Mudança sustentável na indústria global de mobiliário

Fabricantes de painéis para móveis de interior estão substituindo a resina adesiva de ureia-formaldeído por MDI, substância que melhora a qualidade do ar interior por não gerar emissões nocivas de formaldeído

Publicado em 8 de dezembro de 2016 | 10:13 |Por: Cleide de Paula

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edition6_5_02-1O consumo mundial de móveis alcança os US$ 455 bilhões, segundo o Panorama Mundial do Móvel 2016, do Centro para Estudos Industriais (CSIL). Por sua vez, o segmento mundial de painéis de madeira está avaliado em US$ 16 bilhões, de acordo com dados da Global Market Insights, uma empresa de pesquisa de mercado e de consultoria de gestão.

Os dados falam por si: este é um mercado muito representativo, cujos produtos fazem parte da vida de milhões de pessoas. O que poucos sabem é que os painéis de fibras (MDF) e de partículas (PB) utilizados na produção de muitos móveis de interior são feitos com a resina adesiva de ureia-formaldeído (UFFI), que gera emissões de formaldeído ao longo de sua vida útil.

Acontece que a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (International Agency for Research on Cancer – Iarc), da Organização Mundial da Saúde (OMS), classifica o formaldeído como composto cancerígeno em seres humanos, o que representa um risco para a saúde. Por esse motivo, o objetivo da indústria é migrar para uma resina mais segura e sustentável, como o diisocianato de difenilmetano (MDI), que permite atingir os cada vez mais restritos padrões internacionais de qualidade do ar, como as normas norte-americanas do Conselho de Recursos Atmosféricos da Califórnia (Carb).

“No mundo, as regulamentações que controlam a emissão do formaldeído que estes painéis têm estão ficando cada vez mais exigentes. Quando estão curados e os móveis chegam às casas dos consumidores, eles liberam com o tempo partículas desta substância. Por isso, todos os painéis são classificados com um selo de qualidade, que pode ser o CARB Fase 1 ou o CARB Fase 2, segundo a norma dos Estados Unidos, ou o Padrão Europeu de Emissões (E2, E1, E0 ou SE0), que indica o potencial de emissão que o painel em questão irá gerar”, diz Jennifer Sabbagh, Gerente de Marketing para América Latina.

A transição para o MDI

edition6_5_01As empresas da América Latina que exportam sua produção, ou querem fazê-lo para regiões com selos de classificação, estão começando a substituir o formaldeído por MDI para garantir o cumprimento destes requerimentos internacionais. A Dow está comprometida em guiar os fabricantes da região nesta transição, o que permitirá que alcancem os padrões necessários para operar nestes mercados e melhorem a qualidade do ar que todos respiramos, como também usuários finais dos móveis.

“Outra vantagem da resina MDI em relação à ureia-formaldeído é que ela absorve muito menos umidade, permitindo fabricar painéis que não se deformam tanto por inchaço e são mais duráveis. E com a operação do novo complexo de Sadara, resultado da joint venture entre a Dow e a Saudi Aramco, teremos a disponibilidade ideal de MDI para atender esta nova demanda da indústria”, acrescenta Jennifer.

Outro diferencial valioso é que a Dow, frente a alguns concorrentes de abrangência global, tem uma grande presença técnica na América Latina. Isso é crucial para os fabricantes de painéis de madeira, que recebem atenção técnica personalizada de forma ágil. Isso é fundamental para a realização de testes nesta etapa de transição.

“Temos técnicos e laboratórios em toda a região; não precisamos trazer especialistas de outras geografias para dar o suporte a nossos clientes na América Latina. Isso é algo valioso para podermos atender aos exigentes tempos de resposta que demandam os negócios de hoje”, conclui Jennifer.

“Com a operação do novo complexo de Sadara, teremos a disponibilidade ideal de MDI para atender esta nova demanda da indústria”, Jennifer Sabbagh, Gerente de Marketing para América Latina

DESAFIOS ADIANTE

Os fabricantes da América Latina, mesmo não havendo hoje uma regulamentação tão restrita como a do CARB ou a da União Europeia, entendem cada vez mais que a mudança rumo ao MDI é inevitável. Esta tendência se vê mais acelerada, uma vez que vários produtores do mercado global já optaram por migar para uma resina mais sustentável como o MDI, estabelecendo novas regras de competitividade.

TIPOS DE PAINÉIS
MDF (Medium Density Fiberboard – Painel de Fibras de Média Densidade)
Aplicação: móveis de interior
Resina aglutinante: ureiaformaldeído (UFFI) → Transição para o diisocianato de difenilmetano (MDI)

PB (Particleboard – Painel de Partículas)
Aplicação: móveis de interior
Resina aglutinante: ureiaformaldeído (UFFI) → Transição para o diisocianato de difenilmetano (MDI)

OSB (Oriented Stand Board – Painel de Tiras de Madeira Orientadas)
Aplicação: estruturas de construção
Resina aglutinante: diisocianato de difenilmetano (MDI)

(com informações da Dow)


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