ForMóbile 2016: Indústria 4.0 na produção de móveis

Homag apresenta palestra sobre caminhos para Indústria 4.0 na fabricação de móveis e soluções que oferece hoje para uma produção conectada

Publicado em 28 de julho de 2016 | 13:43 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

Share on FacebookShare on Google+Share on LinkedInEmail this to someone

A evolução dos processos produtivos nos últimos anos ganhou um conceito que promete revolucionar toda a fabricação de produtos de diversos setores. A Indústria 4.0 é essa nova fase da indústria e a Homag, no Hotel Holiday Inn, ao lado do Pavilhão do Anhembi onde ocorre a ForMóbile, apresentou neste dia (28) os caminhos para esse sistema. Igualmente, destacou as soluções que a Homag oferece para uma produção conectada e inteligente.

Na ocasião, o diretor de métodos, ferramentas e sistemas da Homag Group, Ernst Esslinger, explicou sobre a “produção conectada” da Homag e deu como exemplo a empresa Hali, da Áustria, que fabrica móveis para escritório. Com a implementação da produção conectada, a empresa tem 48 milhões de variações em 15 dias de trabalho, com taxas de mercado de 25-30 dias de trabalho. “O setup de uma linha para outra é feita em 1,5 segundo e tem aumento de desempenho de 30% com o mesmo número de funcionários, muito próximo a uma produção sem mão de obra”, falou Esslinger.

Thiago Rodrigo/Revista Móbile

Indústria 4.0

O conceito da Indústria 4.0 originário da Alemanha e o palestrante alemão Ernst Esslinger explicou como funciona o sistema no país europeu, onde está mais avançado

O engenheiro, que atua na construção de máquinas e nas áreas de pesquisa e desenvolvimento, contou que a Homag tem sistemas que ajudam os fabricantes de móveis e os clientes a identificarem tudo o que precisam em um sistema só. “Todas as variantes e as necessidades que os clientes necessitam e tem, vocês conseguem com essa solução. Todos os dados informados são passados diretamente para a indústria por sistema, não mais manualmente. Teremos em cada peça seu código para saber o que terá de ser feito em cada peça. Essas peças vão para fábrica, o código passa para as máquinas que saberá o que terá de ser feito, quando terá de ser feito e em quanto tempo terá de ser feito. Assim, é feito todo o sistema de corte, colagem, furação, tendo uma produção completa e ainda contar com a assistência técnica da empresa”, explicou o especialista.

A ideia, segundo ele, é passar todas as informações de uma só vez já na venda. “Com essa única informação concebida na venda, todo o sistema de produção funcionará sem erros”, frisa. Na Homag desde 1985, Esslinger falou sobre o próximo passo. “É o serviço, o pós-venda onde evoluímos bastante e temos bastante coisas a oferecer”, afirmou. Neste sentido, empresa oferece o Hotline e TeleService, já oferecido no Brasil, o ServiceApp e ServiceBoard, não presente no país, além de peças de reposições originais.

O que é a Indústria 4.0
O conceito não é um produto, é uma filosofia e projeto de trabalho, segundo Esslinger, e que foi iniciado pelo governo alemão para não deixar que as empresas do país morram no futuro. A ideia de fazer a conectividade e de fazer a produção funcionar com menos mão de obra e mais interligação entre as máquinas foi o que inspirou. O nome surgiu após verificarem o que modificou, nos últimos 100 anos, a indústria no mundo e chegou-se à conclusão sobre essas evoluções. Ela iniciou pela mecanização, passou pela eletrificação e automação e chega hoje à interligação. “Estamos no limite da quarta revolução que inclui a internet, a rede, ou seja, tudo conectado”, frisou o engenheiro da Homag.

O princípio da Indústria 4.0 são os sistemas físico-cibernéticos que são embutidos em sistemas de softwares e que tem endereços próprios na internet. “Além do celular presente no bolso de vocês, hoje os carros são conectados, as casas têm conexões, isso já são sistemas físicos-cibernéticos. Agora eles começam a entrar na indústria. Não será mais piramidal e todos estarão conectados no mesmo nível”, lembrou. Para saber mais sobre a Indústria 4.0, leia a próxima edição da Móbile Fornecedores, número 277, que abordará profundamente este assunto.

Na indústria moveleira
O que já existe da Indústria 4.0 na produção de móveis é a interligação de máquinas, produção personalizadas para os clientes e peças inteligentes. “Isso significa que são peças que tem em código de barras suas informações”, destacou. Por outro lado, há outros fatores que não estão aptos ou estão no caminho, como dados nas nuvens, que é um conceito novo que já está avançado, ou seja, seus dados estão em algum servidor, mas que que peca na segurança. Os sistemas cyber-físicos, a não existência de interfaces padronizadas “que existe dentro na Homag, mas se entrar produtos de terceiros isso se perderá”, e a segurança de IT, são outros desafios a serem superados.

Thiago Rodrigo/Revista Móbile

Indústria 4.0

O engenheiro da Homag enfatizou que hoje ninguém consegue ter um rol completo como a produção conectada oferecida pela empresa

No futuro, com a Indústria 4.0 haverá a produção vertical e horizontal. “Isso pode ser sempre variado na própria empresa ou entre terceiros. Um exemplo é o cliente Nobilia, fabricante de cozinhas individuais, uma diferente da outra, mas que não pode fazer trabalhos em vidro, por exemplo, mas que contam com um fornecedor que oferece o vidro para eles”, contou Esslinger.

O conceito de produção conectada oferecido pelo Grupo Homag passa pela venda ao cliente, construção, geração de dados, planejamento, estoque, corte, classificação/alimentação, revestimento, bordas, furação, inserção de ferragens, montagem, embalagem e assistência técnica. E o software tem papel fundamental nisto. “Temos softwares para as máquinas, mas ele será ainda mais importante no futuro, até porque são softwares para o escritório, vendas, tudo integrado. Nossos vendedores não devem vender apenas máquinas, mas também sistemas”, salientou Esslinger.

“Temos esse conceito de produção conectada já funcionando e temos linhas em vários lugares do mundo. A Homag já tem esses sistemas e podemos apresentar em simuladores 3D sobre como funcionaria esses sistemas, com soluções completas para cada unidade de negócios”
Ernst Esslinger

“É um passo enorme para que a empresa possa fazer esse tipo de mudança, mas isso não é um desafio apenas para nós, mas também para vocês fabricantes que não comprarão só uma máquina. Uma máquina hoje sem a parte de TI em volta dela não tem mais funcionalidade. Por exemplo, o que faria sem um smartphone sem a internet? O sistema de trabalho será alterado, e a maneira de trabalho dos funcionários também, que terão de estar mais qualificados”, apontou.

Em relação a outros setores, o setor moveleiro está próximo da Indústria 4.0, de acordo com o engenheiro da Homag. Para que a ela seja uma realidade, as principais condições são as interfaces padronizadas e a segurança em TI. “Devemos entrar nessa mudança e entender que isso será diferente daqui para frente. Acredito que se começarmos a fazer a mudança agora, a indústria terá um grande futuro. Toda empresa terá de entrar no conceito de Indústria 4.0 e hoje deve estar se preparando para começar a conhecer esse tema, que acontecerá paulatinamente. E se hoje for investido em produção conectada, isso será um grande passo para entrar na Indústria 4.0”, afirmou o palestrante alemão.

Leia mais
– ForMóbile: Häfele apresenta soluções para ambientes menores
– ForMóbile: erros comuns na cozinha
ForMóbile: Interprint apresenta tendências de interiores

Esslinger fez questão de ressaltar que para muitos isso pode ser utopia, algo muito distante, mas ele pensa que essa “manufatura avançada” certamente acontecerá. “Acredito que nos próximos cinco anos tenhamos as informações necessárias para ter o primeiro sistema completo de Indústria 4.0 funcionando. Mas podemos garantir que as máquinas de hoje serão capazes de ser integradas ao sistema de Indústria 4.0. O que gostaríamos é que vocês fabricantes levem esses sistemas a sério e estudem ele. Se um concorrente for mais rápido que você ele será alguém mais forte. Não queremos que todos saiam correndo daqui agora e que mudem tudo para Indústria 4.0, mas sim estudar e começar a pensar que esses processos serão aplicados no futuro”.

Sobre a Homag
Especializada na fabricação de máquinas e linhas de produção para processar madeira e seus derivados, a Homag registrou um faturamento de mais de 1 bilhão de euros em 2015, superior aos 915 milhões de euros no ano anterior. Entre os clientes da empresa alemã, fabricantes de móveis são 83%, fabricantes de componentes de construção (laminados, portas, batentes, janelas) compõem 14%, enquanto fabricante de casas de madeira são 3%. Com 15 fábricas em sete países tem uma vasta rede mundial de produção, vendas e assistência técnica. A distribuição de faturamento em 2015 acerca dos produtos da empresa foi de 47% em máquinas, 30% em células e linhas de produção e 23% na área de serviços, área em que a empresa está investindo bastante nos últimos anos.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

eMobile