Opinião: Madeira de verdade – razão e emoção

Leia artigo completo de Rogildo Gallo, diretor superintendente da Montana Química S.A, sobre a madeira e os materias que a imitam

Publicado em 5 de julho de 2014 | 16:47 |Por: Portal eMobile

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Divulgação Montana Química S.A.

Rogildo Gallo Montana Química

Rogildo Gallo, autor do artigo, é diretor superintendente da Montana Química S.A.

“O que é genuíno é imprevisível. Esta é uma verdade que incomoda um mundo que busca a eficiência e a imagem”, afirma Roger Cohen em artigo recente no suplementoThe New York Times International Weekly. Dando asas às ideias a partir deste raciocínio, pode-se imaginar uma réplica elétrica e totalmente informatizada de uma carruagem para passeios de casais românticos em um parque. Qual a vantagem? O casal de namorados estará livre do cheiro e do suor do cavalo, desde que não se importem com a assepsia enfadonha, a falta de romantismo e de proximidade com a natureza.

O exemplo é um exagero, claro, mas joga luz sobre um certo preconceito que se espalhou pelo mercado e que sutilmente vai predando o que é original. Quem já viu e tocou a superfície de um deck feito com a chamada “madeira plástica”, mas que também pode ser feita de concreto, ou cerâmica, ou ainda qualquer outro material que imita madeira, sabe o que isso representa. Enganação e tédio. Enganação, porque imitações não têm o toque nem o visual originais, nem as diferenças naturais entre os veios de uma peça para a outra e que são a assinatura de um material sem igual. Tédio, porque as imitações industrializadas tendem a se tornar extremamente similares. Vêm com as mesmas texturas que se repetem numa monotonia sem fim. Este é o padrão repetitivo produzido pelo gosto duvidoso da desinformação. Depois é só bater firme em todas as mídias, até que ele vire moda.

Não se trata de ser contra ou a favor da tecnologia, mesmo porque todos dependemos dela para o progresso e o desenvolvimento socioambiental e econômico. Mas também é preciso ser crítico em relação a ela, quando negligencia o meio ambiente e a natureza humana em particular. Quem quer qualidade de vida, por exemplo, deve buscar uma vida saudável e natural. Como alguém pode se dar bem nesta busca, se a qualquer momento pode optar por um bem artificial só pela promessa vazia de uma sustentabilidade que não se sustenta?

Viés técnico – Mas o que se vê hoje no Brasil, felizmente, é o avanço no reconhecimento do valor da madeira como material construtivo, por parte da comunidade técnica nacional, o que chega a ser comum no exterior, em países com maior tradição no uso da madeira em construções. A mudança de percepção no país vai ganhando força e merece ser comemorada, pois poderá contribuir para uma campanha de esclarecimento ao consumidor, para que ele deixe o papel de vítima de certas campanhas publicitárias que simplesmente desrespeitam a sua inteligência.

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Além das excepcionais qualidades do ponto de vista da Engenharia, como resistência mecânica, proteção termo acústica, durabilidade e fácil trabalhabilidade, a madeira também ganha destaque pelo aspecto da sustentabilidade. O fato é que madeira é o único material renovável entre todos os que são utilizados na construção. Como material sustentável também é incomparável nos quesitos sequestro de (Dióxido de Carbono) e consumo de energia. Do plantio à fabricação de produtos industriais-madeireiros, é baixíssima a demanda energética, a menor entre todos os materiais concorrentes, apresentando, além disso, um ciclo de vida perfeito.

Madeira de verdade é um material construtivo harmonioso em todos os aspectos. Até nas pequenas variações de padrão, com as quais só a natureza é capaz de nos brindar, uma vez que tudo aquilo que é genuíno é imprevisível. Por isso é que se vê, cada vez mais, fabricantes de outros materiais querendo imitá-la. Mas isto é simplesmente impossível, como bem o sabem aqueles que conhecem a matéria-prima e seus atributos. As cópias mais comuns estão sendo feitas principalmente a partir de materiais não renováveis, provenientes de fontes puramente extrativistas como a cerâmica, o alumínio, o PVC, entre outros. Mas as imitações nada valem para pessoas de bom gosto, que sabem distinguir e valorizar as sutilezas que atestam a originalidade presente em cada peça de madeira.

Viés do mercado

O que esperar dos produtores desses materiais? Que tenham ética e responsabilidade nos procedimentos de comunicação e marketing dos seus produtos. Se não puderem nem quiserem falar de suas desvantagens, como o custo ambiental da energia consumida na fabricação e das fontes de suprimento do extrativismo, que ao menos não faltem à verdade falando sobre “sustentabilidade” dos seus produtos ou, de alguma forma, procurando diminuir as excepcionais qualidades e vantagens verdadeiras que só a madeira tem.

O outro lado da moeda é que se pode ver, cada vez mais, que o setor industrial-madeireiro passou a investir mais no desenvolvimento de novos produtos em madeira tratada. Ganham destaque produtos em madeira perfilada, sistemas construtivos wood-frame, madeira laminada colada, entre tantos outros. Enfim, novos produtos para um grande e moderno mercado.

Com toda a certeza existe espaço para os mais diversos materiais na construção civil brasileira. Até para as imitações que tenham um mínimo de qualidade. Mas, certamente, para o consumidor inteligente e de bom gosto, madeira de verdade não tem comparação.

* Rogildo Gallo é diretor superintendente da Montana Química S.A.


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