Oligopólio no mercado de painéis de madeira

Fabricantes de painéis de madeira comentam sobre oligopólio no mercado de chapas

Publicado em 16 de março de 2018 | 9:00 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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Oligopólio: circunstância econômica em que um número reduzido de empresas domina a maior parte do mercado por meio do controle da oferta de produtos. O setor moveleiro brasileiro é constituído por mais de 20 mil indústrias que, em 2017, utilizaram painéis de madeira de dez empresas produtoras de chapas – serão onze ao final deste ano com a entrada de Greenplac e Placas do Brasil, menos a venda da Masisa para a Arauco.

Algumas fabricantes de móveis já se queixaram do domínio concentrado na oferta de painéis de madeira, alegando que essa estrutura de mercado em que cada uma considera comportamentos e reações da concorrência para tomar decisões de mercado, influencia no preço dos painéis de madeira. A Abimóvel chegou a emitir uma nota, ano passado, contra o reajuste sinalizado pelas fornecedoras de chapas.

Divulgação Duratex

painéis de madeira

Inflação do setor de árvores plantadas foi inferior ao aumento geral de preços

Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), em 2016, os preços dos produtos de base florestal (painéis, celulose, papel, carvão vegetal e produtos sólidos de madeira), em sua maioria, apresentaram redução em relação ao ano de 2015.

Essas reduções foram reflexo da atual crise econômica que o País enfrentou e da valorização do Real frente ao Dólar, que acabou comprometendo as exportações dos produtos florestais brasileiros, aponta a entidade no Relatório Ibá 2017. Dentre todos os produtos florestais, somente o preço da madeira em tora de pinus registrou aumento em relação ao ano passado (7,0%).

Fornecedores de chapas projetam cenário otimista

A publicação ainda aponta que a valorização do real frente ao dólar reduziu os custos com a importação de fertilizantes e insumos utilizados na produção florestal e contribuiu para que a inflação do setor de árvores plantadas fosse inferior ao aumento geral de preços. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) ficou em 6,3% em 2016, o Índice Nacional de Custos da Atividade Florestal (Incaf-Pöyry) – foi de 3,5%.

“Ainda assim, nos últimos anos, a produção de madeira tem ficado mais cara no País e tornado a manutenção da competitividade do setor florestal brasileiro em nível internacional um grande desafio”, aponta o relatório. Em 2015, a inflação do setor de árvores plantadas – medida pelo Índice Nacional de Custos da Atividade Florestal (Incaf-Pöyry) –, foi de 12,8% e esta curva ascendente tem sido apontada como uma tendência.

Visão das fabricantes de painéis de madeira

Para encerrar esse assunto recorrente no setor moveleiro, falamos com as fabricantes de painéis de madeira. Para a diretora comercial e de marketing da Berneck, Graça Berneck Gnoatto, esse é um assunto que muito poucas vezes está em pauta e, todas as vezes que chega, percebe-se que é colocado por pessoas que desconhecem o setor. “Imagina um setor que há décadas vem trabalhando sem sequer conseguir repassar ajustes de inflação ao ponto de os preços hoje estarem mais baixo que há dez anos. Isto é oligopólio?”, indaga e acrescenta.

Consumo de chapas cresceu em janeiro deste ano

“Em menos de dez anos dobrou o número de empresas fabricante de painéis de madeira. Isso é oligopólio? A cada instante precisamos estar se reinventando para poder melhor atender nossos clientes que também precisam estar colocando à disposição o melhor produto, com baixo custo, para competir com os eletros domésticos e eletrônicos, etc., para não serem sucumbidos. A Berneck sempre trabalha com o objetivo de cada vez mais fortalecer o setor no qual estamos inseridos e temos muito orgulho”, frisa Graça.

Divulgação Braspan

Braspan painéis de madeira

Fabricantes não acreditam em oligopólio pela alta competição entre eles

O diretor comercial da indústria moveleira e revenda madeireira da Eucatex, Paulo Freitas, pensa que não há um oligopólio no mercado de painéis de madeira. “O Brasil é, hoje, um país que possui um conjunto grande de empresas com estratégias distintas para o mercado interno e externo. Isso faz com que tenhamos investimentos que atendam às diferentes demandas, e assegurem ampla competitividade das empresas no Brasil e no exterior”, afirma.

O presidente do Conselho de Administração da Placas do Brasil, Luis Soares Cordeiro, também não tem essa percepção. “Os preços são muito próximos porque o MDF é quase uma commodity e as tecnologias aplicadas são praticamente as mesmas com custos de produção muito próximos”, diz.

Fornecedores de chapas têm objetivos claros para este ano

“A questão é ou não é polêmica? Tudo depende do ponto de vista de cada observador e avaliador deste mercado”, resume o diretor comercial da Floraplac, Argeu Duarte Junior. “Não acredito, é uma questão de mercado mesmo”, aponta o gerente comercial da Lopar, Wilmar Trindade.

“Nós sempre tentamos ver as coisas de forma positiva. Consideramos que há players que conquistaram com esforço e profissionalismo sua condição e estatura. Vemos com bons olhos o sucesso de boa conduta”, opina o gerente de marketing da Greenplac, Marcelo Temoteo. “Não acredito. A competição é grande entre os maiores fabricantes que precisam colocar suas produções nos clientes”, enxerga o sócio-diretor da Braspan, Astor Weiss Junior.

Venda da Masisa e entrada de novos players

O diretor da revestidora de painéis também enxerga com bons olhos a entrada de novos players que está para ocorrer neste ano. “Devemos, ainda, ter incremento de volume de outra grande produtora do Norte do País, o que para nós é excelente”, diz. Trindade, da também revestidora Lopar, acredita que “se o Brasil estivesse em pleno vapor todos estariam muito bem, mas infelizmente a entrada de mais duas empresas certamente fará com que o preço estabilize ou regrida”, assinala.

Freitas, da Eucatex, considera positiva a compra da Masisa. “A Arauco é uma grande empresa, com alta tecnologia e possibilita novos desafios para o mercado”, analisa. “A Floraplac enxerga como oportunidade para as duas novas empresas e sobre a compra da Masisa pela Arauco, excelente para todo o mercado consumidor”, destaca Duarte Junior.

Consumo de chapas em 2017 registra saldo positivo

Temoteo, da Greenplac, deseja muito sucesso na nova empreitada da Arauco e da Placas do Brasil e na consolidação das linhas e das políticas comerciais. “A Greenplac vem para o mercado para se juntar a empresas sérias e de sucesso, para somar e contribuir para o crescimento do setor moveleiro”, menciona. “A chilena Arauco é uma grande empresa e certamente contribuirá ainda mais para o desenvolvimento da indústria brasileira de painéis de madeira”, enfatiza Cordeiro, da Placas do Brasil, enquanto Weiss Junior, da Braspan, acha ótimo, pois é um “sinal de que o mercado esta saudável e com expectativa de crescimento”.


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