Marcenaria: dicas sobre financiamento de máquinas

Existem diversas opções de financiamento de máquinas e equipamentos, mas é preciso saber tirar proveito e analisar as condições

Publicado em 24 de março de 2014 | 14:32 |Por: Portal eMobile

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Algumas oportunidades para a compra de produtos podem ser desconhecidas por parte de pequenas e médias marcenarias. Linhas de financiamento para máquinas e equipamentos têm particularidades e variações de taxas de juros, e é preciso ficar atento para que o custo final não fique maior do que o programado. Com a chegada das feiras, ambiente propício para a execução de negócios, a Móbile Sob Medida buscou exemplificar e simular algumas das opções existentes.

Segundo o consultor industrial moveleiro, Sidney Wuchryn, é importante, para quem quer investir, realizar simulações em diversas instituições financeiras. A escolha por bancos públicos também é acertada, já que as taxas costumam ser menores e os prazos maiores. O consultor também alerta que mesmo com a taxa de juros elevada, os incentivos para aquisição de equipamentos produtivos em geral são atrativos, podendo até ser menores que os índices da poupança.

Arquivo pessoal

Sidney Wuchryn - Consultor moveleiro

O consultor industrial, Sidney Wuchryn, sugere preparar todas as documentações necessárias para agilizar os processos

Wuchryn cita que as melhores linhas de financiamento para compra de máquinas, equipamentos e insumos para a marcenaria são as oferecidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). São diversas opções para diferentes segmentos produtivos da indústria brasileira e a grande vantagem é que, no caso das pequenas e médias empresas, é possível financiar até 100% do valor do investimento.

Existem três linhas de crédito por meio do BNDES, que podem ser aproveitadas pelo setor moveleiro em geral: Cartão BNDES, Finame e Proger. Os três atendem do micro (no qual o banco enquadra empresas com faturamento de até R$ 2,4 milhões) ao grande empreendimento. “De uma forma errônea se tem a visão de que as linhas do banco só servem para os grandes empresários”, relata o gerente da plataforma empresarial na superintendência da Caixa Econômica Federal (CEF) do Norte do Paraná, Luiz Gastão Pinto Júnior.

O gerente explica que a melhor linha para adquirir máquinas e equipamentos é o Finame. Idealizada para produtos novos, a linha tem a taxa mais baixa entre as citadas, que, hoje, está em 4,5% ao ano sem nenhum tipo de correção e prazo máximo de 60 meses para quitação. “O empresário adquire a máquina, a integra ao seu sistema de produção, aprende a operá-la, gera as receitas para a empresa, para somente após um ano começar a pagar”, observa Luiz Gastão.

Quanto ao Proger, o empresário tem acesso somente por meio de bancos públicos como a Caixa, Banco do Brasil e Banco da Amazônia. Essa linha tem como diferencial o financiamento de máquinas e equipamentos, mas também veículos novos ou usados. A taxa de juros, hoje, é de 5% ao ano mais a Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP, definida como o custo básico dos financiamentos concedidos pelo BNDES, que é de 5% e é reajustada mensalmente). “Temos utilizado o Proger para aquilo que não se enquadra no Finame, como por exemplo, no caso de máquinas usadas”, diz Luiz Gastão.

Já a utilização de financiamento pelo Cartão BNDES, que opera por meio do Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banrisul, Itaú, Sicoob e BRDE – em taxas de 0,98% ao mês mais IOF – tem vantagens e desvantagens, segundo o gerente da Caixa. “Muitas vezes, no Cartão BNDES, o empresário comprou a máquina, mas o equipamento não está instalado, não está produzindo. Passados 30 dias ele tem que pagar a primeira parcela, ou seja, ele está tirando dinheiro do bolso sem começar a ter benefícios.”

Neste cenário, o gerente explica: “O fornecedor prefere vender pelo Cartão BNDES porque a finalização da venda é mais rápida. No Finame não. Tem que pegar a documentação, mandar para o BNDES e esperar a liberação da contratação. Só depois é que o contrato é assinado e o pagamento é feito ao fornecedor. Normalmente esse processo demora cerca de 30 dias”, pondera Luiz Gastão.

Este método do Finame tem feito com que a demora do repasse de recursos do BNDES aos fornecedores atrase a entrega da máquina ao empresário. O gerente da Caixa explica que isso tem ocorrido devido ao fato de que houve um acúmulo muito grande de operações do banco, principalmente antes da taxa de juros subir. “Mas o problema já está sendo contornado”, afirma.

O BCD Caixa (Bens de Consumo Duráveis) é outra linha de crédito que Luiz Gastão indica. Trata-se de uma opção voltada ao mesmo fim, mas com prazo de 60 meses e que financia até 90% do valor do investimento. “A grande vantagem desta linha de crédito é que pode ser utilizada para comprar máquinas novas ou usadas com até dez anos de fabricação, nacionais ou importadas”, explica.

Veja as taxas e prazos das diversas opções de financiamento

Cartão BNDES Finame Proger BCD Caixa
Financiamento 100% 100% 80% 90%
Taxa ao ano Variável 4,50% 5% + TJLP (5%) 14,40%
Taxa ao mês 0,98% + IOF 0,37% 0,83% 1,20%
Pagamento 30 dias de carência + 48 meses de amortização 12 meses de carência + 48 meses de amortização 6 meses de carência + 42 meses de amortização 6 meses de carência + 54 meses de amortização

Fonte: BNDES e Caixa Econômica Federal

 

Confira uma simulação* feita pela Móbile Sob Medida para a compra de uma seccionadora manual e de uma coladeira automática

Cartão BNDES Finame Proger BCD Caixa
Seccionadora manual – R$ 43.000 48x de R$ 1.157,86 48x de R$ 979,39 48x de R$ 1.089,77 48x de R$ 1.183,68
Coladeira de borda automática sem tupia – R$ 75.000 48x de R$ 2.019,52 48x de R$ 1.708,24 48x de R$ 1.900,75 48x de R$ 2.064,57

Fonte: Fornecedores da indústria moveleira. * Taxas administrativas não incluídas

Três dicas importantes

  • Abrir preferencialmente conta jurídica em instituição pública.
  • O percentual de investimento em maquinário não deve ultrapassar 20% do faturamento da empresa.
  • É recomendável preparar documentação e créditos pré-aprovados, principalmente para aproveitar ofertas de ocasião.

* Fonte: consultor industrial moveleiro Sidney Wuchryn


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