Projetos destacam materiais alternativos para o setor

Duas universidades destacam projetos que utilizam materiais sustentáveis feitos a partir de fibras naturais para a indústria moveleira

Publicado em 15 de novembro de 2014 | 17:11 |Por: Marina Werneck de Capistrano

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Divulgação Sebrae Minas

Material feito com casca de coco será uma alternativa ao MDF

Material feito com casca de coco será uma alternativa ao MDF

Recentemente divulgado pelo Sebrae Minas, pesquisadores da Faculdade de Ciência e Tecnologia de Montes Claros (Facit) desenvolveram um novo produto a base de casca do coco triturada que poderá ser uma alternativa ao MDF. Segundo a nota divulgada, o produto será uma opção mais barata e sustentável para ser aplicada na indústria moveleira e na construção civil.

O projeto é desenvolvido desde 2009, pela equipe formada por Christina Thâmera Soares Oliveira, Izabella Aparecida Luiz Ribeiro, Kamilla Alves Carvalho, Ludmilla Louise Cerqueira Maia Prates, Maria Fernanda Silveira Sales e Sandra Matias Damasceno. Além da casca do coco, o produto é feito por glicerina, resíduo da indústria do biodiesel e a fécula de mandioca, um tipo de aglutinante natural. Em fase final de testes, a intenção do grupo de pesquisadores é transferir a tecnologia para uma empresa interessada em produzir painéis de fibra de coco.

“O descarte e refino da glicerina é uma dificuldade para as usinas de biodiesel, elas estudam um destino correto para esse material já que ainda não conseguem níveis de purificação suficiente para que o mesmo seja destinado a outros processos produtivos como para indústria farmacêutica e de cosmético”, conta Christina.

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Divulgação Sebrae Minas

Em fase final de testes, a intenção do grupo de pesquisadores é transferir a tecnologia para uma empresa interessada em produzir painéis de fibra de coco

Em fase final de testes, a intenção do grupo de pesquisadores é transferir a tecnologia para uma empresa interessada em produzir painéis de fibra de coco

Entre as vantagens do uso do material está o baixo custo e disponibilidade de matéria prima. Durante o processo de produção não são liberadas substâncias tóxicas, como o uso de resina sintética, o que ocorre com o MDF. “Nosso objetivo era desenvolver a base de componentes disponíveis e baratos, um novo produto obtido por meio de um processo totalmente biodegradável”, afirma a pesquisadora.

Para produção do MDF são várias operações de tratamento das fibras como descascamento, produção de cavacos e lavagem para, só então, começar o processo de aglutinação das fibras. Até agora nos testes feitos em laboratórios, foi possível obter painéis feito com a fibra do coco em diversas espessuras, densidade e tamanho, o que amplia as possibilidades das mesmas aplicações que o MDF, em situações que não exijam rigidez e onde o material seja facilmente moldável.

No caso da Indústria moveleira, consta no documento que poderia ser usado, por exemplo, em componentes frontais, internos e laterais de móveis, fundos de gaveta e tampos de mesa, e ainda caixas de som.

Outra fibra, outro projeto

No ano de 2013 o Portal eMobile conversou com a professora Magnólia Grangeiro Quirino, do departamento de Design e Expressão Gráfica e coordenadora do Núcleo Inove Design da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que criou um projeto intitulado “Desenvolvimento de mesa de jantar produzida com painéis feitos de resina natural e de fibra da semente do açaí”.

“A fibra da semente do açaí pode se tornar um material alternativo para o setor moveleiro, pois a fibra possui uma caracterização térmica semelhante à da fibra de sisal, que já é industrializada. Além disso, para a confecção da mesa não será necessário derrubar o açaizeiro, pois aproveitaremos o resíduo pós-alimento, isto é, após a comercialização da polpa do açaí, sobra-se o caroço, o qual não tem nenhum manejo adequado”, explicou a coordenadora.

Segundo a professora, o caroço de açaí depois de polido é utilizado na maioria das vezes para o artesanato, mas a fibra, conforme observações realizadas na pesquisa não tem fins comerciais. A partir disso, buscou-se desenvolver técnicas manuais para retirar o pelo e utilizá-lo, aproveitando, assim, ao máximo os resíduos do açaí.


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