Retomada do setor moveleiro não será para todos, diz Marcelo Prado

Durante o 8º Congresso Nacional Moveleiro, o economista Marcelo Prado traça panorama do mercado moveleiro

Publicado em 21 de setembro de 2017 | 18:15 |Por: Cleide de Paula

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O desempenho do setor moveleiro foi tema da palestra “Panorama do setor do mobiliário e as projeções de mercado”, que integrou a programação da 8º Congresso Nacional Moveleiro, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), entre 21 e 22 de setembro.

A apresentação foi conduzida pelo economista e sócio da Inteligência de Mercado (Iemi), Marcelo Prado. Na análise do especialista, a retomada do mercado brasileiro de móveis não será para todas as empresas, não será rápida, não será tranquila e nem irá se disseminar a todos os produtos, segmentos, consumidores e canais de vendas. “A retomada será seletiva colocando empresas em uma posição que outras que não vão saber capitalizar a retomada. A razão é que a oferta de móveis hoje é maior que a demanda”, avaliou Prado.

Olhando os dados de mercado, o sócio do Iemi chama atenção que só se consegue vender o que se quer, ao preço que quer, na quantidade desejada quando a demanda é maior que a oferta. “Essa não será a situação vivida nos próximos 4 ou 5 anos. Baixar o preço para o varejista comprar da indústria é um comportamento recorrente. Pode ser que o produto não gire só porque é mais barato. Gira porque é atrativo. Não vamos recuperar e superar a crise oferecendo mais do mesmo e mais barato. Muitos vão fazer isso e isso não dará lucro. As empresas estão vulneráveis. Muitas tiveram que recorrer a bancos. Acima de tudo tem que encantar o consumidor com algo novo ou diferente”, salientou.

Produção mundial
A produção mundial de móveis cresceu quase 56% no período de 2006 a 2016. Brasil representa 3,4% do total produzido no mundo. Nos últimos 10 anos houve crescimento de 4,5% a.a. Nos últimos 10 anos houver crescimento de 3,8% a.a no comércio mundial de móveis. Com queda de 4% nos últimos dois anos.

Entre 2012 e 2016, a produção recuou 13,6% em peças. Em valores, descontando a inflação, houve queda de 7,5%. Em 2017, estima-se alta de 1,1% em volumes e de 4,0% em valores nominais. Foram 32 milhões de colchões, com vendas de R$ 8,2 bilhões em 2016. Somados os colchões, a produção total vai a 431 milhões de peças e R$ 58,1 bilhões. Para 2017, previsões de 435 milhões em peças e receitas de R$ 60,4 bilhões.

Para Marcelo Prado, cases de insucesso ensinam tanto quanto case de sucesso. “Tenho vontade de fazer uma apresentação somente com exemplos de não recomendamos, quantidade de tentativas e erros por não avaliar o impacto e o como o consumidor recebe a inovação”, comentou e orientou “Precisamos ter marcas próprias e originalidade na produção. Relacionada à inovação está a inovação, o acesso a mercados, a capacidade de distribuição, o financiamento, a produtividade etc. Não é só câmbio que faz a gente importar”, assinalou.

Estragos da crise
Os polos produtores de móveis de Linhares (ES) (-21,9%) e Curitiba (PR) (-20,7%) foram os que mais perderam com a crise. São Bento do Sul, em razão das exportações foram menos afetados. Analisando o porte das empresas, observa-se que a microempresas sofreram menos, assim como as grandes. As pequenas e médias que oferecem menos pagaram um preço maior em razão da crise. Todas as linhas recuaram acima de 10%. Por linhas de produtos, em geral, cozinhas e salas de estar (muitas empresas do setor fizeram esforços diferentes em produtos e ponto de venda) caíram menos e a maior dormitórios e móveis para escritório, com 19% de recuo.

Produção
Entre 2013 e 2016, a classe B foi a que mais perdeu relevância no foco dos fabricantes de móveis. PR, SC e RS somam 86% das exportações de móveis brasileiros. Sp e MG somam 10% do total. Nas exportações, o Estados Unidos continua sendo o principal destino. Entre 2007 e 2016, o grupo de países: Reino Unido, Peru, Uruguai, Chile., Bolívia e Paraguai foi o que mais expandiu as exportações, de 17,3% para 43,8%.

Varejo
O Varejo de móveis conta com 54 mil pontos de vendas de móveis e colchões. 44 mil deles (81%) são lojas especializadas, responsáveis por 69% dos volumes escoados desses produtos no varejo nacional. 6,9 mil dessas lojas vendem móveis planejados, sendo 2,8 mil lojas exclusivas de uma única bandeira. Em 2016 foram comercializados 77,1 bilhões em móveis. Canais de preços baixos perderam mais em vendas entre 2010 e 2016. Lojas de departamento recuram 16% em volumes.

Pelo novo critério Brasil, B é o principal grupo consumidor, seguido por C. Após amargar uma queda acumulada 16,5% em tres anos (-8,5% s´[o em 2016). O varejo de móveis só deverá crescer 19,3%, nos próximos cinco anos, com média de 3,6% ao ano, em volume de peças. Retornando ao patamar anterior somente em 2021. “Se continuar fazendo mais do mesmo, sua marca ficará para trás. Para agregar valor e gerar lucro, será preciso se posicionar no ponto de venda”, orienta Prado.

8º Congresso Nacional Moveleiro
Quando: 21 e 22 de setembro de 2017.
Onde: Campus da Indústria Fiep – Centro de Convenções Horácio Coimbra: avenida Comendador Franco, 1.341, Jardim Botânico, Curitiba (PR).
Inscrições: gratuitas, mediante a doação de um livro.
Faça sua inscrição clicando aqui


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