Pequenos ambientes desafiam indústria moveleira

Com o design como tema central, Móbile Fornecedores 270 traz reportagem sobre a realidade dos imóveis menores e seu impacto na produção do setor

Publicado em 8 de setembro de 2015 | 9:00 |Por: Frances Baras

 

Divulgação CBIC

Flávio Prando

Flávio Prando, da CBIC: “As pessoas, especialmente os jovens, estão mudando as suas relações com a casa”

Há cerca de 10 anos, a média de área útil de um apartamento de um quarto em São Paulo era de 45 m² – hoje fica em torno de 36 m². Quem faz essa estimativa é Flávio Prando, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Esse cenário transformou-se em um desafio instigante para a indústria moveleira, que a partir de então tem que pensar em novas soluções para atender a essa demanda, que não deve parar de crescer tão cedo.

A realidade da metrópole, considerada a maior cidade do País com pouco mais de 44 milhões de habitantes, é emblemática e se repete, embora com menor proporção, em outras capitais e regiões metropolitanas brasileiras.

A redução pode ser explicada também pela escassez de terrenos urbanos vazios para viabilizar os novos empreendimentos, fazendo com que as incorporadoras paguem mais caro pelos terrenos.

“A solução é fazer unidades menores, o que resulta em mais apartamentos e com um preço por metro quadrado um pouco mais elevado”, reconhece o também vice-presidente do Secovi-SP, com mais de 30 anos de experiência no mercado imobiliário.

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O fenômeno atingiu também – e de forma mais significativa – apartamentos de alto e médio padrão, segundo levantamento da Criactive, empresa especializada em monitorar o mercado da construção civil no País (veja os dados completos, por padrão, no gráfico).

Criactive

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Gráficos mostram diminuição dos imóveis desde 2009, inclusive em imóveis de padrão mais alto. Fonte: Criactive


De olho no movimento

A indústria moveleira está atenta a essa realidade, segundo levantamento feito pela reportagem da Móbile Fornecedores. As respostas vêm tanto de pesquisas quanto das demandas do varejo.

Com um departamento de inteligência de mercado dedicado a estudar o comportamento do consumidor, a Telasul, fabricante de cozinhas de madeira e de aço, identificou a redução no movimento das vendas.

Lucas Enrico Gregol, coordenador de marketing e inovação na empresa, conta que as cozinhas de aço com as portas mais estreitas passaram a vender em ritmo mais acelerado do que as com as portas mais largas.

Referências

Divulgação Santos Andirá

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Portas de correr estão entre as soluções para imóveis menores. Na imagem, ambiente da Santos Andirá

A partir dos compradores das redes de lojas, a Santos Andirá, de Arapongas (PR) buscou informação de pesquisas com construtoras para entender qual seria a nova realidade dos empreendimentos imobiliários.

“Passamos a refazer os projetos dos produtos com essa atualização de medidas, buscando junto aos fornecedores o desenvolvimento de soluções para essa nova realidade, incluindo produtos com portas de correr para aproveitamento de espaço, entre outras ideias”, explica Cristiane Fernandes, gerente de marketing da indústria paranaense.

Leia todas as matérias sobre design na edição 270 da Móbile Fornecedores. A reportagem sobre O Novo Morar e como ele vem afetando a indústria moveleira pode ser encontrada na página 24.


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