Entrevista: Retomada do crescimento no Brasil

Economista e ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco fala sobre a importância de retomar esse crescimento

Publicado em 21 de junho de 2014 | 14:13 |Por: Julia Zillig Rodrigues

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O economista Gustavo Franco tem uma história profissional marcada por atuações importantes. Uma delas foi durante o governo Fernando Henrique Cardoso, no qual ocupou a presidência do Banco Central entre os anos de 1997 e 1999. Teve participação intensa na elaboração das diretrizes e gestão do Plano Real, que em 2014 completa 20 anos e até hoje acumula uma longa lista de conquistas e críticas sobre seu desempenho.

Atualmente, Franco é membro do Conselho de Administração do Banco Daycoval e mantém uma significativa atividade acadêmica, dando aulas e desenvolvendo pesquisas, além de já ter publicado 14 livros de cunho econômico, entre eles “Cartas a um jovem economista”, “A economia em Machado de Assis”, entre outros. O bacharel em Economia pela PUC-RJ e PhD pela Harvard University, em entrevista concedida por e-mail à Móbile Fornecedores fala sobre a importância do Real, torce o nariz para os rumos da inflação e mostra sua preocupação sobre um possível retrocesso industrial.

Divulgação

Gustavo Franco: críticas severas ao modelo econômico do governo atual

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Móbile Fornecedores – Qual é o balanço que o senhor faz sobre os 20 anos do Plano Real? O que ele trouxe de positivo para o desenvolvimento do Brasil?
Gustavo Franco – Não há vida econômica inteligente na ausência de moeda, que, além de tudo, é um símbolo nacional como a bandeira e o hino. O Plano Real resgatou a moeda nacional, e com isso nos devolveu o futuro que estávamos perdendo. É como se tivesse sido um novo começo para o desenvolvimento econômico do País. A manutenção da estabilização requeria a implementação de reformas econômicas, que foram feitas, em parte, o suficiente para sustentar a estabilidade, mas não tanto para colocar o Brasil numa senda de alto crescimento. O Plano Real resolveu o problema da inflação, mas o problema do crescimento ainda está aberto.

Qual será o principal desafio para o novo mandato ou novo governo a partir de 2015, no que diz respeito à recuperação da saúde econômica do País? Há hoje um forte desequilíbrio econômico…
Franco – O principal desafio é o de fazer o País crescer sem sacrificar a estabilidade ou piorar as coisas no plano social. Temos enfrentado isso com timidez, sem reformas, sempre tentando minimizar o esforço político de se fazer as coisas. Essa timidez resulta em populismo ou na vontade de agradar a todos ao mesmo tempo, pelas vias de menor resistência. Com isso, há, Cresceu o protecionismo e aumentaram as exigências de conteúdo nacional, e essas políticas são trágicas para o setor, pois acentuam seu isolamento. Deveríamos desenhar políticas para integrar a indústria brasileira nas cadeias internacionais de valor. E, ao invés de caminhar nessa direção retrocedemos a um nacionalismo anos 50 que poderá nos transportar de volta ao mesmo período se continuar desse jeito.

Confira a entrevista completa na edição 261 da revista Móbile Fornecedores.


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