Iemi: dependente do mercado interno, Brasil peca na exportação de móveis

Segundo diretor do Iemi, Marcelo Prado, País precisa se adequar às políticas de mercado externo e indústrias devem inovar

Publicado em 19 de abril de 2017 | 16:00 |Por: Érica da Costa Diniz

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Segundo o relatório Brasil Móveis 2016, publicado pelo Iemi (Inteligência de Mercado), a produção nacional de móveis e colchões em 2015 foi de 463,4 milhões de peças – queda de 8,7% em relação a 2014. O valor de produção foi de R$ 59,5 bilhões.

De acordo com o diretor do Iemi, Marcelo Prado, o país é um dos maiores produtores mundiais de móveis em volume de peças e se destaca por ter grande oferta de matéria-prima. “Tem competitividade na fabricação de móveis de madeira, o que é um privilégio de poucos países, já que não são muitos os que dispõe de uma oferta tão grande de madeira certificada, ou reflorestada, juntamente com uma importante base de produção de chapas de madeira, para alimentar as suas indústrias de móveis”, diz.

Por outro lado, ele aponta que o País é muito dependente do mercado interno devido ao modelo de desenvolvimento econômico adotado no passado, de mercado fechado ao comércio internacional. “Ainda, mais recentemente, pela política monetária empreendida pelo governo anterior, que provocou uma forte valorização da moeda nacional frente ao dólar, nossa indústria ainda encontra-se muito dependente da demanda e da situação do mercado interno”, explica Prado.

Exportação
No âmbito mundial, as exportações brasileiras de móveis em 2015 representaram 0,4% do comércio internacional de mobiliário. Já a participação da exportação sobre a produção nacional é de 3,7%. Para efeito de comparação, esse número chega a 68,9% no México e 44,9% no Canadá.

Arquivo pessoal

Iemi

Diretor do Iemi, Marcelo Prado

Segundo o diretor do Iemi, os números de exportação não são maiores por conta do ambiente econômico brasileiro e das políticas de comércio exterior. “Elas não oferecem as condições ideais para acessarmos os mercados mais relevantes do mundo, com os nossos produtos industriais”, destaca.

Prado acrescenta que, internamente, o País enfrenta uma série de custos de produção desnecessárias que são impostas pela estrutura tributária e leis trabalhistas anacrônicas e ainda são agravadas por uma infraestrutura ineficiente e cara.

Já externamente, ele pontua que desde 2003 o país não avança em acordos internacionais de comércio com mercados relevantes, de forma a criar vantagens competitivas e estímulos à exportação, para os produtores nacionais. “Sem uma reversão nesta postura comercial e avanços nas áreas de infraestrutura, tributária e trabalhista, estaremos sempre um passo atrás dos nossos concorrentes internacionais”, frisa.

Medidas
O especialista ressalta a necessidade das indústrias agregarem valor e não apenas preço, pois os consumidores costumam pagar mais caro por um produto com maior funcionalidade. “As indústrias devem centrar seus esforços na agregação de valor, criando uma cultura de qualidade e inovação, e construindo diferenciais próprios para os seus produtos”, ressalta.

Uma forma que ele menciona é aplicar os avanços previstos a partir dos novos conceitos da “Indústria 4.0”. “Sinalizam que, cada vez mais, seremos desafiados à incorporar novas tecnologias em nossos produtos, que deverão ser ainda mais direcionados a perfis específicos de consumidores (nichos), com produção em pequenos lotes, muita customização e diversidade de modelos”, conta.

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Ele completa dizendo que para se adaptarem a esse novo sistema de produção as empresas precisam se reinventar, para continuarem no mercado com a mesma representatividade alcançada até o momento. “Em nível setorial, para que tudo isso seja possível, vamos precisar avançar muito na qualificação dos nossos colaboradores, investir numa estrutura mais onipresente e acessível, de apoio à inovação, e na formação de uma cultura própria de desenvolvimento de produtos, substituindo um pouco o modelo ‘seguidor de tendências’ que estamos acostumados a utilizar”, finaliza Prado.


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