Congresso Nacional Moveleiro: revisão da noção de custos

Sócio da N.E. Soluções e consultor do Sebrae ANPEI, Elpídio M. Costa, propõe medidas criativas e desafiadoras para empresários do setor moveleiro diminuírem custos operacionais sem perder produtividade nem mão de obra

Publicado em 15 de setembro de 2016 | 16:59 |Por: Nicholle Murmel

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crédito: Phaenna Assumpção

Foto: Phaenna Assumpção/Portal eMóbile

Ao longo da palestra ‘Desafios para alcançar a redução dos custos operacionais’, apresentada no segundo dia do Congresso Nacional Moveleiro, o sócio da N.E. Soluções, doutorando em Engenharia de Produção e consultor do Sebrae ANPEI, Elpídio Moreira Costa, falou a empresários do segmento de mobiliário sobre a possibilidade de reduzir gastos a partir da revisão de práticas de produção e gestão, sem cair no padrão nocivo de reduzir aprimoramento tecnológico e demitir colaboradores.

Prever o imprevisível

O primeiro ponto abordado foi a revisão da própria noção de custos na estrutura da empresa. De acordo com Costa, é preciso enxergar para além de gastos, despesas, perdas e investimentos, e passar a considerar desembolsos pouco comuns ou que não se mostram óbvios na rotina: programação inadequada da linha de produção, custos logísticos, multas, vendas erradas e rupturas na produção, por exemplo.

Boa parte desses entraves corrói o faturamento de forma sutil e progressiva, e pode ser evitada a partir da análise minuciosa de processos de design, fabricação, e distribuição dos produtos, bem como da própria condução dos negócios e enfrentamento de problemas. O consultor aponta ainda que é preciso que empreendedor e colaboradores se comprometam no longo prazo com as novas medidas de gestão e produtividade para enxugar efetivamente os custos. “É preciso ser disciplinado e atento aos detalhes”, resume.

Ecoeficientes

Durante a palestra, Elpídio Costa também discutiu a noção de empresas ‘ecoeficientes’ no sentido da boa performance ambiental – aproveitamento máximo de matérias-primas, economia de energia, logística reversa e reciclagem – interligada à boa performance econômica. “Juste-se a isso a responsabilidade social e chegamos à ideia de sustentabilidade”, argumentou Elpídio durante sua fala.

Para o palestrante, os empresários moveleiros precisam se habituar à eficiência ecológica da produção não como opção, mas como futuro da indústria por conta da tendência de encarecimento das matérias primas e barateamento dos processos de reciclagem, e par isso, os produtos precisam ser projetados desde o início já tendo em vista o reaproveitamento dos componentes pela própria fábrica ou outros segmentos ao final do ciclo de vida. “É preciso pensar no produto do berço ao túmulo. E muitas vezes o lixo de uma indústria pode ser a matéria prima de outra”, pondera.

Agente de mudança

Ao propor que o empresariado procure outras medidas que não demissões e estagnação tecnológica para cortar custos, Costa implica a necessidade de mudanças no que ele chama de DNA empresarial. Para o consultor, o empreendedor precisa rever paradigmas e a forma de enxergar o próprio negócio e os problemas que o afligem. A sugestão seria um equilíbrio delicado entre descentralizar um pouco os processos de gestão e decisão dentro da empresa e, ao mesmo tempo, concentrar no proprietário a responsabilidade e iniciativa para a solução dos desafios.

Neste cenário ideal, gerentes e diretores que vivem a realidade diária setores da companhia, sabem quais os entraves cotidianos poderiam propor e testar soluções com mais autonomia. Ao mesmo tempo, o proprietário concentraria em si o DNA da instituição e o papel de “agente de mudança”, segundo Elpídio Costa.


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