Entrevista exclusiva com Claudia Küchen da Schattdecor

Claudia Küchen , da Schattdecor mundial, fala em entrevista exclusiva ao portal eMobile sobre os diversos processos do design

Publicado em 22 de julho de 2015 | 11:40 |Por: Julia Zillig Rodrigues

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Claudia Küchen é responsável pela área de design e marketing da Schattdecor mundial, e conta em uma entrevista exclusiva ao portal eMobile sobre a evolução do conceito, como ele funciona como mola propulsora de desenvolvimento de novos produtos na empresa e a sua relação com os consumidores e o mobiliário.

Portal eMobile – Por que o design ganhou tanta relevância nos últimos anos? Qual a sua contribuição para o aprimoramento dos produtos?
Claudia Küchen – O design é muito importante para o desenvolvimento de qualquer produto. Nos últimos quinze anos, as companhias entenderam a importância do design e seus processos para criar produtos competitivos, e passaram a investir nisso. Quando eu comecei a estudar design, esse conceito já era aceito, mas não como uma grande possibilidade de criar diferenciação. Hoje é possível desenvolver produtos com muitas novas tecnologias, mas não é fácil buscar essa diferenciação. Por exemplo, todos os consumidores têm smartphones e todos esses aparelhos têm infinitas possibilidades. Mas alguns compram aparelhos que se destacam mais por seu design diferente, cor ou acabamento. E é nisso que os designers focam seu trabalho: na forma e acabamento.

Júlia Zillig/Revista Móbile

IMG_4799 Credito Julia Zillig Revista Mobile

“A indústria moveleira deveria ter mais foco no design, absorver os conceitos apresentados em mostras internacionais e a partir daí, interpretar e criar projetos com dimensões menores, voltados para espaços normais”

eMobile – O que o move o design na Schattdecor? Onde estão as inspirações e onde são feitas as pesquisas para obter referências de trabalho?
Claudia – A inspiração vem de todos os lugares e a qualquer hora. Nós temos designers, que têm meu suporte, espalhados pelo mundo todo. Isso possibilitou que nos últimos anos a Schattdecor se tornasse altamente capaz de desenvolver novos produtos com design. O time faz pesquisas em todo o mundo, conversa com pessoas para saber sobre suas necessidades, situações e faz reconhecimento de mercados. Com isso, analisam o que esses dados podem criar – pegam essas informações para projetar como as pessoas querem viver no futuro e, a partir daí, tentam desenvolver soluções e respostas para as demandas. Por exemplo, quando alguém do time sai de férias e vê algo interessante, me envia a imagem.

Com a Sara [Worms, designer da Schattdecor Brasil] aconteceu isso. Esse tipo de ação tem um grande valor para nós. Nós pegamos essa inspiração e traduzimos em um novo caminho para a Schattdecor. Tudo pode ser uma inspiração. Além disso, temos várias áreas diferentes de atuação dentro da área de design da Schattdecor, com profissionais ligados à indústria, ao comportamento, o que ajuda a trazer vários pontos de vista em relação a uma determinada inspiração. Nosso time está espalhado em vários locais do mundo, como Brasil, Alemanha, Rússia, entre outros. Porém, trabalhamos em grande sintonia.

Divulgação Schattdecor

claudia kuchen - Schatt

Claudia: “A inspiração vem de todos os lugares e a qualquer hora. Nós temos designers, que têm meu suporte, espalhados pelo mundo todo”

eMobile – Como é feita a integração do time? Como lidar com ideias de vários países e culturas?
Claudia – O maior volume de design feito pela Schattdecor é concentrado na Alemanha. A maior parte do departamento, incluindo o técnico, também está na Alemanha. Isso acontece porque nós desenvolvemos estratégias e cuidamos para que a tecnologia e qualidade sejam as mesmas em todo o mundo. Nós transferimos o design para o Brasil, Polônia e Rússia – os designers podem trabalhar globalmente, pois temos os mesmos gostos.

Nós temos uma reunião anual que acontece em Milão, na qual nós conversamos ao longo de toda a semana, todo o tempo, para explicar a dinâmica de nossos mercados, como pensam e qual o mecanismo de nossas culturas. Assim, cada um entende as inspirações vindas de cada país e criamos um mix. Quando desenvolvemos algo, tentamos lembrar, por exemplo, o que a Sara [Worms, designer da Schattdecor Brasil] disse. Ou seja, respeitar as culturas na hora de criar um produto. As culturas são muito diferentes, mas hoje é possível que elas caminhem juntas, pois quando você vê o que há em comum entre elas, esta é a melhor parte. Nós somos como uma família. Falamos sem parar durante seis horas por dia durante uma semana sobre a vida, as influências, moda, enfim, sobre tudo.

eMobile – Como é a relação do design com os consumidores e a dos consumidores com o design?
Claudia – Os consumidores estão buscando o design. Há um entendimento melhor a respeito do assunto. A internet abre muitas possibilidades nesse sentido. Por exemplo, você quer dar uma nova cara para o interior da sua casa. Como saber que é cool, o que é tendência ou estilo? A internet fornece muitas informações e inspiração para os consumidores. Com isso, os consumidores se tornaram muito próximos do design. O design tem como propósito não somente criar coisas perfeitas, mas criar conexões individuais.

eMobile – Podemos dizer então que a internet é um dos meios principais de divulgação do design…
Claudia – Definitivamente! É muito interessante porque a internet pode mostrar o que é popular no Brasil, na Rússia, em qualquer lugar. Não há mais um estilo europeu ou alemão, há um mix global. Nós estamos muito próximos via internet. Para os consumidores, é muito fácil achar tudo sobre design. E não há mais regras, pois o design tem muitas faces. A internet ajuda as pessoas a serem “designers” em suas casas.

eMobile – Por que as pessoas hoje buscam refletir sua personalidade? Por que esse desejo pela busca da premissa “the real thing” [novo conceito de trends da Schattdecor]?
Claudia – Há um grande desejo pela “coisa real”, porque os dias atuais são cheios de coisas e situações artificiais. As pessoas vivem estressadas, pois trabalham muito, vivem dentro do avião, estão sempre ocupadas e rodeadas por muita gente. Além disso, há sempre a pressão da falta de tempo. Porém, quando você chega em casa, tem que ter a possibilidade de criar sua própria personalidade. Quer expressar sua individualidade, não quer seguir o caminho da sociedade em massa.

Há uma grande necessidade de expressar essa necessidade e uma grande demanda por materiais naturais, porque lá fora há muita tecnologia e novos materiais. Você sente a necessidade de criar algo no qual se vê com mais contraste, porque se sente invisível no dia a dia. Por exemplo, na Europa, você olha os catálogos das lojas de móveis e parece tudo perfeito, mas de uma forma artificial. Quando você folheia cada página, percebe que o estilo segue certas regras. E não é isso o que as pessoas almejam. Elas querem criar seu próprio interior, mostrar algo especial quando recebem visitas para que elas notem o quanto aquilo se parece com você, denota o seu estilo de vida.

eMobile – Você acredita que os consumidores entendem o verdadeiro papel do design?
Claudia – Sim e não. Sim, porque as pessoas passaram a ter conhecimento sobre o que é o design, de onde veio, etc. E a outra resposta é não, porque eu acho que não está clara a grande diferença que existe entre o que é design e arte, que é elaborada por artistas e vem cheia de reflexões. Design é feito para as pessoas, mostra trabalho e instiga-as a não ficarem questionando qual foi a tecnologia empregada, mas sim provocar uma identificação imediata: “eu amei!”. Não é necessário explicar quanto tempo de desenvolvimento foi empregado para criar um produto, é uma coisa emocional. Por exemplo, quando eu vejo design da Schattdecor na casa dos meus amigos, eu fico muito feliz porque deu certo.

eMobile – Nos móveis, o foco maior na qualidade desafia o design?
Claudia – O mundo moveleiro tem duas classes: móveis com boa qualidade e preço alto. E mobiliário com qualidade menor e mais barato. Hoje, há crises econômicas ao redor do mundo, por isso as pessoas no geral têm pouco dinheiro, mas elas têm o sentimento de que trabalham tanto e por isso querem comprar móveis mais em conta, mas com qualidade. Nós criamos designs semelhantes ao material real e o consumidor se sente confortável ao comprar móveis com design e preços mais atrativos.

eMobile – Como a indústria moveleira pode trabalhar o design ao seu favor?
Claudia – A indústria moveleira deveria ter mais foco no design. A indústria deve absorver os conceitos apresentados em mostras internacionais – por exemplo, na Eurocucina havia grandes cozinhas, com mobiliários enormes – e, a partir daí, interpretar e criar projetos com dimensões menores, voltados para espaços normais.


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