Indústria brasileira está desconcentrada, segundo a CNI

Entidade faz estudo inédito que mostra crescimento e redução da participação da indústria no PIB em diversas regiões brasileiras

Publicado em 6 de novembro de 2014 | 17:26 |Por: Julia Zillig Rodrigues

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O estudo inédito Perfil da Indústria nos Estados feito e divulgado pela Confederação das Indústrias nesta quinta-feira, durante o Encontro Nacional da Indústria, que acontece em Brasília (DF), mostra dados peculiares: o estado de São Paulo, considerado o maior parque fabril do País, perde espaço gradativamente na produção industrial brasileira. De acordo com o levantamento, recuou 7,7 pontos percentuais na composição do PIB, caracterizando a maior queda registrada entre os demais estados e o Distrito Federal. Hoje ela responde por 31,3% de tudo o que é produzido pelo setor.

Mas, no entanto, o movimento foi inverso nos outros três estados do Sudeste e em alguns das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. A indústria carioca aumentou sua contribuição em 2,5 pontos percentuais nos últimos 10 anos – hoje representa 12,3% do montante total de produção do País. O estado que teve a terceira maior alta na participação foi o Tocantins, com elevação de 1,5 %. O quarto maior incremento foi registrado no Espírito Santo (1,2 %), seguido por Goiás (0,5 %).

“Os dados mostram que, nos últimos dez anos, tem havido aumento da industrialização fora de São Paulo. A desconcentração industrial é positiva porque leva desenvolvimento para outros estados do país. Mais indústrias significam mais empregos de maior qualidade, salários mais elevados e distribuição de renda”, afirma o gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da CNI, Renato da Fonseca.

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O estudo Perfil da Indústria nos Estados apresenta informações sobre a evolução da participação da indústria de cada estado na economia local, no PIB industrial nacional, na geração de emprego, nas exportações, além dos principais segmentos industriais em cada unidade da federação.

Quando o assunto é emprego, as regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste tiveram destaque. Foram os locais onde houve aumento na participação nesse quesito. Em Mato Grosso do Sul, o aumento foi de 6,3 ponto percentual e, atualmente, as empresas industriais daquele estado são responsáveis por 22,2% do emprego com carteira assinada. Rondônia aparece em segundo lugar entre os estados em que mais cresceu a participação do setor no total de empregados locais (5,1%). Em seguida, Pernambuco, com 4,1%, Goiás (4%) e Bahia (3,9%). Por outro lado, em São Paulo, apesar de as indústrias serem responsáveis por 26,1% dos empregos formais, houve uma ligeira redução na década, de 0,1%.

O Pará é onde os industrializados têm maior importância para compor o PIB estadual. Do total da riqueza gerada no estado, 38,9% provêm de empresas industriais. Em seguida, o Amazonas (com 34,8% do PIB) e Espírito Santo (31,1%). No outro extremo, vem o Distrito Federal. Apenas 5,6% do PIB da capital do país é produzido pela indústria. No Norte e Nordeste, os produtos industrializados também têm peso maior no volume enviado para o exterior. Mais de 90% das exportações de Alagoas, de Sergipe, do Amazonas e de Pernambuco são de industrializados. Em São Paulo, os produtos industrializados respondem por 85,8% das exportações. No Rio de Janeiro, por 39,9%, e, em Minas Gerais, por 35,1%.

No final do evento, a CNI divulga a Carta da Indústria 2014, documento que traz as propostas da indústria para colocar o país de volta aos trilhos do crescimento nos próximos quatro anos. Segundo ele, a principal constatação é de que a indústria brasileira tem pressa para retomar esse caminho e defende um diálogo permanente com a sociedade, o Congresso, o Executivo e o Judiciário para reverter o quadro de perda de competitividade. Na lista de prioridades estão estão a reforma tributária, a modernização das leis trabalhistas, o aumento dos investimentos em infraestrutura, além de uma política fiscal que beneficie o investimento e o aumento da qualidade da educação.

“O Brasil precisa ter uma agenda com metas claras e objetivos definidos sobre o que pretende alcançar para tornar-se mais competitivo. Precisamos estar preparados para, em 2018, responder sobre o quanto melhoraram os indicadores de competitividade”, afirma o diretor de Políticas e Estratégia da CNI, José Augusto Fernandes.

(com informações da CNI)


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