Entrevista: Interprint comenta sobre as tendências do novo morar

Designer da multinacional alemã Interprint, Rafaela Grochewski explica como as tendências do novo morar impactam a criação de novos décors

Publicado em 31 de dezembro de 2017 | 8:00 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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O design de interiores e os espaços de vida das pessoas se transformaram ao longo dos anos. Com isso, novas formas de morar surgiram e estão surgindo e as pessoas estão modificando seus lares conforme seus gostos e individualidades. Essas mudanças sociais fazem parte de algumas tendências do novo morar que impactam o design de interiores e, consequentemente, a criação do mobiliário, a decoração dos ambientes e o desenvolvimento, também, de décors que revestem o móvel. Sobre esse assunto, convidamos a designer da Interprint, Rafaela Grochewski, para explicar todas essas mudanças e como a multinacional alemã está atento a elas.

Portal eMóbile | Na visão da Interprint, como o design de interiores e os espaços de vida das pessoas se transformaram ao longo dos anos?
Rafaela Grochewski | Os espaços se tornaram muito mais flexíveis ao longo dos anos. Coabitamos espaços, dividimos o que é trabalho e vida privada, o que é individual e comunitário. Compartilhamos ideias e gerações em uma mesma casa e dividimos nosso apartamento com convidados pelo AirBnB. Trabalhamos de casa com a ajuda da tecnologia, sem precisar de paredes para dividir os espaços. Os ambientes hoje coexistem, e são uma resposta criativa e totalmente aceitável as necessidades dos seus habitantes. (Quase) nada mais é estático em nossos lares, todo ambiente se tornou ‘vivo’. Alguns quartos são grandes, outros menores e enquanto isso a área de jantar se integrou à cozinha. Temos um banheiro no quarto e uma cozinha na sala de jantar. Nossos lares se adaptam aos nossos estilos de vida, em não mais o contrário.

Portal eMóbile | Para a Interprint, quais são os itens que influenciam o novo morar das pessoas? Como as pessoas transformam o lar delas atualmente diante de seus gostos e individualidades?
Rafaela | As casas se transformaram em lares, o lar se tornou um refúgio. Com cidades cada vez maiores, nossos lares têm uma importância cada vez maior. É necessário criar um espaço para sentir a si mesmo, no qual o mundo esteja no lugar. Não importa se sozinho, em casal, ou dividindo um apartamento. A decisão por cores, materiais, estilos refletem o que é esse sentimento de segurança para cada casa.

 

Segundo Rafaela, os lares se adaptam aos estilos de vida das pessoas e não mais o contrário

 

Portal eMóbile | O minimalismo e a naturalidade também são peças-chaves do novo morar? Se sim, como elas influenciam o design dos espaços de vida? Se não, quais são?
Rafaela | Não seria muito melhor pensar em originalidade? Quando nossas ideias se traduzem em nossas necessidades, sentimos que tivemos nossos desejos compreendidos. E isso transforma e influencia nossos espaços de vida. Sem aqueles que adotam o minimalismo, o que seria de quem gosta do maximalismo? Acredito que as peças chaves no morar seja o que transforma a casa em um ambiente que traduz as necessidades de quem habita esse lar!
A naturalidade pode ser obtida através de uma imperfeição? Parece-me que sim… A perfeição não é tão original, é apenas uma cópia. Se sempre procuramos a perfeição, somos destinados a nunca falhar e a falha faz parte de qualquer processo e existe muita beleza no processo! Habitar um espaço é um processo, e essa é a essência do design: observar essas transformações: modificamos a sala, quebramos paredes, depois alteramos o quarto, movemos móveis, redecoramos. As transformações influenciam nossos espaços.

Portal eMóbile | A empresa realizou o “co-creation” para identificar tendências do novo morar e entender os desejos do novo consumidor. Quais são as observações da empresa até então e como elas estão relacionadas ao novo morar?
Rafaela | É clichê, mas o conhecimento é o único bem que quando compartilhado se multiplica, e a Interprint acredita nessa premissa. Todo mundo sabe algo que pode beneficiar o outro e aqueles que compartilham suas expertises hoje, irão aprender algo de valor de outro alguém no futuro. O co-creation foi uma experiência criativa para a Interprint, com um sentimento que não teria como ser melhor. Nosso convite para a cooperação com designers europeus, garantiu uma inspiração recíproca e proporcionou uma troca de ideias relacionada a tópicos contemporâneos relacionados a design. Buscamos designers conectados a realidades multiculturais, a fim de identificar tendências e necessidades. O design de um décor deve ser elaborado a partir da experiência de viver e essa co-criação nos proporcionar ampliar nossas possibilidades de exploração de combinações, de materiais, e de texturas.

Portal eMóbile | Como as mudanças sociais e as tendências do novo morar impactam a criação de novos designs? Para a Interprint, qual a importância que a indústria moveleira deve dar a esse tema?
Rafaela | Por mais que muitas vezes pareça que os efeitos da digitalização afastem as pessoas, as pessoas são seres sociais! Fazer coisas juntas é a melhor forma de deixar de estar sozinho. E isso pode ser no meio digital ou no analógico. Cooperamos, colaboramos e co-criamos. O ‘compartilhamento’ é um imenso mercado, livre e aberto de conhecimento, habilidades e que demanda empatia. Oferecemos e recebemos, e assim, todos se beneficiam.

– Confira os tons que a Cipatex aponta com tendências

A indústria moveleira deve ser adaptável a essa transformação. Espaços inteligentes e versáteis são necessários em ambientes que há muitas pessoas trabalhando e convivendo. Se podemos trabalhar no mesmo espaço que as crianças brincam, o mobiliário deve ser adaptável as nossas rotinas. Adaptabilidade e flexibilidade são necessidades atuais dos espaços, e quanto mais versáteis possíveis os móveis, melhor! Além disso, a tecnologia está se tornando integrada ao mobiliário, e o que era complexo antes, se torna banal hoje. Além disso, quando eliminamos as paredes de um ambiente, abrimos espaços para o mobiliário, estendendo-o a uma possível perspectiva de 360 graus.

Divulgação Interprint

tendências do novo morar

“Acredito que as peças chaves no morar seja o que transforma a casa em um ambiente que traduz as necessidades de quem habita esse lar”, diz Rafaela

Portal eMóbile | A empresa enxergou quatro tendências do novo morar: de/materialised, non_conform, co-everything e un_limited. Como a empresa chegou a esses resultados?
Rafaela | Por sermos líderes em design, a Interprint está constantemente observando o mundo. É um exercício diário de compreensão da sociedade. Nossa equipe de design é apaixonada pelo que se move, pelo que se transforma e é inspirador observar as constantes mudanças da sociedade. Acreditamos que o futuro não está mais tão longe e se move para cada vez mais próximo. Em termos de design, a transformação é um movimento, e o movimento é vivo. Algo muito pequeno nos impulsiona a pensar algo em escala global, a riqueza cultural e os valores de cada país nos auxiliam a ter uma visão de mundo ampla, e a diversidade de espaços nos obriga a observar essas constantes revoluções. A expertise da Interprint é traduzir essa diversidade em possibilidades. Cada um dos quatro tópicos refletem as diversas faces das transformações.

Portal eMóbile | Como cada uma dessas tendências impacta o novo morar? O material que não é material, a busca pelo imperfeito, a economia compartilhada, o aconchego do “Hygge”, são tendências já presentes no novo morar brasileiro ou que estarão mais fortes nos próximos anos?
Rafaela | Para além das tendências do novo morar de curta duração, experienciamos as transformações de toda uma era, e não podemos resumir esta era em algumas palavras. Como pensamos, sentimos e agimos, reflete como um espelho o espírito da nossa vivência. Todas essas tendências já estão sendo observadas, afinal as tendências são o reflexo de inspirações e insights já observados. Mesmo que essas tendências tenham nomes com origem fora do Brasil, por aqui também é possível observar essas transformações.
O hygge mesmo de origem escandinava, é possível de ser traduzido para o nosso clima trópico. A busca pela imperfeição, eu poderia dizer que é a aceitação da não-perfeição, de que o que é diferente é o único e diferente, e traz um sentimento de exclusividade e singularidade. A economia compartilhada é visivelmente a mais fácil de ser observada através de diversos serviços como AirBnB (que compartilhamos a nossa casa!); e espaços de co-working (que necessitam de mobiliários pensados para proporcionar a colaboração). A desmaterialização transformou produtos em serviços e é um campo que para mim, pode ainda ser muito explorado.

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