Galvanoplastia pode causar impactos ambientais

Processo utilizado na indústria metalúrgica e metalmecânica possui alto potencial poluidor pelas características dos insumos utilizados

Publicado em 22 de novembro de 2014 | 14:22 |Por: Renata Bossle

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Wikimedia Commons

Galvanização

Exemplo de superfície galvanizada

Considerado um dos processos industriais mais críticos em relação a emissão de poluentes, a galvanoplastia é uma atividade que demanda muito consumo de água para preparação e limpeza. Por isso, ela é responsável por grandes volumes de descartes com altos teores de elementos prejudiciais ao meio ambiente.

Segundo a Fundação Proamb, devido aos contaminantes presentes, se esses efluentes não forem tratados – ou forem tratados de forma incorreta –, eles podem ser prejudiciais ao meio ambiente e aos seres humanos.

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“O setor moveleiro utiliza o processo de galvanoplastia quando fabrica complementos paras os móveis tubulares, por exemplo”, explica a analista de inovação e inteligência de mercado da Fundação Proamb, Francine Zanatta. Ela completa: “O setor se utiliza muito de serviço terceirizado”.

Ainda de acordo com Francine, a galvanoplastia é, atualmente, o processo mais difundido para esse tipo de atividade. Contudo, a destinação adequada depende muito da preocupação ambiental que a empresa possui. Ou seja, as indústrias moveleiras devem ficar atentas no momento da contratação de terceirizadas.

No texto abaixo, de autoria da Fundação Proamb, saiba mais sobre o resíduo da galvanoplastia e o processo de destinação adequado.

Os lodos galvânicos são gerados em processos que utilizam metais como acabamento estético, protetivo ou decorativo de produtos industrializados. São vários os metais que podem ser utilizados: cobre, zinco, níquel, cromo, estanho, chumbo, cádmio e ferro e em casos especiais, prata, ouro e platina.

Após esse procedimento de tratamento de superfície, no qual as peças são submetidas a diferentes tipos de metais, dependendo especificamente de cada material tratado e sua aplicação, as mesmas necessitam ser lavadas. Essas lavagens são as grandes responsáveis pela geração de efluentes contaminados com metais pesados, os quais dão origem ao lodo galvânico. Este deve ser conduzido a um local de disposição correto e totalmente seguro, para que os contaminantes presentes nele não causem impacto ambiental.

Após os descartes, as águas de lavagem das linhas de produção são conduzidas para as estações de tratamento de efluentes em seus respectivos reservatórios ou tanques de reação, essa divisão é determinada devido à origem do contaminante presente na sua composição. Após a estocagem, estes efluentes deverão ser tratados, durante as etapas de coagulação e floculação, com produtos químicos adequados à natureza específica do contaminante presente no efluente.

Concluídas as fases anteriores, o lodo formado com o auxílio dos produtos químicos, somados às impurezas presentes nas águas de lavagens, ainda em suspensão, deverá ser submetido a um processo chamado de sedimentação, no qual o lodo com metais pesados irá ser separado da água através da ação da gravidade. Após a etapa de sedimentação, esse lodo, ainda com alto teor de umidade, é conduzido para um sistema de desidratação (decanter, filtro-prensa, leitos de secagem, secador rotativo ou prensa parafuso), para que atinja as condições necessárias para a disposição final.

Hoje em dia, a tecnologia utilizada para a destinação do lodo galvânico é o aterro de resíduos industriais, mas pela maior disseminação dos conceitos de sustentabilidade nas indústrias e pela necessidade de se reciclar materiais ser cada vez maior, em virtude de uma disponibilidade cada vez menor, novas tecnologias vem sendo estudadas em países desenvolvidos para recuperação dos metais citados visando impedir o simples aterramento.

Com fica evidenciado, o lodo galvânico é um resíduo que necessita de grande cuidado em relação a monitoramento e destinação. E também que é necessário avaliar com muita atenção o caminho dentro do processo industrial por qual passa esse tipo de resíduo para que se dê a ele o tratamento adequado. É também indispensável exigir os comprovantes de destinação destes materiais, para assim ter a comprovação de que o procedimento adotado é seguro e atende aos padrões exigidos.


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