Investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos ainda é baixo nas indústrias nacionais

Gestão de pesquisa e desenvolvimento de produtos deve transcender de um espaço exclusivo e englobar toda a cultura da empresa

Publicado em 4 de janeiro de 2018 | 8:00 |Por: Pedro Luiz de Almeida

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Comparada com as indústrias de países desenvolvidos, a indústria brasileira está muito atrás em investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos. Setor muito debatido devido a relevância para um setor mais competitivo, inclusive para a indústria de móveis.

De acordo com um estudo conduzida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), de 2011 a 2015, para cada 10 mil pesquisadores empregados, as empresas nacionais obtiveram 32 patentes no escritório de patentes dos Estados Unidos, o USPTO. No mesmo período, a mesma média de profissionais americanos registrou mais de mil patentes. O estudo da Fapesp revela que das dez maiores solicitantes de patentes, somente três são do setor privado e as outras sete compreendem universidades e institutos de pesquisas. Já nos Estados Unidos, todas as dez maiores solicitantes são empresas

Esse cenário comprova o que há muito tempo se debate: a necessidade das empresas brasileiras investirem mais em P&D e buscar parcerias com institutos de inovação e universidades. “O investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos é uma consequência do processo de inovação, sendo o único caminho pelo qual as empresas conseguem sobreviver no segmento que atuam”, firma o co-fundador e diretor de tecnologia do Grupo WTW e pesquisador e coordenador do MBA em inovação, Kenneth Corrêa.

 

O estudo da Fapesp revela que das dez maiores solicitantes de patentes, somente três são do setor privado e as outras sete compreendem universidades e institutos de pesquisas. Já nos EUA, todas as dez maiores solicitantes são empresas

 

O investimento em pesquisa e desenvolvimento também foi foco de estudo de pesquisas conduzidas pelo Instituto Nacional de Economia Aplicada (Ipea), com base, também, em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). O levantamento comprovou que empresas que lançam produtos com características inovadoras conseguem preços até 30% maiores do que da concorrência. Além disso, essas organizações têm 16% mais chances de se tornarem exportadoras.

Investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos

Entretanto, o cenário de investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos no País ainda é baixo. Em 2014, período mais recente para o qual há dados sobre o assunto, investiu-se no Brasil 1,27% do PIB em atividades de P&D — cerca de R$ 73,6 bilhões. Os dados são do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

É importante destacar que, mesmo tendo um percentual baixo de inovação, a maior parte desse número é representada por marcas dos setores de eletroeletrônicos, automobilísticos, comunicação e petróleo e gás. Ou seja, há uma participação muito pequena de organizações de outros mercados, principalmente o moveleiro.

“Entendemos que a competitividade está no domínio do ciclo de desenvolvimento do produto e isso pode estar em qualquer segmento, inclusive o moveleiro. E, quanto mais aprimorarmos o desenvolvimento tecnológico e de entrega de produtos com maior tecnologia e melhor qualidade, mais vamos influenciar o mercado. Hoje, na verdade, para você sobreviver você precisa investir em P&D e inovação”, defende a diretora executiva da P&D Brasil, Rosilda Prates.

Para o diretor executivo da Siq Marketing, Maurício Siqueira os empresários do setor moveleiro devem ir para a rua, com o intuito de perceber quem é o consumidor. “Pesquisar não precisa de um investimento alto, dá para, sair na rua observando como as pessoas que compram, visitar feiras de design, arquitetura e decoração, e também monitoras o consumidor pelas redes sociais”, aconselha Siqueira.

Margem de investimento em P&D

Corrêa pontua que antes de falar em investimento em P&D dentro da empresa, é fundamental que a organização tenha uma cultura de inovação. Segundo ele, não há uma margem correta de investimentos que uma marca deva fazer em pesquisa e desenvolvimento, mas, normalmente, indústrias mais desenvolvidas destinam de 3% a 7% do faturamento para essa finalidade. Já aquelas que não possuem uma cultura de inovação, destinam menos de 1%.

Na P&D Brasil, que congrega um ecossistema de empresas que tem um DNA voltado ao investimento em P&D, Rosilda comenta que o investimento dessas companhias é em torno de 14% em cima do faturamento apurado. Isso porque, conforme explica a dirigente do instituto, essas empresas entendem que o retorno é proporcional ao quanto se investe, tanto em faturamento quanto em riquezas para todo o País.

 

Atualmente, há iniciativas como a Lei do Bem e a Lei da Informática que visam redução de impostos para empresas que, em contrapartida, se comprometem a investir parte do faturamento em P&D

 

“Precisamos participar da cadeia global de valores e apoiar a gestão da cadeia de negócios do País, com um percentual equilibrado de indústrias com níveis de desenvolvimento tecnológico, para que elas também exportem e mantenham aqui uma geração de riquezas e estimulem a criação de postos de trabalho com qualificação”, coloca Rosilda, que convida os industriais moveleiros a conhecer mais sobre o trabalho da P&D e fazer parte do ecossistema da instituição.

Somando forças

A parceria entre empresas do setor privado com institutos de pesquisas e universidades é uma das apostas mais eficazes para agregar o fator inovação para dentro da organização. Principalmente para aquelas que estão começando a implantar um setor próprio de P&D.

Entretanto, no Brasil, esse cenário não é muito efetivo e há falta de comunicação entre empresas e academia. “Quando você pega países mais desenvolvidos isso é parte intrínseca na cultura deles, então os institutos de pesquisa não são financiados pelo governo, são financiados pelo mercado”, salienta Corrêa.

Nos Estados Unidos, dos US$ 456 bilhões destinados em investimento em pesquisa e desenvolvimento de produtos no ano de 2013, 71% (US$ 323 bilhões) foram provenientes do setor privado e, apenas, 9% por parte do governo federal. Aqui, conforme dados da Pintec 2014 – Pesquisa de Inovação Tecnológica, divulgada no ano passado, cerca de 14% apenas das empresas da indústria mantêm alguma parceria com instituições de pesquisas ou universidades.

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