Projeto Áquila: união entre marceneiros e designers

Projeto Áquila surge em grupo de rede social sobre marcenaria com proposta de aprimorar relacionamento entre profissionais com criação de projetos autênticos

Publicado em 10 de junho de 2015 | 9:43 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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“Os designers se queixam que os marceneiros não respeitam seus projetos ou não conseguem realizar suas criações, enquanto que os marceneiros reclamam que são explorados e seu nome e de sua empresa nunca ficam em evidência junto ao nome deles”. A declaração do marceneiro Luiz Mariano ilustra um pouco da situação que algumas vezes ocorre entre marceneiros, designers e também arquitetos no relacionamento para a concepção de um projeto de mobiliário.

Neste contexto, é evidente que qualquer ação que motive a união dessas classes totalmente relacionadas é bem-vinda. Pensando nisso – e após muita discussão entre os profissionais – foi criado o Projeto Áquila, que tem o plano de fazer ambos se comunicarem melhor e trabalharem em conjunto na criação de peças com design autoral que pode abrir portas para os participantes.

Divulgação

Projeto Áquila

Projeto Áquila pretende criar móveis oriundos da boa comunicação entre marceneiros e designers

O objetivo do Projeto Áquila é ter o resultado concreto como um viés de solução para a problemática entre marceneiros e designers. Assim, a divulgação dos móveis projetados pelos desenhistas e executados pelos marceneiros, será feita inicialmente no blog do projeto. No entanto, há outras possibilidades como a possível divulgação em um espaço aberto.

Fases
O projeto iniciou da discussão no chat de rede social e tornou-se mais concreto com a elaboração e publicação da proposta no blog feita por Luiz Mariano e José Benedito Poletto. Em seguida, foram criadas duplas de marceneiros e designers que desenvolveriam as peças. Durante a conceituação e concepção, surgiu a dificuldade – por alguns grupos – de quebrar o feitiço de Áquila.

“Ou seja, realmente fazer os designers e os marceneiros se comunicarem e dentro do possível, trabalhar em equipe. Porém, tivemos a desistência de três marceneiros que não tiveram paciência com designers”, diz Mariano. Por outro lado, também houve arquitetos e designers saindo ou que nem toparam entrar no Projeto Áquila “por causa dessa parte da proposta que os nivela aos marceneiros”, destaca o marceneiro.

Com cerca de 20 equipes formadas, os designers têm até 15/06 para finalizar a criação do projeto que será executado pelos marceneiros até o 15/07. “Depois que conseguirmos reunir tais peças vamos batalhar para conseguir colaboradores, expositores, mídia epatrocinadores para apresentar o trabalho”, assinala.

Criação
Um dos idealizadores do projeto, Luiz Mariano, aponta que o projeto começou “no caos e vamos terminar assim, com improviso total e assumido”, revela e acrescenta: “Depois, conforme aparecerem os resultados positivos nos organizaremos melhor para quem sabe montar uma cooperativa. Costumo sempre bater na tecla de que esta primeira fase é apenas uma brincadeira, uma experimentação, que no fim pode se tornar algo sério e lucrativo”.

Na visão de Mariano, além da meta principal, o Projeto Áquila pode ter diferentes propósitos para cada participante. “Para uns pode ser o marketing e para outros a possibilidade de vender as peças ou o direito autoral para alguma empresa produzir em série. Também há a possibilidade de ter seu talento descoberto e reconhecido e participar de exposições e ganhar evidência, entre outros. Cada participante, incluindo eu, apegou-se mais a uma possibilidade do que a outra e vem se motivando com isso”, explica o marceneiro.

Os móveis terão caráter sustentável de utilizar sobras da própria marcenaria, material de demolição ou madeira retirada do lixo. Além disso, também podem ser criadas peças de madeira maciça, o que não impede de executarem uma boa criação com MDF, sempre com processos artesanais, mas sem deixar de lado o uso da tecnologia para quem deseja.

Com a finalização da iniciativa, as peças serão vendidas ao público interessado e parte do dinheiro arrecadado será destinado à uma instituição ou ONG que proporcione cursos profissionalizantes a comunidades carentes que ainda será escolhida. O restante seria utilizado para a criação de uma cooperativa entre designers e marceneiros para produzir peças artísticas autorais.

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Já o consumidor que adquirir um móvel desenvolvido pelo Projeto Áquila, terá peças de cunho artístico autoral criadas e produzidas por profissionais do Brasil inteiro. “Móveis de design com custos atraentes e muita história agregada, pois tais peças fazem parte de algo maior do que elas mesmas, a pessoa levará para casa ideais, sonhos e sentimentos de todos que participaram do Projeto Áquila e de todos os profissionais que representamos. Isso e o desejo de um Brasil que valorize melhor seus brasileiros, nossa brasilidade”, elucida Luiz Mariano.


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