Indústria moveleira do PR precisa repensar frota própria, mercados e certificações

O estudo Panorama Setorial Moveleiro, conduzido pela Fiep, traz sugestões para fabricantes de móveis melhorarem as estratégias de mercado

Publicado em 23 de junho de 2016 | 11:40 |Por: Cleide de Paula

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Segue até 23 de junho, na sede do Sebrae/PR, em Curitiba, o evento Paraná Móvel que aborda o tema: “Crescendo na crise: como vender mais e melhor no setor moveleiro”. A programação do primeiro dia do evento contemplou uma rodada de palestras e a do segundo é dedicada a oficinas que contam com os facilitadores Roberto Roehrig (Simulador de Vendas) e André Luiz Turetta (Design Thinking).

Luis Gustavo Comeli, consultor do Sebrae e coordenador do projeto Agentes Locais de Inovação (ALI) fez abertura do evento, explicando que a formatação do evento se deu a partir da aproximação entre o Sindicato da Indústria do Mobiliário e Marcenaria do Estado do Paraná (Simov), o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e o Sebrae. “Propus que pensássemos em algo para apoiar os fabricantes de móveis de forma a agregar mais valor a essa indústria, como soluções ou iniciativas que pudessem formar uma agenda positiva”, destacou.

Comeli frisou ainda que o sucesso desta edição do evento abriu espaço para que fosse formatado um novo evento nos mesmos moldes. “Temos um pré-evento agendado para o mês de novembro”, adiantou.

Mercado de móveis paranaense

Jerri Adriani Chequin, da Fiep, conduziu a apresentação “Panorama setorial moveleiro: dinâmica do mercado de móveis paranaense”, que trata dos resultados prévios de uma pesquisa realizada pela entidade com 343 indústrias paranaenses (58 na região Oeste; 135 no Centro e 150 no Norte).

Os fabricantes de móveis do Paraná

21 anos, em média, é o tempo de atuação das empresas participantes da pesquisa. 194 se voltam à produção de móveis sob medida, 45 ao móvel modular e 104 ao seriado. 34% das indústrias contam com até 10 funcionários e 19% tem entre 11 e 19 e 24% empregam entre 20 e 49 pessoas. Somente 12% contam com mais de 99 colaboradores.

O propósito do estudo, realizado em parceria com os sindicatos empresariais distribuídos pelo estado, é realiza um estudo de competitividade da cadeia do setor moveleiro paranaense, descrevendo a dinâmica do mercado e a eficiência na relação entre os elos produtivos.

Dentre os temas abordados no estudo estão cadeia produtiva, cadeia de valor, governança, gerenciamento da cadeia de suprimentos, e dados sobre mercado moveleiro.

Mercado externo

As entrevistas qualitativas e quantitativas demonstram baixo interesse dos empresários para com as exportações de móveis. A causa do desinteresse pode ser falta de visão sobre o mercado internacional. Em 2015, as importações mundiais de móveis somaram US$ 145,21 bilhões. Estados Unidos, Canadá, Alemanha e Reino Unido, juntos, respondem por 54% desse volume.

As respostas mais frequentes para a pergunta “Por que sua empresa não exporta” foram: não tem volume de produção suficiente (41%) e não tenho acesso aos canais (17%). Dentre as empresas ouvidas, muitas já fizeram exportações e deixaram de exportar principalmente pela elevação dos custos para exportar (33%) e perda de contato com os clientes (22%).

Logística

A logística foi outro gargalo encontrado pelo estudo. 71% das empresas utiliza frota própria para fazer a entrega de produtos e 44% se valem de frota contratada. 89% dos entrevistados afirmaram não ter interesse em mudar seu sistema de logística, 1% não soube avaliar e 10% demonstrou interesse em mudar a forma de transporte. Dentre esses, 49% considera fazer a troca por frota própria.

Segundo Jerri Adriani Chequin, a destinação de recursos e de esforços na gestão do transporte pode prejudicar o desempenho dessas moveleiras.

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Canais de distribuição

No aspecto canais de distribuição, os resultados preliminares são os seguintes:

Número de empresas que usam o canal Canais de comercialização utilizados Volume de vendas representado pelo canal
238 Venda direta (lojas próprias, franquias e multimarcas) 69% – usam o canal 88%
86 Venda através de magazines 25% 81%
51 Internet – 15% 29%
40 Distribuidores atacadistas – 12% 64%

Em relação a aquisição de matérias-primas, o resultado foi o seguinte:

Matéria-prima Fornecedores de outros Estados Estado que mais vende para o Paraná
Painéis de MDF 25% São Paulo (16%)
Madeira serrada reflorestada 14% Santa Catarina (9%)
Painéis de MDP e aglomerados 61% São Paulo (47%)
Espumas 36% São Paulo (29%)
Tecidos 84% São Paulo (64%)

A justificativa para compra de matérias-primas de fora do Paraná em geral foi preço, qualidade do insumo e prazo de entrega.

Selo de qualidade

Outro dado importante do estudo é o processo de qualificação e certificação de qualidade que mostrou 71% das empresas sem qualquer ação documentada nesse quesito e apenas 28% afrimou positivamente.

Softwares

48% das indústrias paranaenses não utilizam softwares específicos para controle de produção ou administrativos. 52% afirmaram contar com softwares, mas dentre esses, 73% informaram que o software faz controle administrativo-financeiros e 54% somente é usado para controle de produção.

Participação de mercado

67,9% da produção moveleira paranaense fica no próprio Estado e 13,9% é destinada a São Paulo, 5,2% a Santa Catarina.

Investimentos

O estudo da Fiep mostra que o entendimento sobre investimento por parte dos empresários do segmento moveleiro pode ser melhor entendido. Há muito sendo gasto com máquinas e estrutura e muito pouco com pessoas. Nos últimos 2 anos, 61% das indústrias afirmaram terem feito investimentos em ampliação, estruturação e melhorias de áreas, setores e departamentos. Contudo, ao detalharem os investimentos, 58% foi para máquinas e equipamentos e 39% para melhorias em instalações prediais. Área comercial (13%), desenvolvimento de projetos e design (7%), automação industrial (7%), controles financeiros (7%), logística e distribuição (5%), administrativa financeira (5%).

60% das empresas alegaram financiar os investimentos realizados com uso de recursos próprios e 47% utilizam linhas de financiamento bancárias.

Ao serem questionados sobre o que mais ajudaria a empresa a ampliar a produtividade na área operacional, 34% responderam, maior qualidade da mão de obra e 25% disse, melhores equipamentos.

Para pensar

Jerri Adriani Chequin explica que a percepção das entrevistas com os empresários do setor moveleiro levanta questões tais como: Quais valores são importantes para o consumidor final? Como a indústria moveleira pode melhorar sua estratégia de mercado? Como avaliar melhor os canais de distribuição e a participação de mercados. Avaliar outro modelo de transporte e embalagem pode melhorar a eficiência da distribuição? O apoio das instituições representativas do segmento moveleiro pode melhorar a integração de toda a cadeia de valor?


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