Entrevista: Interprint aposta no Brasil

Fornecedora de papéis decorativos investe em nova fábrica que atenderá o mercado brasileiro e sul-americano

Publicado em 24 de setembro de 2014 | 15:10 |Por: Thiago Rodrigo Pereira da Silva

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No início de 2015, a multinacional alemã Interprint, uma das líderes de mercado entre os fabricantes de papel decorativo para indústria moveleira e pisos laminados, iniciará a produção na mais nova fábrica da empresa em São José dos Pinhais, cidade localizada na Região Metropolitana de Curitiba. Os desenhos da empresa decoram as superfícies de painéis e pisos de madeira.

Este será o oitavo parque fabril da empresa no mundo que tem atuação no Brasil desde 2011 com um escritório comercial na capital paranaense. E foi lá que a diretora geral comercial e marketing, Lourdes Manzanares, junto ao gerente de qualidade Claudenir Larussa Pereira e o diretor técnico Alexandre Devoglio recebeu o Portal eMobile para uma conversa sobre o mercado da Interprint no Brasil, novas tecnologias e investimentos em maquinário e novos desenhos – além, é claro, da nova fábrica.

Divulgação Interprint

Interprint

Alexandre Devoglio, diretor técnico, Lourdes Manzanares, diretora-geral comercial e de marketing e Bruno Pereira, diretor financeiro e administrativo

Portal eMobile – Como está o mercado de papéis decorativos para a empresa?
Lourdes Manzanres – O projeto da Interprint é a longo prazo. A empresa teve um 2009 espetacular, o que não foi normal pela crise na Europa. Ano passado foi melhor que este. Para a Interprint, estamos continuando a crescer. Dentro do contexto do mercado, somos afortunados pelo suporte que temos com os produtos que lançamos nos últimos anos. O período de mais lançamentos foi o final de 2012 e início de 2013 e estes desenhos estão com mais volume no mercado.

Qual o avanço de crescimento que a empresa espera com o início da produção da fábrica no Brasil?
Lourdes Manzanres – Esperamos um crescimento de 20% ao ano. No último, crescemos 60%, o que foi algo espetacular. Tudo resultado do mercado. A partir da fábrica, o principal diferencial será que teremos a produção aqui. A logística muda completamente, sem três semanas de navio e mais uma semana de alfândega. Temos capacidade de reagir frente a situações inesperadas dentro de dias. Imagino que o mercado está esperando ter mais um fornecedor que vem com um investimento muito forte na parte tecnológica e de maquinário. Para se ter uma ideia, em 2008 com a crise, a Interprint continuou investindo em tecnologia. Isso foi muito importante. O design é fantástico graças à tecnologia e às pessoas, acho que o principal diferencial será isso. Estaremos muito mais presente com os clientes diretos e, mais que isso, com a indústria, porque terá desenhos de uma empresa que até agora não estava tão presente. Os nossos clientes terão um melhor working de capital, pois não precisarão pensar em estoques.

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Divulgação Interprint

Interprint

“Estamos aqui pra oferecer uma opção a mais pro mercado. Uma opção que o mercado possa escolher dentro das possibilidades que ele tem e nos eleger pela qualidade do produto, do serviço, do desenho”, frisa Larussa

Vocês terão um desenvolvimento nacional de padrões nesta nova fábrica?
Lourdes Manzanres – Temos uma gestão global, mas depois cada um faz seus padrões, seja na Malásia, na Rússia ou nos Estados Unidos. Vamos estar mais vinculados à Europa, Itália, mas terá muito intercâmbio. Na ForMóbile 2012 foi a primeira vez que fizemos o contrário. Nela, apresentamos aqui e, com o feedback, fizemos criações pra Europa. O Brasil terá uma influência muito forte dentro do grupo. Um time de desenvolvimento de desenho não é só um técnico e um designer. Tem de haver uma pessoa que una essas pessoas. Temos uma equipe de 30 pessoas em marketing e desenvolvimento de desenho na Alemanha. Depois disso, precisa-se de bons equipamentos tecnológicos. Em 2006, fomos pioneiros em gravação de cilindros a laser. Isso foi uma revolução porque em um centímetro quadrado você tinha 70% a mais de informação. Isso fez com que a indústria de gravação se reinventasse e se atualizasse, o que foi muito bom. Temos que ter equipamentos fotográficos. Hoje trabalhamos com equipamentos que custaram 1,5 milhão de euros e que têm leituras com diferentes ângulos e diferentes luzes para obter o máximo de informações. No final, temos um sistema pra tratar a imagem. Não é padrão do mercado, mas é desenvolvido por nós. Na Alemanha, há um programa tanto na fábrica como dentro dos departamentos, onde pessoas ficam três anos aprendendo a trabalhar do jeito da Interprint. Isso é um grande diferencial.

Thiago Rodrigo/Revista Móbile

Interprint

“Um fornecedor novo no mercado, faz com que ele se torne mais competitivo”, enfatiza Lourdes

Vocês estão desenvolvendo fornecedores no Brasil ou toda a matéria-prima está vindo de fora?
Alexandre Devoglio – Estamos desenvolvendo no Brasil também. Até iniciar o arranque de fábrica começaremos com as matérias-primas importadas e aos poucos abriremos com matéria-prima nacional, isso se for comprovado a eficiência e qualidade do mesmo.

Claudenir Larussa – Uma das características para garantir a qualidade é desenvolver outros fornecedores, mas não ter um bufê de papel no estoque. Para garantir a qualidade dos nossos produtos, além do design, é ter matéria alternativa – mas também não é um papel qualquer, tudo é homologado.

Lourdes Manzanares – A Interprint é muito séria com a matéria-prima que temos. Fomos pioneiros em desenvolvimentos específicos de matéria-prima com baixa gramatura. Seremos os únicos no Brasil que trabalhará com uma menor gramagem do que é utilizado hoje. Como o cliente compra por quilo, isso significa que são mais metros quadrados, ou seja, mais papel e menos necessidade de resina na impregnação. O padrão de fabricação são globais e o Brasil estará dentro desse grupo de fabricação global e somente com fornecedores fortes é possível garantir isso.

Qual será o maquinário da nova fábrica, entre outras novidades?
Claudenir Larussa – Arrancaremos com duas impressoras de rotogravura de até 2,25 m, com scanner moderno de análise de cor, já no papel impresso e não só das cores separadas – que é o sistema ACMS. O Sistema Avançado de Medição de Cores é um sistema inovador que nós já temos na Alemanha e que é capaz de fazer o acerto de cor durante o processo produtivo e também o controle da produção. O equipamento pode ler 3 bilhões de pixels, é desenvolvido pela NASA e é usado na lente das câmeras dos satélites. Essa máquina pega as diferenças que o olho humano não vê. É algo matemático. O ACMS permite certificar todo o processo. A partir do equipamento homologado com os clientes, é feito um acerto de limite e, a partir disto, ele pode olhar o laudo e avaliar uma bobina.

Lourdes Manzanares – A ideia é iniciar a fábrica antes do Natal, estar com todos os equipamentos montados, fazer os ajustes das máquinas. Para então em janeiro estar homologando os produtos e em fevereiro iniciar a produção. Em 2015 colocaremos uma linha de impregnação no segundo semestre. Ou seja, serão duas linhas de impressão, uma de impregnação, a tecnologia do ACMS, uma linha de desenvolvimento digital. No total são 31 milhões de euros de investimento total.

Divulgação Interprint

Fábrica da Interprint

O parque fabril foi pensado para uma possível expansão para duplicar e até triplicar a capacidade de produção, segundo Lourdes


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