 30 anos iniciava na Alemanha a Schattdecor, uma das empresas líderes do mundo em papel decorativo impresso para o revestimento de mobiliário e pisos. Fundada por Walter Schatt, a empresa cativou o mercado e conquistou a confiança dos clientes, o que permitiu a ampliação para países como Polônia, Itália, Rússia e China. As conquistas permitiram sonhar mais alto e, há 17 anos, o Brasil entrou para o grupo que hoje contempla 14 fábricas e uma produção de mais de dois bilhões de m² ao ano.

O plano de iniciar uma filial brasileira se deu nos anos 90, e após adquirir em 2000 um terreno em São José dos Pinhais (PR), construiu em 2005 sua própria fábrica seguindo os padrões da matriz. Para saber mais sobre essa história, confira entrevista com o CEO da Schattdecor do Brasil, Flávio Nunes, seu predecessor Michael Then e o fundador da companhia Walter Schatt, que mostra o progresso da filial até tornar-se a grande indústria que é hoje.

Divulgação Schattdecor

Schattdecor

Hoje a Schattdecor têm aproximadamente 200 pessoas em sua equipe, duas unidades – planta de impressão e planta de impregnação – e opera com três linhas de impressão, uma laqueadora, uma rebobinadeira e três linhas de impregnação

Walter Schatt, porque a Schattdecor escolheu o Brasil, e mais especificamente Curitiba, como local para a filial na América do Sul?
Schatt: Planejar e construir uma filial no Brasil foi uma decisão fácil. O grande e atrativo mercado latino americano tinha também sua grande primeira experiência com papéis decorativos. Nós não poderíamos dizer não, visto que havia a possibilidade de realizar uma joint-venture com uma empresa de papel decorativo local. Depois de cinco anos, nós assumimos uma fábrica da Perstorp em Embu. Aquela foi nossa primeira chance de impregnar papel decorativo com nossas próprias mãos em território brasileiro. Após alguns anos, nós decidimos construir uma nova planta e para criar um ambiente agradável para nossos colaboradores nós escolhemos São José dos Pinhais no Paraná. Esse foi o terreno mais perfeito que encontramos no Brasil.

Divulgação Schattdecor

Schattdecor

“O cliente percebe que temos um comprometimento com ele, que queremos que ele tenha sucesso”, frisa Flávio Nunes

Flávio Nunes, como se deu o início das atividades aqui no Brasil?
Nunes: A Schattdecor começou no Brasil com um escritório de vendas em Curitiba em 1999. Em 2001, durante aquele ano, vendemos em toda América Latina 140 toneladas de papel decorativo impresso. A partir daí fomos crescendo e evoluindo. Além de termos fechado parcerias importantes, o que também alavancou bastante nosso crescimento foi nosso relacionamento com a indústria de móveis, que na época foi bem importante. O escritório continuou em Curitiba e a produção era em São Paulo. Depois, compramos o terreno para construir a nova planta em 2000. Um ano depois, eles queriam ter começado a construção aqui no Brasil, mas então resolveram construir primeiro a fábrica na China. Em 2005 a planta no Brasil foi construída e em dezembro mudamos o escritório de vendas para o novo edifício. A fábrica de Embu foi transferida no começo de 2006 e as pessoas que quiseram fazer a mudança vieram também. Em abril de 2006 fizemos a inauguração.

Michael Then, quando você soube que viria para o Brasil, o que passou pela sua cabeça? As diferenças culturais atrapalharam em alguma etapa
Then: Em um primeiro momento eu pensei sobre as diferenças culturais e a longa distância da Alemanha. Mas aquilo instigou minha curiosidade e a perspectiva de um futuro interessante: novos colegas e atividades excitantes, uma nova língua e a oportunidade de ver como as pessoas daqui viviam. É claro que me perguntei: O que está acontecendo comigo? As diferenças culturais não me incomodaram e na minha percepção elas não foram tão distintas assim. Eu suponho que é possível ter sucesso com qualquer cultura se você tratar as pessoas aberta e honestamente.

Nunes, como foi tocar uma empresa que tinha muitas diferenças culturais entre a matriz na Alemanha e a filial no Brasil? Você vê isso como um desafio ou uma oportunidade?
Nunes: No começo foi muito difícil, principalmente depois que a gente comprou Embu. Era uma cultura local, com uma filosofia de trabalho totalmente diferente da Schattdecor. Radicalmente diferente em praticamente todos os aspectos. Desde a forma como se lidava com o colaborador, com o cliente, com o mercado até a qualidade do produto e a forma de produzir. Então, no começo já enfrentamos uma dificuldade muito grande. Por eu ser, na época, a única pessoa de vendas, eu fazia a ponte entre a fábrica e o cliente e eu fui, digamos, a pessoa que teve que assimilar mais rápido a forma da cultura alemã e traduzir ela para o Brasil – para a equipe e os clientes. Hoje é diferente. Existem muitas pessoas que já conhecem a cultura da Schattdecor e ai é muito mais fácil.

Divulgação Schattdecor

Schattdecor

A capacidade de impressão anual da Schattdecor do Brasil é de 10 milhões de toneladas de papel, 50 milhões de m² de finish foil e 150 milhões de m² de papel impregnado

Sr. Schatt, quais foram os maiores obstáculos enfrentados levando em consideração a enorme diferença cultural entre o Brasil e a Alemanha e a distância geográfica em relação à Europa?
Schatt: Claro que a distância é um pequeno problema, mas nossos colegas alemães ajudaram a atingir a alta qualidade e os padrões da Schattdecor. Como nós nos mudamos de Embu para São José dos Pinhais, enxergamos o grande interesse dos colaboradores brasileiros: mais de 20 colegas nos seguiram para a nova planta que estava a aproximadamente 400 km de distância de suas casas. Sem o trabalho duro e compromisso deles nós não chegaríamos onde estamos hoje. Atualmente nós empregamos aproximadamente 200 pessoas com nosso colega Flávio Nunes como diretor. Ele soube combinar o talento dos colegas dele com a nossa filosofia. Eu e meus colegas na Alemanha estamos orgulhosos com os dez anos da Schattdecor São José dos Pinhais e com o desempenho dos colaboradores brasileiros e apoio de nossos clientes.

Nunes, quais fatores foram essenciais para o sucesso da Schattdecor no Brasil?
Nunes: A Schattdecor sempre teve sua filosofia baseada em muitos princípios éticos e de trabalho que sempre foram um diferencial da empresa. O respeito ao colaborador, ao fornecedor, ao cliente e aos parceiros, no mesmo pé de igualdade com todos eles. Nós sempre tivemos aqui no Brasil uma relação muito grande de serviços para os clientes. A confiabilidade da Schattdecor, a qualidade do produto e o serviço que a gente prestava entendendo nosso negócio como uma parceria de longo prazo, visto que somos uma indústria que vende para outra indústria. Eu não estou vendendo uma Coca-Cola. Estou vendendo um produto que vai ficar na linha do meu cliente por muito tempo. Então quanto mais sucesso ele tiver com esse produto, mais sucesso a Schattdecor vai ter. É uma relação de confiança, mas também de qualidade do produto. Porque se o produto não tiver qualidade e não for bom, a marca não se mantém. Acho que nesse aspecto, a equipe de desenvolvimento de produtos da Schattdecor faz um bom trabalho em nível mundial, de design. Porque sempre tivemos bons produtos, bons desenhos, um bom design. E sempre mantivemos uma relação muito próxima com o cliente: ajudando ele a vender o produto, orientando, desenvolvendo confiança. Ele sabe que o que apresentamos para ele não é simplesmente um produto qualquer que queremos vender por vender, empurrar. Ele percebe que temos um comprometimento com ele, que queremos que ele tenha sucesso.

Divulgação Schattdecor

Schattdecor

“Não posso dizer isso [dar um adjetivo para a Schattdecor no Brasil] em uma única palavra, mas em uma frase: Eu desejo para a Schattdecor do Brasil sucesso para o futuro e espero que nossa tão especial cultura-Schattdecor se mantenha”, define Michael Then

Then, como foi esse período aqui no Brasil? Teve algum obstáculo ou característica que te surpreendeu? Pode citar algo que aprendeu aqui?
Then: Minha estadia no Brasil foi bem agradável. Por um lado foi realmente emocionante e eu vivi muitas aventuras. Por outro lado, foi um período também estressante. Nós construímos uma nova fábrica ao mesmo tempo em que tive que aprender uma nova língua. Se eu não falasse a língua local poderíamos ter problemas de comunicação. Eu estou realmente muito orgulhoso do trabalho que nós – do Brasil e da Alemanha – criamos. Nós estabelecemos um novo time em nossa família Schattdecor: uma relação baseada na confiança e também desafiada e apoiada por nossos colaboradores. Estes eram os meus maiores objetivos. Somente com essa base pudemos atingir o sucesso. Foi muito legal e altamente interessante conhecer um novo país, novas pessoas, uma nova cultura e uma nova língua. Claro que existiram obstáculos, mas nós os vencemos juntos. Um fato específico me surpreendeu muito. No Brasil é normal trabalhar de dia e estudar de noite. O trabalho duro de alguns colaboradores foi marcante. Eu aprendi muitas coisas durante meu período no Brasil. É comum, quando se constrói uma nova fábrica e a lidera posteriormente, que você acumule muitas experiências que podem te ajudar no futuro da vida profissional e pessoal.

Nunes, em 2010 a Schattdecor do Brasil alcançou um faturamento histórico. De 2009 para 2010 os números quase dobraram. A que você atribui esse resultado?
Nunes: Foram duas coisas que aconteceram ao mesmo tempo. O Brasil se recuperou muito forte da primeira etapa da crise e foi um ano de crescimento histórico no Brasil. De 2010 pra cá nós quase que dobramos os números de produção. Hoje a gente já produz anualmente mais de 6500 t e importa mais de 1000 t da Alemanha e de outros subsidiários. Quando o mercado se recuperou e se reergueu, o nosso trabalho duro começou a dar resultados. A gente deu um pulo muito grande e ainda conseguiu crescer e se manter. Mas acho que nada é um fator só. Sempre existe o fator do momento certo. Se você não faz um bom trabalho para aproveitar esse momento, ele também não dura. Então acho que foi uma conjugação das duas coisas. Fizemos um bom trabalho de desenvolver o mercado, criamos uma boa base de padrões e um bom relacionamento com os clientes.

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Com a instabilidade política e econômica no Brasil, o que esperar para esse ano de 2016?
Nunes: Este ano nosso crescimento está abaixo do registrado no ano passado. Mas, se compararmos a posição da Schattdecor com outras empresas, estamos bem. Existem muitas empresas que mandaram muitos funcionários embora e que estão passando por muitas dificuldades. Graças a nossa estrutura e nossa forma de trabalho estamos conseguindo nos manter. Ao final desses dois anos difíceis acreditamos que quando a economia voltar a se recuperar, essa pequena perda que a gente está tendo tem uma boa chance de se tornar de novo um grande salto. Então teremos, quem sabe daqui um ano ou dois, uma recuperação mais forte ainda. Por isso que é importante esse investimento que estamos planejando agora de expansão da fábrica. Precisamos estar preparados quando a recuperação vier.

Quais são os planos para os próximos 5 anos?
Nunes: Precisamos nos manter atualizados às mudanças do mercado, entender o que está acontecendo e estar preparados para as mudanças que ainda irão ocorrer. Com isso, estamos pavimentando o caminho para mais um ciclo de expansão no futuro. Quem sabe absorver novas tecnologias – como a impressão digital – ou ter outro tipo de produto no nosso mercado – como um foil de melhor qualidade. A Schattdecor tem uma filosofia especial, uma forma de trabalho especial que é diferente da maioria das empresas que a gente vê, principalmente aqui no Brasil. O que eu penso é que as pessoas têm que ter um pouquinho mais de paciência. Eu não posso chegar para um funcionário e dizer: “Olha, a partir de amanhã você vai saber tudo que existe sobre o mercado”. O mercado muda e evolui a todo o momento – é um setor muito dinâmico. Nos mantemos em constante crescimento e desenvolvimento. E isso é algo que nos deixa ainda mais motivados. Não é uma empresa que tem monotonia, aquela mesmice de fazer todo dia a mesma coisa e isso me motiva muito a continuar aqui. A Schattdecor é uma empresa multidisciplinar. Você não vai ser só o “apertador de botão”. Você é bem vindo para dar uma sugestão. Você entende o que ocorre em torno da sua área. Você é convidado a participar de outras atividades, a crescer junto. Eu acho que isso torna tudo bem mais interessante.

Divulgação Schattdecor

Schattdecor

“Eu e meus colegas na Alemanha estamos orgulhosos com os dez anos da Schattdecor São José dos Pinhais e com o desempenho dos colaboradores brasileiros e apoio de nossos clientes”, destaca Walter Schatt

Sr. Schatt, apesar de todo o grupo Schattdecor ser direcionado a partir dos mesmos parâmetros, cada unidade deve ter sua particularidade, sua essência. Você poderia destacar, na sua percepção, qual seria a essência da unidade do Brasil?
Schatt: Hoje em dia nossa filial brasileira é uma companhia próspera e ampla. Mas eu tenho que destacar o belo entorno da fábrica com as altas, grandes e protegidas Araucária. Durante a fase de planejamento foi muito importante para nós que os arquitetos incluíssem árvores em seus esboços da área administrativa e de produção. Ao invés de cortarmos as árvores nós plantamos novas nas instalações industriais e levantou-se um inventário.

(com colaboração do marketing da Schattdecor)


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