Retomada e expectativas do cenário econômico no Congresso Movergs

Marcelo Prado e Roberto Luis Troster abordaram os temas para cerca de 500 pessoas, durante o 27º Congresso Movergs, em Bento Gonçalves (RS)

Publicado em 18 de julho de 2017 | 23:47 |Por: Paulinne Giffhorn

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Durante o 27º Congresso Movergs, realizado na última quinta-feira (13), em Bento Gonçalves (RS), cerca de 500 pessoas de diversos estados se reuniram para refletir sobre o momento do País e atualizar conhecimentos e expectativas para os próximos anos.

O primeiro palestrante do dia foi o economista e sócio da Inteligência de Mercado (Iemi), Marcelo Prado, que abordou o tema “Mercado de móveis no Brasil – Os desafios da retomada na oferta e no consumo”.

Divulgação Movergs

Expectativas - Congresso Movergs

O economista e sócio do Iemi, Marcelo Prado

Na ocasião, Prado falou sobre o panorama mundial do mercado de móveis, destacando as causas dos resultados negativos que o setor tem enfrentado nos últimos anos e sinalizando uma melhora para os próximos meses.

“Um real muito valorizado e a demanda crescente aqui no Brasil, incentivada por uma flexibilização enorme do crédito, do incentivo ao consumo, nos tirou o foco da exportação e perdemos praticamente a metade do que exportávamos”, destacou.

Desde 2016 as exportações aumentaram e, segundo Prado, este é um bom momento para que o país reconquiste seu lugar, se colocando como alternativa de produtos originais, com identidade brasileira.

O economista destacou também que, em maio deste ano, a indústria de móveis superou o mesmo período de 2016, e este resultado se deve ao alcance de uma taxa de câmbio mais estável. Ele acredita que esta melhora no consumo se manterá no segundo semestre devido a esperada baixa nas taxas de juros.

Transformações do setor moveleiro

O palestrante traçou um perfil do consumidor que mais sofreu com a crise. De acordo com o executivo, o público com rendimentos entre 10 e 25 salários mínimos foi o mais afetado e também é o que mais se beneficiará com a melhora da economia.

Indicou, ainda, caminhos para que o mercado possa satisfazer esta nova demanda. “Acho que tem que encantá-los acima de tudo, com produtos que entreguem tanto as opções do mais barato, mais acessível, mas também produtos que atraiam o consumidor para a loja, que estimule e fomente o giro”.

Expectativas
O doutor em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e ex-economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Luis Troster, ficou à frente da palestra “Uma visão do cenário econômico nacional e internacional 2018-2022”.

Divulgação Movergs

Expectativas - Congresso Movergs

O doutor em economia, Roberto Luis Troster

Com fala leve e bem-humorada, Troster falou sobre os grandes e históricos problemas do País. “O cenário e o equilíbrio externo comercial estão estáveis, a inflação está resolvida e a questão fiscal equacionada. Mas, ainda assim, estamos crescendo pouco”, disse.

Troster apresentou dados sobre os índices de crescimento do Brasil, como o PIB, exportações, balanço de pagamentos, taxa de câmbio, contas públicas, dívida bruta, ouro IPCA, SELIC, entre outros, considerando aspectos como globalização, tecnologia e a introdução de camadas mais baixas no processo produtivo. “Isso nos faz acreditar que vamos crescer mais nos próximos anos”.

Para o economista, o cenário externo não poderia ser melhor. O risco é baixo, as bolsas de valores do mundo estão subindo e, de maneira geral, os investidores estão positivos com relação ao futuro.

“A taxa de juros internacional está subindo, mas muito aquém do patamar histórico que é de 5% a 6%, com isso projeta-se que para daqui, aproximadamente, três anos, vá estar em torno de 3%. O preço das commodities está acima do patamar histórico. Ou seja, estabilidade, otimismo, juros baixos e o preço das commodities formam um bom cenário para o Brasil”.

Ao longo da sua apresentação, fez uma crítica a reforma tributária brasileira, destacando que ela é urgente. “Não faz sentindo ter uma legislação tributária em cada estado, em cada cidade, seria fundamental fazer uma uniformização e racionalização. Só isso daria um ganho de produtividade e de eficiência para todas as empresas”.

Quando questionado se as expectativas de crescimento do País se manterão mesmo que ocorram novas mudanças na liderança do Brasil, Troster foi enfático: a previsão se mantém e pode até melhorar. “Mais do que quem está na liderança, é qual a estratégia e qual a política econômica a ser adotada. É fato que a crise política derruba expectativas, mas, de maneira geral, está tudo dando certo para o País começar a voltar a crescer, e crescer rápido”.

Com relação à cadeia de madeira e móveis, o economista disse estar entusiasmado. “O setor moveleiro está na direção certa. Eu diria: compre ações do setor”, recomendou.


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