Ibá: os novos caminhos da “indústria brasileira de árvores”

Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Ibá, conta sobre a atuação e os objetivos da nova associação, que atende também ao setor paineleiro

Publicado em 24 de julho de 2014 | 9:02 |Por: Thaís Laurindo

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Lançada em abril de 2014, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) reúne 70 empresas e associações estaduais que participavam da Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira (Abipa), Associação Brasileira da Indústria de Piso Laminado de Alta Resistência (Abiplar), Associação Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas (ABRAF) e da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

Para entender qual o papel e os objetivos da nova associação, que abrange todos os segmentos da indústria de árvores plantadas, o Portal eMobile convidou a presidente executiva da Ibá, Elizabeth de Carvalhaes, para uma entrevista afim de contar sobre o trabalho desenvolvido pela instituição e entender como ela atinge ao setor moveleiro.

Carol Carquejeiro

Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Ibá

Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Ibá, fala, em entrevista exclusiva ao Portal eMóbile, sobre o trabalho desempenhado pela nova associação

Portal eMobile – Qual o papel da Ibá?
Elizabeth de Carvalhaes – A missão da Ibá é incrementar a competitividade do setor e alinhar as empresas associadas no mais elevado patamar de ciência, tecnologia e responsabilidade socioambiental ao longo de toda a cadeia produtiva das árvores plantadas, na busca por soluções inovadoras para o mercado brasileiro e global. Sua criação é resultado de um trabalho de benchmarking que mostrou a importância de um único interlocutor para defender, entre os diversos públicos de relacionamento, os pontos em comum dos setores representados pelas quatro entidades. Entre esses pontos destaco especialmente as árvores plantadas como diferencial do negócio e referência socioambiental, além do investimento das empresas em tecnologia na busca de inovação e dos múltiplos usos da base florestal.

Como atingem aos fabricantes de painéis para o setor moveleiro?
Elizabeth – A estrutura de governança corporativa da Ibá foi estabelecida para que a agenda de trabalho contemple todos os segmentos da indústria de árvores plantadas. A associação atuará em temas transversais a todos os segmentos e na negociação de questões específicas. Entre os temas que atingem especificamente o segmento de painéis de madeira, destacamos as negociações junto à Câmara de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior para o aumento da cota de importação do metanol, produto utilizado na fabricação de resina, principal insumo na produção de painéis. Esse aumento da oferta poderá contribuir para a redução dos custos do produto e, consequentemente, para a competitividade das empresas.

Foram pensadas ações específicas para este mercado?
Elizabeth – A Ibá também tem atuado na atualização de normas técnicas de painéis de madeira, seguindo revisões internacionais, o que garante a modernização e o ganho de qualidade de processos produtivos. Em relação à qualidade, acompanha o Programa Setorial da Qualidade para Painéis de Madeira, dentro do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat, do Ministério das Cidades. Os temas transversais do setor também impactam o segmento de painéis de madeira, tais como a regulamentação do Código Florestal, a ampliação das certificações florestais e as negociações de crédito de carbono florestal, no Brasil e em fóruns internacionais, bem como Acordos de Comércio, entre eles o do Mercosul com a União Europeia.

Leia mais:
– Ibá, uma nova representante da indústria da madeira
– Painel: Destaques da indústria nacional
– Aristeu Pires: “A madeira é o produto mais sustentável”

Em relação a essas ações ambientais, quais as vantagens para os fabricantes de painéis em investir numa produção sustentável?
Elizabeth – Entendemos que o investimento para alcançar a sustentabilidade em todo o ciclo de produção é essencial para o setor de árvores plantadas. As práticas de manejo dos plantios partem do princípio que seus bens e serviços devem ser sustentáveis, a diversidade biológica conservada e os impactos sociais e econômicos devem ser positivos. As empresas, além de cumprirem a legislação ambiental, mantendo Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, também investem nos processos de certificação FSC e do Cerflor, atendendo a rigorosos princípios ambientais e sociais. A preservação ambiental garantirá a perenidade do negócio e o setor de árvores plantadas brasileiro é referência mundial na área. Por sua vez, a atuação social nas comunidades ao redor das empresas promove a geração de emprego e de renda e a fixação de pequenos produtores rurais no campo, entre outros benefícios. Buscando um ciclo de produção limpa, as empresas do setor também se aproximam da autossuficiência em energia. Além disso, é crescente o consumo energético de fontes renováveis, como biomassa. O objetivo é atingir um balanço ambiental cada vez mais positivo, no qual se destaca a contribuição do setor para o equilíbrio do clima global, atuando fortemente para que a árvore plantada seja reconhecida como vetor de produção e desenvolvimento econômico, ambiental e social.

Em relação à qualidade da madeira brasileira, no que ela se sobressai?
Elizabeth – O Brasil se destaca no mercado latino e mundial pela tecnologia aplicada nos plantios, tanto de melhoramento genético, como de operações de manejo. A aplicação dessas tecnologias resulta no aumento da produtividade de hectares por ano.


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