Especial: Mapa da crise nos polos moveleiros

Equipe do Portal eMobile entrou em contato com os principais polos moveleiros do país para descobrir os efeitos da crise econômica

Publicado em 13 de maio de 2015 | 17:30 |Por: Renata Bossle

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A indústria brasileira nacional está enfrentando dificuldades. Para o setor moveleiro, que ainda não estava completamente recuperado dos efeitos da recessão de 2009, os efeitos foram devastadores em algumas regiões do País, incluindo fechamento de fábricas e grande número de demissões.

Segundo a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a tributação que incide sobre a classe empresarial se aproxima dos 37%. Já o custo de energia elétrica acumula inflação de 60,42% no período de 12 meses, de acordo com dados de março do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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As indústrias do ramo moveleiro gaúcho, segundo o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul (Movergs), Ivo Cansan, estão trabalhando com nível produtivo reduzido de, em média, 20%. Entretanto, ele destaca que o índice de demissões está estabilizado e equiparado com o de contratações. “Embora estejam trabalhando com 80% das suas capacidades produtivas, não houve a necessidade de demissão de mão de obra porque as indústrias já estavam se adequando aos novos sistemas de produção”, sublinha.

O presidente aconselha que a indústria, em primeiro lugar, deve diminuir custos. “Depois, é preciso inovar e tornar o produto diferente dos demais e atrativo para o consumidor. Vemos que tudo que é novo, inovador, que tem design e encanta, é consumido”, pontua, mas completa: “Imaginamos que esse ano será difícil e muito trabalhoso. Mesmo que a economia se estabilize, o setor deve retomar com dois fatores: redução dos juros e endividamento do consumidor”.

A seguir, confira as análises das principais entidades representativas do setor moveleiro.

Arapongas

Considerado o maior consumidor de chapas aglomeradas e compensadas do Brasil, o polo moveleiro de Arapongas (PR) estava mantendo a estabilidade até abril, segundo relato do presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), Nelson Poliseli.

Entretanto, a situação se tornou insustentável. “No mês de maio, despencou. A queda prevista deste mês está em torno de 15% a 20% e coincide com o aumento de energia e da carga tributária. Não está fácil”, resume Poliseli.

De acordo com ele, até o momento não foram registradas demissões – e não há previsões. “O histórico da indústria moveleira é de um segundo semestre melhor”, afirma e acrescenta: “Vamos ver o resultado do Dia das Mães para ver se houve crescimento. Se as lojas venderam bem nessa data, elas vão repor o estoque”.

Ainda assim, a recomendação do presidente é que as indústrias mantenham a cautela. “Com o País passando por essa instabilidade econômica, a indústria está caindo em produção, o que preocupa. O nosso polo é bem estruturado e essa não é a primeira crise e nem será a última – ela será superada”, garante.

Bento Gonçalves

De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias do Mobiliário de Bento Gonçalves (Sindmóveis), Henrique Tecchio, a situação no polo gaúcho acompanha a tendência nacional de dificuldades, por mais que apenas uma empresa tenha entrado com pedido de recuperação judicial.

“Não tivemos demissões em massa, mas está acontecendo o fluxo normal para ajustes. Se o faturamento baixa, as empresas têm que realinhar seus custos e processos para não ter perdas”, aponta.

Com relação ao ritmo de vendas, ele observa que se trata de uma questão sazonal, o que dificulta uma leitura assertiva dos números, embora seja evidente que exista uma perda em relação ao ano passado. “Algumas empresas estão com um faturamento aquém do que gostariam, até por que o objetivo era recuperar as perdas de 2014. A maioria está trabalhando para tentar empatar, para não perder”, relata.

Para o segundo semestre, a expectativa é de um aumento na demanda por móveis em função das festas de fim de ano e da formação de estoque das lojas populares. “As medidas que foram tomadas pelo governo doeram muito e foram sentidas de uma forma mais contundente quando foram anunciadas. Depois, claro, o mercado vai se acomodando”, ameniza.

Assim, com o objetivo de auxiliar os empresários, o Sindmóveis está reforçando a questão do mercado externo, visto como uma alternativa com o câmbio favorável para as exportações. “Nós estamos tentando abrir novos mercados e trazer importadores para colocar em contato com as nossas empresas”, completa o presidente do sindicato.

Linhares

Para o presidente do Sindicato das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Linhares e Região Norte (Sindimol), Alvino Sândis, as vendas até o momento estão estáveis no polo capixaba, contudo, as margens de lucro caíram em razão do aumento dos preços de insumos e da energia elétrica.

“A perspectiva é de um ano difícil, porém, temos a impressão que o pior já ficou para trás. Vamos ter estabilidade e, quiçá, um pequeno crescimento”, afirma. Ele complementa que, até o momento, o polo não registrou o fechamento de nenhuma empresa por conta da crise.

No entanto, embora os números finais ainda não tenham sido contabilizados, foram realizadas demissões. “No geral, o empresário tende a segurar a sua mão-de-obra capacitada, sendo que apenas em um cenário mais grave de crise teríamos uma significativa redução do quadro de mão-de-obra”, pondera.

Mirassol

O resultado da atual instabilidade da economia brasileira no polo moveleiro de Mirassol (SP) é uma queda nas vendas que varia de 10% a 45% somente no primeiro trimestre deste ano, entre as Indústrias da base do Sindicato da Indústria do Mobiliário de Mirassol (Simm).

Segundo o sindicato, somam-se ainda outros problemas relatados pelo empresariado, como o aumento dos salários dos trabalhadores. Também de acordo com o sindicato, por enquanto a maioria dos empresários não fala em demissões, mas essa é uma atitude que não está descartada entre os empresários do setor.

O diretor da Associação Industrial de Mirassol (Assimi), Orlando Ferreira Maia Junior afirma que, além de redução nas vendas, a negociação dos preços dos produtos também agrava a situação atual da indústria. “Se não bastasse a queda de 15% em nossas vendas, não conseguimos vender nossos produtos a preços justos. Os lojistas também passam por dificuldades e brigam para comprar por um preço muito abaixo do habitual e para mantermos a produção somos forçados a aceitar as vendas abaixo da tabela”, desabafa.

Ubá

Atualmente, o polo de Ubá (MG) conta com cerca de 300 empresas. Com esse volume, a região foi uma das mais afetadas pela recente crise e, entre janeiro e março, acumulou 15% de queda no faturamento em comparação com o mesmo período do ano passado. No total, seis empresas fecharam e dois mil funcionários foram demitidos.

Para o presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind), Michel Henrique Pires, os últimos dois meses trouxeram um quadro amenizado. “Na verdade, mais uma empresa fechou e o mercado deu uma estabilizada, mas estabilizou em baixa – não na média ou acima”, afirma.

De acordo com ele, isso foi possível porque as empresas fizeram o dever de casa ao cortar custos e eliminar gastos desnecessários, além de estarem trabalhando com um volume menor de produção.

“Está sob controle, mas não é a situação que queríamos. A última empresa a fechar deixou cerca de pessoas 40 desempregadas, mas o Dia das Mães deu uma pequena alavancada”, comenta Pires, que completa: “Por enquanto, as fábricas estão adequando a produção. Ubá não é um polo exportador e o mercado interno deu uma retraída”.

Segundo o presidente do sindicado, o principal mercado para o polo de Ubá é o Sudeste, sendo esse o principal foco das micro e pequenas empresas. As companhias de maior porte, contudo, atingem o Nordeste. “É um mercado que acaba fazendo uma balança e estabilizando as nossas vendas”, relata. Em torno de 35% da produção do polo vai para o Nordeste.

Além disso, para os próximos meses, a perspectiva é positiva. Algumas empresas devem começar a atender clientes que fazem programação para as vendas do fim do ano. Para completar, a próxima edição da Femur – prevista para 2016 – já entrou em pauta. Até a edição passada, o evento era realizado pelo movimento empresarial, mas agora passará a ser organizado pelo próprio Intersind.


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