Desafios e benefícios das tecnologias de manufatura avançada na indústria moveleira

Conheça os principais obstáculos e as vantagens na introdução de processos produtivos automatizados na fabricação de móveis

Publicado em 1 de março de 2018 | 8:00 |Por: Luis Antônio Hangai

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Um conceito bastante em voga no setor industrial é a mecanização de processos produtivos com uso de automação, informática e robótica, o que popularmente ficou conhecido como Indústria 4.0 ou também como Tecnologias Avançadas de Manufatura (AMT, sigla oriunda do Inglês Advanced Manufacturing Technology). O Brasil já iniciou sua escalada rumo a essa tendência e pouco a pouco a indústria moveleira nacional reúne condições para sua implementação em ampla escala.

No entanto, uma série de desafios e entraves ainda dificultam a introdução de procedimentos assistidos por computador dentro das fábricas. A recente pesquisa Sondagem Industrial – visão dos líderes industriais paranaenses, referente aos anos de 2017 e 2018 e conduzida pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), apontou que, ao menos em território paranaense, há três principais problemas que dificultam a aplicação das AMTs.

Diretor da SCM proporciona insights da Indústria 4.0 para industriais moveleiros

O primeiro deles, apontado por 37,43% dos empresários entrevistados, é a “interrupção durante a implementação”. Em segundo, com 32,16%, aparece as “dificuldades em atingir as metas financeiras”. Depois figura, com 30,41%, a “falta de integração entre os sistemas utilizados”.

Tais obstáculos impedem ou retardam os benefícios que sistemas automatizados conferem à produtividade industrial. De acordo com a pesquisa, as principais vantagens das AMTs são redução de custos (afirmado por 37,79% dos entrevistados), aumento da qualidade (33,43%) e aumento da capacidade (28,78%).

Divulgação Homag

indústria moveleira 4.0

Indústria 4.0: benefícios em velocidade na produção, redução de custos e economia de energia elétrica

Os desafios das AMTs na indústria moveleira

Como todos os outros segmentos, a indústria moveleira no Brasil ainda batalha para colocar-se em dia com as mais avançadas tecnologias digitais de produção. Boa parte das entidades ligadas ao setor afirmam ser a escassez de conhecimento por parte de empresários e da mão de obra a principal dificuldade atual.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Irineu Munhoz, diz que a falta de conhecimento é um dos aspectos complicadores da indústria 4.0. “Acredito que exista um grande desconhecimento por grande parte de empresários moveleiros da tecnologia de automação, além do aspecto econômico, a necessidade de capital para investimento em softwares, hardware e pessoas especializadas”, afirma Munhoz.

O primeiro fator diz respeito a capacitação da mão de obra, que é um problema nacional

Apesar das entidades industriais paranaenses avançarem nessas discussões, o tema não se restringe a um único Estado. Outros polos moveleiros também apontam os desafios das AMTs nas fábricas de mobiliário. O Sindicato Intermunicipal das Indústrias de Mobiliário de Ubá (Intersind), de Minas Gerais, atribui à falta de competência técnica e a despreocupação do governo brasileiro como as principais barreiras do avanço tecnológico.

“O primeiro fator diz respeito a capacitação da mão de obra, que é um problema nacional. Em Minas Gerais temos boas escolas técnicas e em Ubá há muitos cursos técnicos para esse novo conceito industrial. Trata-se de tema que precisa ser trabalhado desde a oitava série, desde os 14 e 15 anos, pensando no emprego do futuro. O segundo fator é uma falta de política nacional para a indústria. Ainda há dificuldade para acesso a linhas de crédito, o custo de investimento é muito caro. O governo precisa promover facilidades a custos competitivos”, afirma o presidente do Intersind, Aureo Calçado Barbosa.

Crédito: Pixabay.

Indústria moveleira 4.0

Fator fundamental para a Indústria 4.0 é a capacitação da mão de obra e maior conhecimento por parte das empresas

Os benefícios da Indústria 4.0

A Móveis Rimo, com sede em Linhares (ES), está equipando sua parque fabril com AMTs. A empresa reforça o coro de que os desafios para implementação tangem o plano político e econômico, mas o desafio vale a pena por conta dos inúmeros benefícios inerentes à dinâmica da automação.

“Devido à crise dos últimos anos, temos muita ociosidade em nossas indústrias. É preciso o mercado recuperar para os investimentos voltarem a acontecer. Mas os benefícios da indústria são muitos. Desde pequenos setores até toda a empresa. O grande diferencial é, com certeza, permitir ser mais competitivo e manter o padrão de qualidade do produto”, diz Luiz Rigoni, presidente da Móveis Rimo.

O grande diferencial é, com certeza, permitir ser mais competitivo e manter o padrão de qualidade do produto

Para Barbosa, do Intersind, as AMTs se adequam perfeitamente às características da indústria moveleira, configurando-se em uma terceira fase após o uso de serrotes e da serra mecânica.

“Alguns dos benefícios mais evidentes são a velocidade na criação de novos modelos de produtos e a dedução de custos. Mas eu gostaria de salientar a economia energética. Hoje a política brasileira de energia elétrica é como uma loteria. Você tem que adivinhar o preço da energia futura para elaborar os custos, e isso é extremamente sazonal: depende do volume de recursos hídricos e do combustível fóssil. Na Indústria 4.0, as máquinas são de altíssima eficiência no consumo de energia elétrica. Um parque industrial funciona a base de robôs que não param e consomem pouca energia. Isso é determinante para a eficácia da indústria moveleira”, explica Barbosa.


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