Indústria brasileira apresenta melhores números em 2014

Analistas, porém, alertam: por enquanto, o mais seguro é falar em reposição de perdas, não em resgate da expansão

Publicado em 29 de abril de 2014 | 13:13 |Por: Joana Castro, equipe Conteúdo

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Divulgação Suframa

Distrito da Zona Franca de Manaus: indústria brasileira tenta reação neste início de ano

Distrito da Zona Franca de Manaus: indústria brasileira tenta reação neste início de ano

Os indicadores referentes à atividade industrial divulgados do início do ano para cá sinalizam um cenário mais promissor para a indústria brasileira. No Produto Interno Bruto (PIB) levantado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria aparece com crescimento de 1,3% em 2013. Também do IBGE, a Pesquisa Industrial Mensal apontou que no primeiro bimestre deste ano a produção física subiu 1,3% em relação a igual período do ano passado. E a pesquisa Indicadores Industriais, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), trouxe avanços em todos os itens analisados.

Trata-se, enfim, de um processo de retomada da atividade ou, certeza mesmo, é a de que se trata por enquanto de uma recuperação de perdas recentes? A primeira alternativa parece ser a que mais encontra eco.

Na entrevista coletiva de divulgação dos indicadores, o gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, enalteceu os dados apresentados em janeiro e previa um fevereiro “ainda melhor”, por se tratar de “um mês cheio” (sem feriados, uma vez que o carnaval neste ano foi em março). Deixou claro, entretanto, ser precipitado apostar numa expansão contínua. “As oscilações e a volatilização dos dados da atividade industrial, principalmente em 2013, recomendam um otimismo contido”, declarou Castelo Branco.

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Para o economista Pedro Raffy Vartanian, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo (SP), não é possível afirmar que o crescimento da indústria ultimamente verificado representa tendência de retomada. “É apenas uma recomposição parcial [de estagnação recente]”, afirma.

Na avaliação dele, de três anos para cá a indústria “perdeu o dinamismo” que vinha experimentando em anos anteriores. As medidas anticíclicas tomadas pelo governo federal em 2008, quando eclodiu a crise global – medidas essas sobretudo de estímulo ao consumo – beneficiaram a indústria por algum tempo, diz Vartanian. Depois, o poder de impacto dessas medidas foi se esgotando. “Por um período os estímulos funcionaram, mas sem ações estruturais – investimentos em logística, reforma tributária – já não funcionam tanto.”

Um fator que pode frear uma retomada da atividade industrial são os efeitos que a elevação dos juros, reiniciada há um ano, começa a causar. “O ciclo de alta dos juros ainda vai impactar. Os efeitos são defasados e agora é que começam a ser sentidos”, assinala o economista. Por outro lado, positivamente pode pesar a valorização do dólar frente ao real verificada na virada do primeiro para o segundo semestre do ano passado. “O efeito não é instantâneo. A desvalorização [do real] do ano passado de alguma forma agora começa a contribuir positivamente [já que deixa o preço do produto nacional mais competitivo diante do importado].”

Confira essa reportagem completa na edição 260 da revista Móbile Fornecedores.


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