Máquinas e equipamentos: retomada em outubro

Levantamento da Abimaq sinaliza crescimento na indústria de máquinas e equipamentos, mas índices não devem ter grandes variações

Publicado em 27 de novembro de 2014 | 10:17 |Por: Julia Zillig Rodrigues

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Arquivo Revista Móbile

Indústria de máquinas e equipamentos segue novo ritmo de crescimento, mas não fecha o ano com bons resultados

Indústria de máquinas e equipamentos segue novo ritmo de crescimento, mas não fecha o ano com bons resultados

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos mostrou sinais sensíveis de recuperação em outubro, segundo os indicadores conjunturais divulgados pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O consumo aparente no período cresceu 5,3% em relação a setembro, porém ainda é 14,9% inferior ao resultado do mesmo mês de 2013. O consumo aparente mensal (market share), de acordo com o levantamento, sinalizou a continuidade da maior participação dos produtos importados – saltou de 50% em 2008 para 72% em 2014, o que mostra a perda de espaço das máquinas nacionais nesse cenário.

O faturamento bruto mensal apresentou em outubro um aumento de 6,9% sobre o mês anterior, dando continuidade ao movimento de elevação iniciado no início do segundo semestre desse ano. Comparando com o mesmo mês do ano anterior,  o índice registrou queda de 11,7%. Segundo a Abimaq, “a relativa estabilidade de agosto combinada com crescimentos consecutivos em setembro e outubro confirmam nossas expectativas de início de retomada”.

No que diz respeito às exportações, os números aos poucos voltam a ser favoráveis. As vendas externas de máquinas e equipamentos em outubro (US$ 1,056 bilhão) foi 6,3% maior do que o valor registrado em setembro deste ano. No entanto, quando se fala nos resultados do mesmo mês de 2013, observa-se uma queda de 4,4%.

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Por setores, a exportação de componentes para a indústria de bens de capital teve maior destaque, com um aumento das vendas externas na ordem de 21,8% em outubro. Os principais destinos que receberam os produtos brasileiros foram a América Latina – que apesar disso vem sinalizando queda constante desde 2011 – Estados Unidos e Europa.

Em outubro, foram importados US$ 2,419 bilhões em máquinas e equipamentos, com crescimento de 1,2% em relação a setembro e queda de 18% se comparado ao mesmo mês do ano anterior. As principais origens das importações são a China, Estados Unidos, Alemanha e Itália. Juntos, China e Estados Unidos representam 43% das importações brasileiras.

A balança comercial seguiu deficitária em outubro. O saldo no período foi de US$ 1,263 bilhão, contabilizando uma queda de 3% em relação a setembro. No acumulado, o déficit já acumula US$ 12,999 bilhões – redução de 24,2% se comparado a 2013.

Para Mario Bernardini, diretor de competitividade, economia e estatística da Abimaq, “o ano está praticamente fechado e não há perspectivas de grandes variações nos índices”. Segundo ele, o consumo aparente deve fechar negativo em 10%, assim como o faturamento nominal.

O diretor destacou que a indústria brasileira vai acumular o terceiro ano de queda . “Não vamos ver o Brasil crescer de forma sustentável nos próximos anos. Para o País, é ruim manter o Real apreciado.” Para ele, o câmbio deve atingir R$ 3,00 para ajudar a indústria a retomar a competitividade lá fora. “Como está atualmente, o câmbio favorece a atuação da indústria somente no mercado interno”, conclui.  Bernardini ressalta que em anos atípicos é difícil fazer projeções para os anos seguintes.


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