A impressão digital nos papéis decorativos

Processo associativo da impressão de papéis decorativos por rotogravura, mas também alternativo, a impressão digital garante maior flexibilidade e velocidade para o desenvolvimento de padrões

Publicado em 26 de novembro de 2014 | 15:44 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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O segmento de papéis decorativos para móveis ganhou nos últimos anos uma tecnologia que promete garantir exclusividade, versatilidade e personalização ao mobiliário: a impressão digital. O processo é uma alternativa ao sistema por rotogravura e utiliza a impressão com plotters que podem ser feitas diretamente sobre qualquer papel base usado em produção. O resultado final pode ser impregnado e prensado como se fosse um papel impresso em rotogravura. Assim, certifica ao mobiliário diversas possibilidades de desenhos com usos de múltiplas cores.

No entanto, as velocidades de produção fazem com que a impressão digital ainda não seja tão competitiva para volumes industriais e, por isso, são frequentemente utilizados no desenvolvimento de amostras. Assim, garantem maior flexibilidade e velocidade aos processos de aprovação junto às fabricantes de painéis. Visando traçar um panorama desta tecnologia, a Móbile Fornecedores contatou as principais empresas do setor que atuam no Brasil. Confira:

Impress

Renata Bossle/Revista Móbile

Fábrica da Impress

A Impress utiliza o sistema digital para o desenvolvimento de seus desenhos

Nas palavras do diretor comercial da empresa, João Leon Martinez, a Impress ainda não tem um setor de impressão digital desenvolvido para a venda. A empresa trabalha com o Design Center e realiza os desenvolvimentos digitalmente, facilitando a vida dos clientes e agilizando a tomada de decisão para um novo lançamento ao mercado.

Por outro lado, a companhia executa um estudo de mercado, a nível mundial, para investimentos a serem feitos na linha digital. “Isso nos leva a uma propensão muito grande de ter algo num futuro próximo [para comercialização], mas ainda não existe nada de concreto”, afirma Martinez.

“Isto em função das dificuldades e principalmente da relação custo/benefício, já que ainda se trata de um produto muito caro, se comparado à uma impressão de rotogravura”, comenta Martinez, que opina. “O mercado tem que se acostumar com ele, decidindo, inclusive, aonde vai ser usado, se é para nichos, protótipos, etc. Há ainda muitas duvidas nesse sentido”.

Interprint

Divulgação Interprint

Fábrica da Interprint

A nova fábrica no Brasil também contará com uma unidade de desenvolvimento digital

A Interprint iniciou em 2011 a impressão digital de amostras de desenhos. Na sede da empresa na Itália, assim como na Turquia, nos Estados Unidos e na Alemanha, todo o desenvolvimento de padrões é feito digitalmente. “Temos uma máquina [a ser instalada na Alemanha] com o sistema Single Pass, que é com os plotters como a impressora de jato de tinta que fica passando. Ela tem condições de replicar com o mesmo material, papel, tinta, para que não haja diferença entre o que foi impresso no sistema de rotogravura para o sistema digital”, comenta o diretor técnico, Alexandre Devoglio.

Segundo Devoglio, a ideia por trás disso é a possibilidade de trabalhar de forma mais eficiente em tiragens de menor volume, que hoje em dia é uma parte que dificulta muito o desenvolvimento de padrões especiais, já que na rotogravura há o problema de que se não for um volume grande de produção, não compensa financeiramente.

A diretor geral, comercial e de marketing da Interprint Brasil, Lourdes Manzanares, adianta que a máquina está sendo instalada neste trimestre na Alemanha. “Tem sido desenvolvida não por um fabricante especializado em impressão digital, mas uma das maiores empresas mundiais de fabricante de maquinário. Temos desenvolvido com eles uma máquina que pode imprimir até 1,68 metros de largura a uma velocidade de 140 metros por minuto. Não existe nada igual. As máquinas de produção imprimem 2,20 m na Alemanha e 2,70 m nos Estados Unidos e Polônia”, enfatiza Lourdes. Na Alemanha a máquina será homologada em julho de 2015. “De acordo com a demanda de mercado, nós vamos pensar e planejar em trazer um modelo para o Brasil”, diz Devoglio.

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Lamigraf

Divulgação Lamigraf

Impressão Digital Lamigraf

A empresa espanhola, de acordo com Caballero, tem buscado soluções para comercializar a impressão digital”””’

Introduzida há seis anos na Lamigraf, o sistema de impressão digital é utilizado como complemento ao laboratório de amostras convencional. No departamento digital se preparam amostras de desenhos próprios em diversas cores para promover aos clientes, simulando a impressão em rotogravura. Assim, todos os desenhos da empresa espanhola são digitalizados e podem ter suas cores trabalhados em um computador a partir de um software próprio desenvolvido exclusivamente para a Lamigraf.

“Os desenhos, assim como as cores, são guardados em um servidor para poder serem reproduzidos em diferentes Lamigraf Design Center no mundo”, diz o diretor de digital da empresa, Jonathan Caballero. Para ele, a tecnologia digital está evoluindo rapidamente e a empresa tem buscado soluções para comercializá-la. “A Lamigraf está trabalhando em um projeto com um dos líderes no setor de impressão digital para encontrar uma solução que seja competitiva para volumes industriais, mesmo que seja em pequenas quantidades”, garante o diretor.

A empresa espera ter essa máquina digital em funcionamento até o final de 2015. Em paralelo, já há o desenvolvimento de uma linha de desenhos especiais para impressões digitais, sem limites de medidas para a largura do desenho, podendo desenvolver padrões totalmente personalizados de acordo com as solicitações dos clientes.

Schattdecor

Divulgação Schattdecor

Impressão Digital Schattdecor

Sala da Florense com padrão da Digital Visions da Schattdecor

Segundo a responsável pelo marketing, Ana Cláudia Marques, em decorrência da alta procura do consumidor por personalização e exclusividade, em 2009 na feira Interzum, a Schattdecor lançou a primeira coleção de impressão digital Digital Visions by Schattdecor. Desde então, a empresa alemã busca aperfeiçoar as tecnologias no processo de desenvolvimento desta linha, com o intuito de oferecer aos clientes um produto realmente diferenciado e que tem se desenvolvido de forma satisfatória.

“Tivemos uma resposta muito positiva dos clientes diretos e indiretos e os resultados atingidos em pouco tempo foram bem maiores que as expectativas. Com a viabilização deste produto em diferentes substratos e o forte investimento em parcerias e divulgação desta linha, prevemos um crescimento ainda maior nos próximos anos”, assinala Ana Cláudia.

A linha Digital Visions possui um foco diferenciado: o alto valor agregado e a personalização de produtos. “Por esta razão, os produtos desta coleção possibilitam a compra em menores volumes, apresentando-se como uma excelente ferramenta aos arquitetos, designers e projetistas no desenvolvimento de seus projetos”, diz. Isso foi um grande motivo para a produtora de painéis Lopar comercializar o produto com a linha Creative Collection.

Além da grande variedade de cores e desenhos que a impressão digital proporciona, também há a possibilidade de atender demandas específicas com desenhos exclusivos de alta resolução e desenvolvidos junto à equipe de designers da Schattdecor. Os desenhos podem ser utilizados em diferentes superfícies, aumentando as possibilidades de aplicação, como por exemplo, na personalização de um móvel, revestimento de portas, paredes e tampos de mesas, entre outros, atribuindo assim um toque de sofisticação e exclusividade aos ambientes.


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