Empresas moveleiras ainda desconhecem eficiência do OEE

Overall Equipment Effectiveness ou Eficiência Global dos Equipamentos é o principal indicador utilizado para medir a eficiência do chão de fábrica, mas ainda é desconhecido por maioria das moveleiras

Publicado em 28 de dezembro de 2017 | 9:00 |Por: Pedro Luiz de Almeida

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Muito se fala a respeito da gestão da produção e das ferramentas que os empresários podem adotar para realizar essa prática. Dentre elas, destaque para a eficiência do OEE (Overall Equipment Effectiveness ou Eficiência Global dos Equipamentos em tradução livre), método de monitoramento japonês criado por Seiichi Nakajima, um dos pais da TPM (Total Productive Maintenance ou Manutenção Produtiva Total).

O consultor moveleiro Cláudio Perin, que possui mais de 20 anos de experiência na cadeia do mobiliário, frisa que o OEE é, a cima de tudo, uma ferramenta de vantagem competitiva para as empresas do setor moveleiro, contudo, a maioria ainda não faz uso ou desconhece tal sistema.

Divulgação

OEE

Para o consultor moveleiro Claudio Perin, empresas que implantarem o OEE terão vantagem competitiva no setor

“É um assunto que eu já venho debatendo há um tempo. Acredito que, para o ano de 2018, o OEE é o que de melhor a indústria moveleira pode colocar em prática. Porém, as empresas precisam correr porque tem gente que já está adotando a ferramenta e, como sempre, quem sair na frente terá uma vantagem tremenda sobre a concorrência”, assegura Perin.

O especialista faz um paralelo do OEE com outras quatro tecnologias que modificaram totalmente a indústria e, particularmente no setor moveleiro, houve ressalvas quanto à adoção das mesmas. São elas: o plano de corte, na década de 1990, o CAD, em 2000, o ERP e depois a renderização de produtos.

Assim como os empresários tiveram uma postura cética diante dessas novidades, ele assinala que elas foram forçadas a “correr atrás do prejuízo”, depois de constatar a relevância. “Agora, o mercado está explodindo com o OEE, mas é uma explosão silenciosa”, completa Perin.

O que é OEE?

Trata-se do principal indicador utilizado para medir a eficiência global. Ele consiste em uma série de métricas usadas para monitorar se um processo é eficiente ou não. Basicamente, esse indicador tem o intuito de responder a três questões: Com que frequência os meus equipamentos ficam disponíveis para operar? (Disponibilidade); O quão rápido estou produzindo? (Performance); Quantos produtos foram produzidos que não geraram refugos? (Qualidade).

OEE na prática

Para implantar efetivamente o OEE na organização, o industrial precisa fazer um investimento relativamente baixo. Pois, como explica Perin, o custo para adoção do indicador se tornou baixo devido às tecnologias disponíveis. “O maior custo é o próprio implantador quando comparado ao software e infraestrutura”, revela. Além disso, ele garante que apenas por meio de tal indicador a empresa consegue uma melhoria de, no mínimo, 5% em eficiência, podendo chegar em 30% em alguns casos.

“Dentre as ferramentas OEE disponíveis no mercado, venho utilizando uma delas de maneira recorrente por ter um excelente custo-benefício para os empresários do setor moveleiro. Porque, hoje, o que temos no mercado de mais barato é muito artesanal e o melhor é muito caro para a maioria das empresas moveleiras. Então, esse que eu uso tem uma funcionalidade ótima e o custo é muito baixo e só precisa de um coletor de dados e um tablet. E é um investimento que se paga em menos de um ano” revela o consultor.

Shutterstock

OEE

A implantação do OEE exige metodologia, cronograma e responsabilidade da empresa

O tempo para implantação do OEE depende do nível de maturidade do PCP (Planejamento e Controle da Produção) que a empresa possui, visto que ele opera com base nos dados desse indicador. Uma empresa que está com um PCP bem estruturado leva de três a quatro meses para implantar o OEE, já no nível médio demora de 6 a 9 meses.

Por fim, uma organização que não tem um planejamento pode chegar a um ano. “A maioria das empresas do setor moveleiro se enquadram no PCP médio”, pontua Perin.

“Primeiro eu faço uma visita na empresa, para ver o que ela tem em questão de gestão da produtividade e depois traço o plano para implementá-lo. O OEE é uma parte do sistema MES [Manufacturing Execution System – Sistema de Manufatura Enxuta], então a empresa consegue implantar o OEE sem, necessariamente, implantar o MES porque a teoria do OEE pode funcionar sozinha com coletor ou tablet, por exemplo”, justifica Perin.

8 benefícios do OEE

1 –  Identificar recursos sobrecarregados e ociosos do sistema produtivo (gargalos e folgas)
2 – Acompanhar e interagir em tempo real, garantindo o andamento previsto das ordens de produção
3 – Desenvolver e aprimorar produtos orientados em função das folgas e gargalos da produção
4 – Criar e avaliar políticas de premiação dos colaboradores por desempenho operacional
5 – Detectar ineficiências pontuais de mão de obra e implementar treinamento de funcionários
6 – Implementar melhorias e alterações de processo nas operações críticas
7 – Avaliar e aperfeiçoar a precificação de produtos por demanda de recursos
8 – Dimensionar o parque fabril, turnos e tamanho da equipe de produção em função do mercado presente


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