Verona: “O cenário da economia para 2015 é assustador”

Otimismo do presidente da Amoesc e Simovale, Osni Carlos Verona, foi neutralizado pelo novo cenário da economia brasileira

Publicado em 10 de fevereiro de 2015 | 14:45 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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Divulgação MB Comunicação

Osni Verona fala sobre a economia brasileira

Osni Verona, presidente da Amoesc/Simovale

Os percalços da economia com o Custo Brasil, o aumento da carga de tributos e a perda de competitividade criam – na visão de Osni Verona, presidente da Associação dos Moveleiros do Oeste de Santa Catarina (Amoesc) e do Sindicato das Indústrias Madeireiras e Moveleiras do Vale do Uruguai (Simovale) – “um cenário assustador na economia que desanima investimento da indústria em tecnologia e inovação”.

Confira abaixo entrevista com Verona, que tem 53 anos, é mestre em gestão e auditoria empresarial, tem pós-graduação em design e novas tendências, em gestão da produção e em administração de empresas. Têm 32 anos de experiência como gerente de produção na área madeireira, consultoria de indústria de móveis, desenvolvimento de supervisores e chefe de setores, designer de móveis, consultor na área de desenvolvimento produtivo empresarial, palestrante na área de empreendedorismo empresarial e proprietário da indústria Verona Móveis Ltda.

Portal eMobile – Qual a avaliação que você faz do ano de 2014 para o setor das indústrias de móveis do grande oeste de Santa Catarina? Houve crescimento ou recuo na produção e no faturamento médio das empresas? Por quê?
Osni Verona – O setor teve um desempenho com uma grande sensação de empate técnico, algumas empresas tiveram um crescimento na ordem de 1,8% e outras fecharam em até 2% negativos.

A isenção temporária do IPI sobre os móveis foi importante para o incremento das vendas em 2014? Por quê?
Verona – Com o ‘custo Brasil’ e sem uma logística favorável para o nosso grande oeste, aonde a matéria-prima vem de outros Estados para ser transformada em produtos e depois volta para todos os Estados do Brasil, a isenção amenizava um pouco. Mas, não resolvia, porque 97% são empresas que estão enquadradas no regime tributário do Simples Nacional.

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Qual foi o desempenho das indústrias moveleiras do oeste nas exportações em 2014? A situação cambial ajudou ou atrapalhou?
Verona – O câmbio favoreceu as negociações para novos contratos, porém, os custos da mão de obra e da matéria-prima estão absurdamente elevados, comparando-se os valores pagos e o resultado da baixa produtividade. Assim, fica difícil fazer frente à competitividade no mundo dos negócios em esfera internacional. É provável que ocorra o sucateamento das empresas em face das nossas desvantagens com altos impostos e aumento da carga tributária sobre as empresas. O cenário que se desenha para 2015 é assustador e desanima investimento da indústria em tecnologia e inovação.

Divulgação Jorge Mariano/Revista Móbile

Economia polo do oeste catarinense

No polo do oeste catarinense, o desempenho do setor moveleiro teve empate técnico segundo Verona

A realização da Mercomóveis 2014 impulsionou o setor, embora o ano tenha sido marcado por muitas feiras econômicas que fracassaram? Ou não teve nenhum efeito mercadológico?
Verona – A Mercomóveis fez a média de resultado do setor subir, mas, apenas 10% das empresas investem na Feira. Constatamos o crescimento de pequenas marcenarias que desenvolvem móveis em MDF com no máximo cinco funcionários. No geral, a feira proporcionou boas vendas e animou o setor. Nossa meta é ampliar o número de indústrias moveleiras nas próximas edições.

Quais suas previsões para 2015? O grau de dificuldade para as empresas em geral aumentará?
Verona – O sentimento geral é de pessimismo. Para transformarmos 2015 em um ano promissor seria necessária uma nova política industrial que favorecesse a indústria de transformação, diminuindo o custo de transporte até os portos, alíquota diferenciada nos impostos e custo do combustível compatível com cada mesorregião.

“Não precisa ser um expert em economia para descrever o cenário infernal que vai virar este país sem rumo, sem planejamento, sem controle de gastos e sem foco. Enquanto isso, os crimes do ‘colarinho branco’ estão cada vez mais escandalosos e assustadores”

Quais as reivindicações que o Amoesc/Simovale sustentará em 2015 em favor do setor?
Verona – Nossa bandeira será lutar para diminuir os impostos, criar incentivos fiscais para as empresas e melhorar a infraestrutura do grande oeste, cuja malha viária está deteriorada. Vamos reivindicar a desoneração da folha para micro e pequenas empresas porque o Simples está complicado para suportar e ter rentabilidade sustentável para crescer. O custo de mão de obra ficará insustentável em médio prazo e o fechamento de empresas será inevitável em razão dos encargos sociais que pesam e deixam as empresas menos competitivas e mais estagnadas.

Quais as ações que o Amoesc/Simovale pretende desenvolver para a promoção do setor de móveis em 2015?
Verona – Participar de debates com mais firmeza junto a Fiesc para proteger o setor de aumento de carga tributária e leis que vêm de cima para baixo, em velocidade da luz, para atrapalhar a vida das empresas. Precisamos lutar contra estas leis injustas e irracionais, pois, uma parcela das indústrias está vegetando e ficando cada vez mais endividada.

Em que nível se encontra a indústria moveleira do grande oeste catarinense em termos de qualidade, design, materiais, etc.?
Verona – Estamos competindo nacional e internacionalmente em design e com matéria-prima cada vez melhor, o que nos permite produzir em todos os segmentos de móveis em madeiras, chapas em MDF, metais e estofados com qualidade internacional, móveis ergonômicos com formas para multiuso decorativos e aconchegantes, tornado os ambientes mais leves e descontraídos.

(com informações da MB Comunicação)


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